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Dose de cautela


Segunda onda da pandemia no Ocidente segue em rápida aceleração, enquanto vacinação é lenta e risco fiscal no Brasil eleva preocupação


A véspera do fim de semana prolongado na cidade de São Paulo, devido ao feriado na próxima segunda-feira, que mantém o mercado doméstico fechado, deve ser dedicada a ajustes, após um novo descolamento dos ativos locais ontem. Ibovespa, dólar e curva de juros acusaram o golpe, após os candidatos apoiados pelo governo para as presidências da Câmara e do Senado mostrarem-se abertamente favoráveis à retomada do auxílio emergencial.


O benefício favorece a atividade, mas pessiona a dívida e os preços. Porém, o noticiário em torno da vacinação pode aliviar parte da pressão nos negócios hoje, tal qual visto ontem. O avião vindo da Índia com 2 milhões de doses de vacina de Oxford deve chegar hoje ao Brasil, após uma semana de atraso, e a Anvisa decide sobre o segundo pedido emergencial do Instituto Butantan para liberar mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac.


Ainda assim, o Ibovespa pode ter dificuldades para reaver a marca dos 120 mil pontos, bem como o dólar tende a seguir firme na faixa de R$ 5,30, enquanto os prêmios de risco nos juros futuros devem ser mantidos. Afinal, os números da pandemia de coronavírus seguem em rápida aceleração, ao passo que a vacinação contra a covid-19 é lenta - e com muitos desvios no caminho.


A combinação das crises sanitária e fiscal no Brasil explica porquê a Bolsa não consegue tirar proveito dos enormes fluxos de dinheiro no mundo em direção aos países emergentes, com o Ibovespa ainda afastado da máxima histórica de pontuação, em total desconexão com os sucessivos recordes em Wall Street. O mesmo motivo é válido para o real, pois até agora a eficácia do governo tem sido em depreciar a moeda local e inflacionar a economia.


Vírus é manchete


A pausa no rali dos mercados internacionais, com o sinal negativo prevalecendo nos dois lados do Atlântico Norte e a sessão no vermelho na Ásia, também tende a dificultar qualquer tentativa de melhora dos ativos locais, elevando a postura defensiva dos investidores devido à pausa nos negócios locais no início da semana que vem. O dólar recupera terreno, o petróleo cai, e o bônus de 10 anos dos Estados Unidos está em 1,10%.


Os investidores digerem a estratégia de Joe Biden para combater a disseminação do coronavírus nos EUA e avaliam que a pandemia ainda vai piorar mais antes de melhorar, com a imunização ainda insuficiente para conter o surgimento de novos surtos. Ou seja, agora que a festa com a troca de comando na Casa Branca acabou, os mercados globais voltam a olhar para a realidade e é o vírus que segue dominando as manchetes.


Ontem, Biden alertou que outras 100 mil vidas podem ser perdidas já no próximo mês nos EUA, diante dos sinais de que o vírus “pode ​estar estagnando” em um nível elevado de infecções. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que a pandemia continua representando um sério risco à economia da região, com as mortes pela doença na Alemanha ultrapassando os 50 mil.


Agenda ganha força


A semana chega ao fim com a agenda econômica, enfim, ganhando força e trazendo as leituras preliminares deste mês sobre a atividade nos setores industrial e de serviços nos EUA e na zona do euro, ao longo da manhã. Também serão conhecidos novos indicadores do setor imobiliário norte-americano em dezembro (12h), além dos estoques semanais de petróleo no país (13h). No Brasil, sai a prévia deste mês sobre a confiança da indústria (8h).


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