Lula: ministro ou preso?

10.03.2016

 

A denúncia do Ministério Público estadual de São Paulo, apresentada ontem à noite, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por crimes de lavagem de dinheiro (ocultação de patrimônio), falsidade ideológica e estelionato deve agitar os mercados domésticos nesta quinta-feira, dia de agenda econômica carregada, no Brasil e no exterior. A soma das penas para alguns dos crimes supera 15 anos e deve elevar a pressão para que Lula vire ministro.  

 

Porém, a equipe Lula tem feito um prognóstico positivo sobre a ação da Operação Lava Jato. Para os apoiadores ao ex-presidente, se for preso, "vira herói"; se o matarem, "vira mártir" e, se o deixarem solto, "vira presidente de novo". Um veículo de comunicação afirmara que a frase havia sido dito por ele a interlocutores, mas, conforme explicou depois o próprio ex-presidente, a citação supostamente atribuída a ele é uma corrente que circula nas redes sociais - os chamados "memes" - desde o fim da semana passada.

 

Ao que tudo indica, Lula resiste em assumir um ministério no governo Dilma, mas para aliados, o ex-presidente precisaria de foro privilegiado, pois pode ter a prisão decretada em breve.  De qualquer forma, a notícia vindo do MP-SP deve ser favorável aos negócios locais.

 

É válido lembrar que, no dia da condução coercitiva de Lula pela Polícia Federal, a Bovespa saltou 4%, em meio às fortes compras por investidores estrangeiros, e o dólar encostou na faixa de R$ 3,70. Ontem, a moeda norte-americana fechou abaixo desse patamar, renovando o nível mais baixo do ano, em meio às apostas de saída da presidente Dilma Rousseff.  

 

Quem tomou posse e terá de devolver o cargo em breve é o mais novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, por ele ter cargo vitalício de procurador do Ministério Público da Bahia, não pode ocupar a Pasta. Ele tem prazo de até 20 dias após a publicação da ata do julgamento.   

 

Entre os indicadores desta quinta-feira, por aqui, as atenções se dividem entre a ata (8h30) da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi marcada pelo dissenso pela terceira vez consecutiva, e os números do comércio varejista em janeiro (9h).

 

Enquanto o documento do Banco Central deve trazer explicações do por que segurou a taxa Selic em 14,25% pela quinta vez, os dados do IBGE devem mostrar queda nas vendas pelo segundo mês consecutivo. Ambas as divulgações, somadas à desaceleração da inflação oficial no país em fevereiro, conforme apontou ontem o IPCA, tendem a aumentar as apostas de cortes nos juros básicos ainda neste ano – provavelmente em setembro.

 

Ainda internamente, às 8h, sai a primeira prévia de março do IGP-M, além de indicadores antecedentes sobre a safra agrícola (9h) e sobre o fluxo de veículos em estradas com pedágio (10h30). Lá fora, o foco está na decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), às 9h45.

 

Os investidores apostam no aumento do atual programa de estímulos monetários, diante dos dados fracos de inflação na região da moeda única e da lentidão na recuperação econômica. Contudo, o mercado não é unânime em relação às medidas que podem ser adotadas, podendo ser desde um novo corte na taxa de depósitos, que já está negativa, até um aumento no volume de compras de ativos, passando pela extensão dos financiamentos de longo prazo.

 

Às 10h30, o presidente do BCE, Mario Draghi, concede entrevista coletiva para explicar os motivos que levaram à decisão. Já nos Estados Unidos, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país (10h30) e o relatório Jolts sobre o emprego e o número de vagas disponíveis em janeiro (12h).

 

À espera desses eventos econômicos, os mercados internacionais exibem ganhos. As principais bolsas europeias exibem ligeira alta, no aguardo de uma decisão "sem limites" por parte do BCE, ao passo que os índices futuros das bolsas de Nova York estão no azul, a despeito das perdas no petróleo.

 

Na Ásia, a notícia de que a inflação ao consumidor na China (CPI) registrou a maior alta desde 2014 em fevereiro, em meio ao aumento nos preços dos alimentos por causa das festividades de ano novo, sugere que o país ainda tem espaço para afrouxo monetário. Afinal, o índice subiu 2,3% em base anual, mas segue abaixo do alvo de 3% definido pelo Banco Central chinês (PBoC), ao mesmo tempo que descarta os riscos de deflação.

 

Já os preços ao produtor (PPI) caíram 4,9%, no mesmo período, estendendo a sequência de quedas no atacado para o recorde de 48 meses. Ainda assim, a Bolsa de Xangai recuou 2,02%, ampliando o movimento de realização de lucros iniciado na véspera. Hong Kong teve leve baixa, enquanto Tóquio subiu 1,26%.

 

Nos mercados emergentes, destaque para o dólar neozelandês, que cai mais de 2% ante o xará norte-americano, após um inesperado corte na taxa básica de juros do país em 0,25 ponto porcentual, para 2,25%, promovido pelo BC local (RBNZ). O chamado "kiwi" caiu ao redor de 1,5% na última semana, liderando as perdas entre as moedas correlacionadas às commodities.

 

Já o BC da Coreia do Sul manteve o juro básico, o que abre espaço para uma recuperação do won, após dois dias seguidos de perdas. Os investidores mostram maior apetite por ativos mais arriscados, em meio à menor preocupação em relação aos preços do petróleo. A percepção é de que os ativos emergentes estão em bom ponto de compra e que as medidas que devem ser adotadas hoje pelo BCE são favoráveis à tomada de risco.  

 

 

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