China desequilibra no exterior e Brasil segue com a crise política

08.03.2016

 

Enquanto os mercados domésticos continuam apostando na saída da presidente Dilma Rousseff do cargo - embora tenham baixado a bola - os negócios internacionais repercutem os dados fracos da balança comercial chinesa em fevereiro, que foram afetados pelo feriado do ano novo lunar e que podem intensificar a correção dos ativos locais vista de modo tímido ontem. As exportações do país registraram a maior queda desde maio de 2009, de -25,4% em base anual e em termos dolarizados, enquanto as importações cederam pelo 16º mês, em -13,8%.

 

A previsão era de recuo menar nas vendas chinesas ao exterior, de -14,5%, ao passo que as compras externas deveriam recuar menos, em -12%. A abertura do dado mostra que os embarques para os parceiros comerciais Estados Unidos, Brasil, Canadá, Alemanha, França, Japão, entre outros, caíram em mais de 20%. Com isso, o superávit comercial chinês foi de US$ 32,6 bilhões. 

 

Em reação, a Bolsa de Xangai conseguiu apagar perdas de mais de 3% e fechar em ligeira alta de 0,14%, com especulações de compras por fundos estatais na hora final do pregão. Foi a sexta sessão seguida de valorização do índice Xangai Composto, na maior sequência desde julho. 

 

Mas o sinal negativo prevalece no exterior, com a demanda por metais preciosos e títulos soberanos mostrando a falta de confiança dos investidores na retomada dos preços de ações e commodities industriais que vigorou na última semana. Isso porque os dados da balança comercial na China mostram que mais estímulos ainda são necessários à segunda maior economia do mundo à medida que Pequim procura manter o crescimento, tendo o comércio internacional como um freio na expansão da atividade.

 

O petróleo e os metais básicos são atingidos em cheio pelos números chineses e recuam, sendo penalizados também pela contração de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão na taxa anualizada do último trimestre de 2015. A Bolsa de Tóquio caiu 0,76% e Hong Kong perdeu 0,73%.

 

Entre os mercados emergentes, as moedas perdem terreno para o dólar, com destaque para a queda dos dólares australiano e neozelandês, do won sul-coreano e do ran sul-africano. O iene japonês, por sua vez, é beneficiado pela busca por proteção, encontrada também no ouro e nas Treasuries.

 

Na Europa, as principais bolsas abriram em queda firme, relegando o salto da produção industrial alemã, que subiu 3,3% em janeiro ante dezembro, na maior alta em mais de seis anos (desde setembro de 2009). Foi também o primeiro resultado positivo da atividade em três meses.

 

Mas ainda assim, as praças europeias estão no vermelho, contaminadas pelo recuo dos índices futuros das bolsas de Nova York, com os investidores usando o menor apetite pelo risco como uma oportunidade para embolsar os ganhos recentes. Esse movimento vindo do exterior pode acentuar os ajustes na Bovespa e no dólar hoje, após os exageros recentes.

 

Afinal, o processo político que se instaurou no Brasil não deve ter um desfecho tão logo, oferecendo um terreno fértil às especulações no mercado doméstico, capitaneadas pelos investidores estrangeiros, que na mesma velocidade que vêm, vão. Mas os apoiadores dos protestos de domingo mostram que não estão dispostos em esperar até 2018, incitando um novo governo, dois anos antes do fim do mandato atual.

 

Se tiverem que esperar até lá, ao mesmo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seja candidato. Lula pode ser alvo de ação civil de improbidade administrativa na Operação Lava Jato, que tem como punição a proibição de disputar eleições.

 

Para Dilma Rousseff, o atual cenário político é um rescaldo da divisão que marcou o Brasil nas eleições presidenciais de 2014 e “a oposição tenta dividir o país sistematicamente”, tendo a seu favor os frágeis fundamentos econômicos, que tendem a elevar a tensão social. Assim, a presidente ou perde o apoio da base aliada do governo ou da população e entidades representativas.

 

Para qualquer um dos lados, o desfecho culminaria na saída dela do cargo máximo de autoridade do país, abrindo caminho para o vice Michel Temer assumir, enquanto a ação de impugnação da chapa vitoriosa no último pleito não é julgada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se não for assim, tem também a possibilidade via o Congresso Nacional, após a publicação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rito do impeachment.

 

O recurso apresentado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ainda precisa ser julgado para dar andamento ao pedido contra Dilma. Ele, aliás, segue firme na linha sucessória ao Palácio do Planalto, mas recebeu ontem à tarde a notificação sobre o prazo de dez dias úteis para se defender no Conselho de Ética foi recebida. Por sua vez, o STF abriu um terceiro inquérito contra Cunha na Lava Jato, para apurar propina em obra.

 

E a agenda econômica fraca do dia mantém as atenções locais em novas delações premiadas, que podem ser homologadas em breve, deixando os negócios à flor da pele. Internamente, sai apenas o IGP-DI de fevereiro, que deve desacelerar para a faixa de 1%, mas ganhar força no acumulado em 12 meses, subindo acima de 12%. O dado será conhecido às 8h, juntamente com a primeira leitura do IPC-S no mês.

 

No exterior, o calendário desta terça-feira está igualmente esvaziado e traz apenas, pela manhã, a leitura revisada do Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro no quarto trimestre de 2015. Os ministros de Finanças da região da moeda única reúnem-se hoje.

 

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