G-20 por água abaixo


Fevereiro chega ao fim apenas hoje, neste ano bissexto de 2016, e os investidores promovem ajustes negativos nos ativos, em meio ao fracasso nas negociações do G-20, que vai por água abaixo, abrindo caminho para o mês de março. Os líderes das 20 maiores economias do mundo firmaram apenas compromissos vagos para apoiar o crescimento global, relegando a necessidade de estabilizar os mercados financeiros e alimentar a demanda. Como resultado, as bolsas caem, o petróleo recua junto com o cobre e as moedas emergentes perdem terreno, ao passo que o iene e o ouro avançam.

A ausência de uma ação coordenada de estímulos por parte do G-20 deprimiu a Ásia, onde a Bolsa de Xangai caiu ao menor nível em um mês, após fechar em queda de 2,86%, ao passo que Tóquio perdeu 1% e Hong Kong cedeu 1,30%. Entre as moedas, o iene japonês encerrou o melhor mês desde 2008, ao passo que o yuan chinês caiu pelo sétimo dia e o dólar neozelandês se enfraquecia. Já o petróleo recua pelo segundo dia seguido, enquanto o cobre lidera as perdas entre os metais básicos.

No Ocidente, as principais bolsas europeias também abririam em queda, acompanhando o sinal negativo vindo da Ásia e chegando até Nova York logo cedo, após o G-20 decepcionar. Os ministros de Finanças concordaram apenas em usar as políticas monetária, fiscal e estrutural como ferramentas para apoiar o crescimento econômico e também reiteraram as promessas de conter desvalorizações de suas moedas.

Tanto que, em uma decisão inesperada, o Banco Central chinês (PBoC) reduziu a taxa de compulsório bancário hoje em 0,50 ponto porcentual, para 17% para os grandes bancos - ainda uma das maiores do mundo. A medida entra em vigor amanhã e intensifica os esforços de Pequim em amortecer a desaceleração econômica do país, bem como evitar uma nova onda vendedora (selloff) no mercado acionário local. Em 2015, o PBoC cortou essa mesma taxa quatro vezes.

Ainda assim, os investidores embolsam os lucros recentes e ajustam seus portfólios a uma menor exposição ao risco neste último dia do mês, antes de uma semana intensa em temos de divulgações econômicas. No exterior, as atenções estão concentradas no relatório oficial do mercado de trabalho nos Estados Unidos (payroll), na sexta-feira, mas já nesta noite, a China divulga indicadores de atividade em fevereiro.

Aliás, dados sobre os setores da indústria e de serviços medidos pelo índice dos gerentes de compras (PMI) nos EUA, zona do euro e no Brasil - além da China - recheiam o calendário ao longo desta semana. Na região da moeda única, outro ponto de relevo são os indicadores de preço, no atacado e no varejo, calibrando as apostas para a decisão do Banco Central Europeu (BCE), na semana que vem.

O dado sobre a inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro sai hoje cedo. Na quarta-feira, é a vez da inflação ao produtor (PPI). No mesmo dia, nos EUA, sai o Livro Bege do Federal Reserve, que também pode trazer pistas sobre a condução da política monetária norte-americana, juntamente com a criação de vagas no setor privado.

Mas o foco do país está nas eleições primárias em 12 Estados, amanhã, quando acontece a chamada “SuperTerça”, que deve definir Donald Trump contra Hillary Clinton no pleito de novembro. O viés da crise política também é determinante nos negócios locais, em meio a rumores de que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, deve deixar a Pasta, o que expõe a pressão do PT sobre o governo Dilma.

Hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se encontrar com a presidente Dilma Rousseff, após participar da festa de aniversário de 36 anos do PT, onde ele afirmou que o partido "não pode virar as costas" a Dilma. Lula comparou a relação entre Dilma e PT como a de um casal inseparável e afirmou que o partido tem assumir a responsabilidade de apoiá-la.

O encontro não consta na agenda oficial da presidente. Ela tem apenas reunião com o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, às 9h30. Já o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, desloca-se de volta ao Brasil, assim como o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Internamente, a agenda doméstica nem está tão carregada, mas é repleta de indicadores e eventos econômicos de peso. A começar pela decisão de política monetária, a ser anunciada pelo Copom, na quarta-feira à noite. O mercado financeiro é unânime em acreditar que o juro básico será mantido no nível atual de 14,25% ao ano, pela quinta vez seguida. Ainda assim, trata-se do maior nível da taxa Selic desde agosto de 2006.

Um dia depois, na quinta-feira, será conhecido o número efetivo sobre a queda da economia brasileira em 2015, que deve girar em torno de 4%. Apenas no quarto trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve ter mantido o ritmo de contração e recuado 1,5%, de -1,7% no período imediatamente anterior.

Se confirmado, será o quarto trimestre consecutivo de taxa negativa do PIB, em base trimestral. Já na comparação com o quarto trimestre de 2014, o PIB deve cair pelo sétimo trimestre seguido, em -6,5%, acelerando a velocidade da queda, em base anual, após o recuo de 4,5% entre julho e setembro do ano passado.

No dia seguinte, na sexta-feira, tem ainda os números da produção industrial nacional em janeiro, além dos dados da Anfavea sobre a indústria automotiva. Hoje, sai apenas a pesquisa Focus, do Banco Central (8h30), já que o resultado de fevereiro da balança comercial será conhecido amanhã. Nos EUA, saem os índices regionais da indústria em Chicago (11h45) e em Dallas (12h30), além das vendas pendentes de imóveis (12h).

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