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Mercado ainda não entendeu 2026

  • 30 de mar.
  • 3 min de leitura
visões políticas e do mercado financeiro no futuro
Entre conflitos militares, ruídos políticos e batalha no dólar, o mercado segue reagindo como sempre — a um mundo que já mudou

Três meses. Dois ataques militares. Um sequestro. Um assassinato — ambos pelos Estados Unidos contra os líderes da Venezuela e do Irã, respectivamente. Quando A Bula do Mercado avisou para esquecer tudo o que se dizia sobre o mercado financeiro em 2026, o recado já estava dado. Não porque faltavam previsões para os ativos de risco e decisões de bancos centrais no ano que apenas iniciava — mas porque essas leituras partiam de um mundo que já não existia mais.


Veio fevereiro e os investidores voltaram do carnaval convencidos de que era o momento de bater no dólar. Ninguém parecia ter medo dos R$ 5,00. As trincheiras avançaram até perto de R$ 5,10. Mas Donald Trump decidiu atacar o país persa, em uma operação publicamente conjunta com Israel, e o real recuou — relegando a disparada do petróleo para além de US$ 100 o barril.


O risco de um conflito prolongado no Oriente Médio impactar a inflação impediu o Federal Reserve de agir. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou um corte tímido de 0,25 ponto na taxa Selic. O juro básico brasileiro a 14,75% serviu para justificar o movimento do dólar mais pressionado, desvalorizando o real em meio às dinâmicas envolvendo os aspectos políticos no país. 


Jogo político


Em ano eleitoral e com um governo de esquerda tentando seguir no poder, é difícil quebrar as barreiras do câmbio. Em outras palavras, se houvesse um governo austero no lado fiscal, “esse dólar já estaria em R$ 4,50” - disse-me uma fonte ainda no fim de 2025. Daí por que o mercado, que havia ficado frustrado com a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, passou a comemorar o nome do filho mais velho do ex-presidente à frente do candidato à reeleição em algumas pesquisas.  


No meio do caminho, o emaranhado de teias envolvendo o Banco Master e a tentativa da defesa de Daniel Vorcaro para uma delação premiada - comandada pelo mesmo advogado que conduziu a delação de Léo Pinheiro, que confessou ter mentido durante investigações - elevaram a tensão nos negócios. Em outras palavras, o prêmio de risco subiu: as taxas embutiram juros no horizonte à frente, o dólar estacionou em R$ 5,20 e o Ibovespa andou de lado ao redor dos 180 mil pontos.  


O desespero em colar os escândalos do ex-controlador do Master ao presidente Lula e à atual gestão do Banco Central levou a um pedido de desculpas inédito, mas meio sem jeito da Globo — o PowerPoint apresentado por Andrea Sadi era pior do que o de Deltan Dallagnol dez anos atrás. Resta saber se também haverá pagamento de multa por danos morais. 


Virando a folhinha


Mais do que episódios isolados, tanto no plano internacional quanto na esfera local, esses movimentos revelam o mesmo padrão: a tentativa de encaixar a realidade em narrativas já conhecidas. É assim que o mês de março vai se despedindo. Mas abril não começa no calendário — começa na leitura do cenário. 


Novamente, aqui, vamos repetir o que A Bula do Mercado escreveu lá atrás: o problema não são os eventos que marcam 2026 e os que estão por vir nos próximos meses, mas sim o mercado insistindo em reagir como sempre, interpretando o presente preso a um modelo mental que já não explica mais o mundo. 


Parte das leituras da Bula do Mercado seguirá aberta aqui. Outra parte — mais estruturada e contínua — passa a ser desenvolvida na Imagelab.

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