Mercado ensaia recuperação, mas cautela prevalece

28.01.2020

 

Um dia após o aumento da preocupação com o avanço do coronavírus na China, o mercado financeiro tenta se recompor das fortes perdas e ensaia uma recuperação. Mas a cautela prevalece entre os investidores, que tentam mensurar o impacto econômico global do surto da doença. Ainda mais depois que a OMS se retratou e elevou o risco internacional de contaminação do vírus.  

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta, o que embala a abertura do pregão europeu e sugere uma pausa no sentimento de aversão ao risco (risk off) que engatou uma forte onda vendedora (sell off) dos ativos ontem. Na sessão regular, em Wall Street, o índice Dow Jones zerou a alta acumulada no ano, enquanto o S&P 500 registrou a maior queda em quatro meses. Ainda assim, na região Ásia-Pacífico, o dia foi de perdas nas praças em que houve sessão. 

 

Tóquio caiu 0,55%, enquanto Seul recuou mais de 3% e Sydney cedeu 1,35%, com ambos voltando do feriado. Nos demais mercados, o petróleo oscila próximo à estabilidade, com o barril dos tipos Brent e WTI cotados abaixo de US$ 60. Já o dólar mede forças em relação às moedas rivais, com o iene chegando a ser cotado abaixo da marca de 109 por dólar. Já o yuan chinês (renminbi) se estabiliza, após se aproximar da faixa de 7 por dólar. 

 

Esse comportamento dos mercados no exterior pode ajudar o Ibovespa a corrigir o tombo da véspera, quando registrou a maior queda em dez meses ao cair mais de 3%, com a Bolsa brasileira contaminada pelo temor de propagação do coronavírus. O dólar, por sua vez, subiu a R$ 4,2090, no maior patamar desde dezembro. Já no mercado de juros futuros, a aposta de corte de 0,25 ponto na Selic em fevereiro subiu para cerca de 80%.     

 

De um modo geral, o mercado financeiro avalia que os esforços para conter o coronavírus se intensificaram, agora que a organização de saúde em Genebra afirmou que a doença representa um elevado risco global, de antes visto como moderado. Na China, o número de mortes por complicações respiratórias passa de 100, sendo que a maioria aconteceu na província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan. Mais de 4 mil pessoas foram infectadas.     

 

Impacto profundo

 

Por ora, é difícil mensurar o impacto econômico da doença. Sabe-se que o coronavírus arruinou as comemorações do Ano Novo Lunar, o feriado mais importante na China. Sob as mais rigorosas medidas de controle, juntamente com o pânico das pessoas, o turismo, o consumo e o entretenimento pararam. As ruas ficaram vazias e as pessoas, em casa.

 

As previsões mais otimistas são de que o surto de coronavírus pode representar um risco negativo notável de curta duração, desacelerando a atividade chinesa neste e talvez no próximo trimestre. Mas, se a infecção continuar se espalhando para outros países, transformando-se em um problema de saúde global, a gravidade pode ser maior. 

 

A grande questão é que o mundo parece estar em um estágio avançado de fim de ciclo econômico global, com as maiores economias já em trajetória de desaceleração. E o surto de coronavírus pode ser um vetor de pressão ao crescimento global, sob o risco de levar a atividade à recessão. 

 

E com os juros tão baixos mundo afora, o poder da política monetária para estimular as economias parece ser menor, com as ferramentas dos bancos centrais apresentado maior restrição. Mas tudo isso ainda é de difícil mensuração. Por isso, o mercado financeiro segue monitorando a situação e tentando medir o impacto na economia real e nos ativos globais.

 

Campos Neto em destaque

 

Dados sobre o setor da construção civil recheiam a agenda de indicadores econômicos desta terça-feira que, ainda assim, está mais fraca hoje. Por aqui, saem o índice de custos na construção e a confiança do empresariado do setor em janeiro, ambos às 8h. 

 

Já nos EUA, será conhecido o índice de preços de imóveis residenciais em novembro (11h). Ainda no calendário norte-americano, saem os pedidos de bens duráveis em dezembro (10h30) e o índice de confiança do consumidor de janeiro (12h). 

 

Entre os eventos de relevo, o presidente do Banco Central brasileiro, Roberto Campos Neto, participa de palestra em São Paulo, a partir das 10h. Às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano, a fala dele deve calibrar as expectativas sobre o rumo do juro básico no mês que vem.

 

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