Trump oferece nova dose de volatilidade


A semana começa com mais uma dose de volatilidade no mercado financeiro oferecida pelo presidente Donald Trump. Se na última sexta-feira, o tom de ameaça contra a China abalou os negócios, hoje os investidores reagem à assinatura de uma série de medidas paliativas, de olho no eleitorado atingido pela pandemia, enquanto o número de casos de coronavírus nos Estados Unidos supera a marca de 5 milhões.


Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta, reagindo à decisão do chefe da Casa Branca de estender unilateralmente os benefícios aos desempregados. As principais bolsas europeias também avançam, após uma sessão mista na Ásia, onde Tóquio (-0,4%) e Hong Kong (-0,7%) caíram, mas Xangai subiu (+0,8%), reagindo à aceleração da inflação ao consumidor e à deflação menor ao produtor na China em julho.


Nos demais mercados, o dólar está estável em relação às moedas rivais, o que favorece o avanço do petróleo. O ouro oscila ao redor da marca de US$ 2 mil a onça-troy, assim como o rendimento do título norte-americano de 10 anos (T-note), que segue abaixo de 0,6%. Ou seja, os ativos negociados no exterior sinalizam uma queda do prêmio de risco após Trump assinar quatro ordens executivas e alguns memorandos visando a reeleição em novembro.


Mas a “canetada” do presidente dos EUA no último sábado pode falhar tanto em oferecer alívio adicional à economia norte-americana quanto no avanço das negociações no Congresso. Líderes democratas apontaram para a inviabilidade e a ilegalidade das ordens assinadas pelo Executivo, sendo que até legisladores republicanos chamaram os memorandos de “desleixo inconstitucional”.


Entre as medidas, está o auxílio-semanal de US$ 400 a dezenas de milhões de cidadãos que ficaram desempregados por causa dos impactos causados pela covid-19. Porém, além de o valor ser inferior aos US$ 600 semanais que expiraram recentemente, cabe ao Congresso dos EUA definir sobre os gastos federais, tornando a medida inócua em poucas semanas. Outra ação de Trump adia o imposto sobre a folha de pagamentos para salários até US$ 8 mil, mas sem mudar a lei tributária.


Morde-assopra


Há quem diga que a decisão de Trump faz parte da estratégia “morde-assopra”, de modo a mobilizar republicanos e democratas para voltarem à mesa de negociações, forçando a aprovação de um novo pacote fiscal de mais de US$ 1 trilhão no Congresso. Afinal, se não houver um acordo entre os legisladores, as medidas adotadas pelo presidente podem durar pouco tempo - o que evidencia a intenção de angariar capital político.


A mesma tática estaria sendo adotada em relação à China. O mais recente alvo foram os aplicativos TikTok e WeChat, que podem ser banidos dos EUA em menos de 45 dias, a não ser que as operações de ambos - de origem chinesa - sejam vendidas a empresas norte-americanas. Mas a intenção abre um precedente perigoso. Pequim anunciou nesta manhã sanções contra 11 cidadãos norte-americanos, incluindo os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, em retaliação às restrições impostas contra autoridades em Hong Kong.


A ver, então, qual será o impacto no mercado doméstico hoje, após a bolsa e o dólar se descolarem do exterior nos primeiros dias de agosto, diante do acúmulo de riscos locais. O comportamento do Ibovespa na semana passada, que neutralizava no dia seguinte o desempenho do dia anterior, e o salto do dólar para o maior nível desde o fim de junho dão uma dimensão da maior busca por proteção, em tempos de juro real negativo por aqui.


Os investidores seguem no dilema entre o rombo das contas públicas e os impactos econômicos causados da pandemia de coronavírus. Aliás, o país alcançou as sombrias marcas de 3 milhões de casos e 100 mil mortes no fim de semana, com sinais de estabilização das infecções e óbitos em níveis elevados, o que tende a retardar a retomada da atividade e do emprego, de um lado, demandando mais ações do governo, de outro.


Semana tem ata do Copom e dados de atividade


E os dados de atividade no Brasil, na China, nos Estados Unidos e na zona do euro estão em destaque ao longo desta semana. Os números sobre o desempenho dos setores industrial e de serviços, além das vendas no varejo, devem lançar luz sobre o ritmo da atividade global em meio à reabertura econômica após as medidas de isolamento social.


Apesar da sensação de que o pior já ficou para trás, ainda não se sabe se a recuperação da economia seguirá seu curso no horizonte à frente. A retomada rápida e acentuada pode perder tração nos próximos meses, à medida que os números de infecções e óbitos por covid-19 se proliferam e o total de pessoas sem emprego e sem renda se avolumam.


Portanto, esses indicadores de atividade devem ser olhados pelo retrovisor...


Já a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), que sai amanhã, pode trazer pistas sobre os próximos passos, depois que o Banco Central deixou uma fresta para um ajuste “pequeno” na taxa básica de juros em setembro. Se não houver corte adicional, condicionado a vários fatores, a Selic fica onde está por um bom tempo.


Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

*Horários de Brasília

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais publicações do dia no Brasil, a saber, o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h25), e os dados da balança comercial neste início de agosto (15h), além da primeira prévia deste mês do IGP-M (8h). O calendário está mais fraco no exterior, trazendo apenas o relatório Jolts sobre as contratações e demissões nos EUA em junho (11h).


Terça-feira: A ata da reunião da semana passada do Copom é o destaque do dia. Dados regionais da produção industrial brasileira e uma nova estimativa da safra agrícola neste ano também serão conhecidos hoje. Lá fora, saem o índice de preços ao produtor norte-americano (PPI) e o índice ZEW de sentimento econômicos na zona do euro.


Quarta-feira: O desempenho das vendas do varejo em junho concentra as atenções no Brasil, enquanto no exterior o foco estará no índice de preços ao consumidor nos EUA (CPI) em julho. Na Europa, saem os dados sobre a atividade industrial na zona do euro em junho e a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no trimestre passado.


Quinta-feira: Mais um indicador de atividade, desta vez, sobre o setor de serviços é destaque na agenda doméstica hoje. Já no calendário externo, destaque apenas para os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA. No fim do dia, saem dados sobre a atividade industrial e no setor de serviços na China em julho, além dos investimentos em ativos fixos e dos preços de imóveis novos.


Sexta-feira: A semana chega ao fim trazendo a divulgação do IBC-Br e do IGP-10, no Brasil, enquanto nos EUA saem os dados de julho da produção industrial e das vendas no varejo, além da leitura preliminar deste mês sobre a confiança do consumidor norte-americano, números sobre o custo da mão de obra e a produtividade e os estoques no atacado em junho. Na zona do euro, será divulgada a estimativa do PIB no segundo trimestre deste ano.

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