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Mercado (ainda) se prende a payroll e IPCA

  • Foto do escritor: Olívia Bulla
    Olívia Bulla
  • há 2 minutos
  • 4 min de leitura
mercado financeiro e cenário de guerra
Mercado está mais preocupado com emprego nos EUA e inflação no Brasil do que com invasão na Venezuela

O mercado financeiro está mais preocupado com os dados sobre o emprego nos Estados Unidos e a inflação no Brasil do que com a invasão dos EUA na Venezuela. Os investidores sabem que os desdobramentos da operação militar que derrubou o governo de Nicolás Maduro ainda vão levar algum tempo. 


Já o payroll e o IPCA podem ter efeitos sobre os juros no curto prazo. Segundo o BDM, se ambos os indicadores não pregarem “qualquer susto”, é grande a chance de as apostas para as taxas ficarem onde estão agora, com a retomada do ciclo de flexibilização pelo Federal Reserve em abril e corte na Selic em março. 


Vale lembrar que o payroll de dezembro será o primeiro que volta a ser divulgado na primeira sexta-feira do mês seguinte. Esta tradição foi interrompida por causa do mais longo shutdown da história dos EUA, que adiou os relatórios de setembro e de novembro e prejudicou a coleta dos dados de outubro - quando teve início a paralisação do governo. 


Por isso, não se pode descartar a hipótese de que a criação de vagas em cerca de 60 mil por mês esteja superestimada. Trata-se de algo que o próprio presidente do Fed, Jerome Powell, mencionou na entrevista coletiva após a última reunião, em 10 de dezembro último, lembra o InfoEconomics.


Já o índice oficial de preços ao consumidor brasileiro deve acelerar na leitura mensal, mas em ritmo menos intenso do que no mesmo período do ano passado. Assim, o processo de desaceleração da inflação deve continuar. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses deve ficar dentro do intervalo de tolerância do Banco Central, ainda que distante do centro da meta. 


Mercado foca no curto prazo


É este cenário que importa para o mercado nesta primeira semana cheia de 2026, relegando o evento que antecedeu o período e que acabou com o clima de esperança já no terceiro dia do ano. “O episódio da Venezuela ilustra claramente como a geopolítica se infiltra nos mercados em geral”, afirma  Stefan Koopman, estrategista sênior do Rabobank.


Segundo ele, os investidores sabem que “muita água ainda precisa correr pelo Orinoco antes que tudo esteja dito e feito”, referindo-se ao principal rio da Venezuela. Apesar da produção de petróleo da Venezuela ser limitada no curto prazo devido ao subinvestimento e à infraestrutura precária, o sinal no longo prazo é de maior oferta da commodity em um mercado já bem abastecido.  


“Em resumo, eventos de baixa probabilidade e alto impacto são difíceis de precificar. Episódios de risco geopolítico normalmente geram uma reação inicial de aversão ao risco, mas esses movimentos geralmente se dissipam à medida que os mercados reavaliam a probabilidade de que os resultados mais disruptivos se materializem”, diz Stefan Koopman, do estrategista sênior Rabobank.

E o especialista continua: “Ao longo do tempo, isso fomentou um certo grau de insensibilidade do mercado aos próprios eventos, mas os investidores ainda prestam muita atenção às possíveis consequências econômicas. Na ausência de um impacto claro nos equilíbrios físicos de oferta e demanda, nas perspectivas de crescimento e inflação ou na trajetória esperada dos juros, os choques tendem a ser descontados rapidamente e os preços dos ativos retornam aos níveis pré-evento”.


Daí por que o mercado está mais preocupado com o payroll e o IPCA nesta sexta-feira (09). A questão é que, claramente, o tema central para 2026 continua sendo o cenário geopolítico global e a crise do capitalismo liberal financeirizado - que pode destruir e intervir por meio da coerção, mas que não se sustenta no diagnóstico histórico. 


Para a The Economist, a “expressão mais dramática até o momento da ‘Doutrina Donroe’ - a crença de Donald Trump de que ele pode fazer o que quiser no hemisfério ocidental, desde confiscar o petróleo da Venezuela até tomar posse da Groenlândia - é uma fórmula para enfraquecer os EUA a longo prazo. 


No entanto, explica Koopman, do Rabobank, os mercados estão atentos aos sinais de que a turbulência geopolítica irá se refletir na economia real. “Até que isso se manifeste nas cadeias de suprimentos, nos preços ou nos dados econômicos, os mercados devem seguir ancorados no que pode ser medido, em vez do que pode ser projetado”. 


Ou seja, ainda que retirada do contexto e alterando seu sentido, a lógica do mercado se baseia na célebre frase do economista John Maynard Keynes no pós-Guerra: “a longo prazo, estaremos todos mortos”. 


Passeio pelos mercados


  • Futuros das bolsas de Nova York: leve baixa.

  • Europa: bolsas mistas.

  • Ásia: fechamento em alta.

  • Moedas: dólar avança ante rivais; índice DXY (cesta de moedas de economias avançadas) sobe a 99 pontos.

  • Commodities: petróleo sobe; minério de ferro (Dalian) fecha em baixa, a US$ 116,63; ouro sobe.

  • Criptomoedas: Bitcoin em baixa.


Agenda do dia

Indicadores

  • 9h - Brasil: IPCA (dezembro e 2025)

  • 11h30 - EUA: Payroll (dezembro)

  • 12h - EUA: Índice de sentimento do consumidor (prévia - janeiro)

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