top of page

Mercado começa 2026 decifrando bichos, e não gráficos

  • Foto do escritor: Olívia Bulla
    Olívia Bulla
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura
cisne negro e simbolos financeiros
Ofensiva dos EUA na Venezuela expõe riscos geopolíticos na América ignorados pelo mercado e recoloca energia no centro do jogo de poder

Esqueça tudo o que você leu, ouviu e assistiu no fim do ano passado sobre as previsões para o mercado financeiro. 2026 começa pra valer para os investidores nesta segunda-feira (5) com um fato novo — e, para muitos, inesperado. Mas não se pode dizer que a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no sábado (3), é um Cisne Negro. No universo dos bichos (e na taxonomia dos riscos), o evento se aproxima mais de um Rinoceronte Cinza


A tática de cerco e ingerência implementada pelos EUA ainda em 2025 já dava indícios de qual seria o tom para o mundo em 2026. Ou seja, assim como houve a interceptação de navios petroleiros próximos à costa venezuelana, ocorreu, dias depois, o sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro. Em seguida, vieram ameaças de novas ofensivas.


Mercado corre, mas não explica


Do ponto de vista do mercado, análises apressadas durante o fim de semana apontaram o setor petrolífero como grande vencedor, levando a recomendações de compra de ações de empresas como Petrobras e Chevron. Porém, faltou explicar como o resultado esperado pelo governo Trump - de custos mais baixos na gasolina ao consumidor norte-americano e o consequente alívio na inflação levando a novas quedas nos juros pelo Federal Reserve no curto prazo - sustenta essa avaliação. 


Também houve quem dissesse que haveria um “oceano de oportunidades” com a reconstrução de toda a infraestrutura na chamada “nova Venezuela”. Porém, como ressalta o time de especialistas do Rabobank, “levaria ao menos de cinco a dez anos” para que a produção de petróleo venezuelana fosse restaurada aos níveis anteriores. Atualmente, destacam, a capacidade produtiva no país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo no mundo - a saber, 303 bilhões de barris - é apenas uma fração do que já foi. 


Não é sobre preço, é sobre poder


O interessante é que daqui a cinco ou dez anos muitos dos países que assinaram o Acordo de Paris - o que não inclui os EUA - terão alcançado o pico da emissão de dióxido de carbono (CO2). A China, por exemplo, tem como meta atingir esse nível antes de 2030, levando mais 30 anos para zerar a emissão de gases de efeito estufa (GEE). 


Como se sabe, a China costuma cumprir suas metas - inclusive antes do esperado. Por isso, o bloqueio das exportações de petróleo da Venezuela para o país asiático - que respondiam por quase 70% em 2023 - tende a acelerar o desenvolvimento de novas forças produtivas e da inovação por lá, intensificando a transição energética já em curso. 


Velha hegemonia, novas frentes


Daí por que a operação militar dos EUA diz mais sobre uma velha ordem econômica e política mundial que insiste em manter sua hegemonia. Ao promover uma Doutrina Monroe moderna na América, o expansionismo do governo Trump equivale, em lógica, à expansão da OTAN na Europa, sob o mesmo princípio de segurança nacional. 


A diferença é que no velho continente insiste-se na proteção contra a ameaça da Mãe Rússia. Em solo americano, a tentativa é de ampliar o “quintal” por toda a América e colocar os recursos naturais ao dispor dos EUA. A tentativa de assumir o controle do Canal do Panamá, no Caribe, e o aviso de Trump de que “algo poderia acontecer com a Groenlândia”, são exemplos dessa estratégia de defesa atualizada.


Por esse motivo, a região está sob ameaça de novos ataques, em especial nos países com governos de esquerda e progressistas. Nesse sentido, as eleições presidenciais de 2026 no Brasil tendem a ocorrer nas mesmas condições de cerco e ingerência observadas recentemente no país vizinho. Como lembra Valter Pomar, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC): “não é apenas o México que está perto demais dos EUA e longe demais de Deus”.


Faltam 360 dias para o fim de 2026.  Aperte o cinto.



Comentários


Posts Destacados

Inscreva-se 

Receba as principais notícias por e-mail.

 

  • Facebook Long Shadow
  • LinkedIn Long Shadow

Por favor, insira um email válido

Parabéns! Sua assinatura foi concluida

© 2015  Olívia Bulla By ImageLab. 

bottom of page