Riscos e cautela no fim do mês



A semana chega ao fim marcando também o último pregão de outubro, sendo que aqui no Brasil a sessão antecede ainda o feriado prolongado até a próxima segunda-feira. Por tudo isso, a sexta-feira promete ser agitada, com os investidores promovendo os ajustes finais do mês, cientes de que na volta dos negócios já será o dia da eleição nos Estados Unidos.


Portanto, a cautela também tende a prevalecer. Ainda mais considerando-se as incertezas no radar, tanto no Brasil quanto no exterior. Aqui, o mercado financeiro desafiou o tom suave (“dovish”) do Banco Central ao final da reunião de política monetária, pondo em dúvida o cenário traçado de choque “temporário” na inflação e manutenção do regime fiscal.


Até porque os ruídos políticos vindos de Brasília se avolumam, em meio à troca de farpas entre integrantes do governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o “fogo-amigo” do ministro Paulo Guedes (Economia) a entidades ligadas aos bancos. Com isso, a indefinição sobre o “teto dos gastos” e o Orçamento de 2021 persiste.


Tampouco se sabe algo sobre o novo programa social do governo. A proposta de substituir o Bolsa Família ganhou apelo após o aumento da popularidade com o auxílio-emergencial e deve ser o trunfo para as eleições de 2022, ainda mais com o presidente Jair Bolsonaro tentando ser populista, mas acumulando gafes, e após o armistício na esquerda entre Lula e Ciro.


Techs pesadas


Lá fora, o novo ciclo da pandemia que fecha a Europa mais uma vez e ameaça o outro lado do Atlântico Norte trouxe um fator de risco ao cenário de recuperação econômica global sob a forma de “V”. Mas a maior interrogação refere-se à disputa pela Casa Branca, com Donald Trump podendo ser o primeiro presidente não reeleito desde Bush pai, em 1992.


Hoje, porém, é a decepção com o balanços das big techs que pesa em Nova York, imprimindo perdas de mais de 1% nos índices futuros e apontando para uma sessão negativa. Amazon, Apple, Facebook e Alphabet reportaram, todas, receita trimestral recorde, totalizando quase US$ 5,3 trilhões. Juntas, o lucro superou US$ 38 bilhões.


Apesar de os números saltarem aos olhos, as expectativas dos investidores para os próximos trimestres eram ainda maiores. Mas não agradaram a perspectiva nervosa do Facebook, a falta de previsão da Apple e a projeção exagerada da Amazon em gastos com a covid-19. No after-hours, as ações dessas empresas caíam.


O desempenho negativo em Wall Street prejudica a abertura do pregão europeu, onde os mercados estão mais vulneráveis a mais notícias ruins sobre a segunda onda de contágio de coronavírus. Dados de peso sobre a economia da zona do euro saem logo cedo e podem reforçar a chance de estímulos adicionais em dezembro, sinalizadas pelo BCE.


Já na Ásia, o dia foi de quedas expressivas, lideradas por Hong Kong, que caiu quase 2%, e seguidas por Tóquio e Xangai, com -1,5%, cada. Ao mesmo tempo em que mostram-se consternados com a ausência de estímulos no Ocidente, os investidores digerem a estratégia da China para se tornar uma “grande nação socialista moderna” em 15 anos.


Nos demais mercados, o barril do petróleo tipos WTI e Brent segue cotado abaixo de US$ 40, em meio às preocupações com a demanda por causa da volta das restrições aos negócios, ao passo que o dólar mede forças em relação às moedas rivais e o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está acima de 0,8%.


Agenda segue cheia


A agenda econômica está repleta de destaques hoje. No Brasil, saem os dados atualizados até agosto sobre o mercado de trabalho (9h) e a expectativa é de que a taxa de desocupação renove o recorde da série, indo a 14,2%, depois de encerrar o período anterior em 13,8%.


O número deve refletir o piso histórico da população ocupada, somando pouco mais de 80 milhões. Ainda no mesmo horário, sai a inflação ao produtor (IPP) em setembro, que deve mostrar a pressão vinda dos preços no atacado. Depois, às 9h30, o Banco Central publica a nota com os dados sobre o resultado primário do setor público no mês passado.


Já no exterior, destaque para os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo nos EUA em setembro (9h30). A agenda econômica norte-americana traz também o índice de atividade em Chicago neste mês (10h45) e a leitura final de outubro da confiança do consumidor (11h).


Logo cedo, na zona do euro, serão conhecidas as leituras preliminares da inflação ao consumidor (CPI) neste mês e do Produto Interno Bruto (PIB) da região no terceiro trimestre deste ano, além da taxa de desemprego. No fim do dia, a China informa a leitura prévia de outubro sobre a atividade nos setores industrial e de serviços.

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