Preocupação com impacto do vírus ainda pesa nos mercados


O mercado financeiro tenta deixar de lado as preocupações sobre o coronavírus, apoiando-se em dados robustos dos Estados Unidos para manter certo equilíbrio nos ativos de risco. Mas, aos poucos, os negócios na China vão retomando as atividades, com as comemorações do Ano Novo Lunar chegando ao fim, e mantendo a pressão nos negócios.


Um dia após a Bolsa de Hong Kong voltar às operações em forte queda, hoje foi a vez de Taiwan retornar com perdas aceleradas (-5,75%), penalizada pela queda de quase 10% nas ações da FoxConn. Esse desempenho contaminou as bolsas não apenas na Ásia, mas afeta também o início do pregão na Europa e sinaliza um dia de perdas em Wall Street.


As crescentes evidências de que o surto de coronavírus está prejudicando a economia chinesa preocupam os investidores. Os alertas de várias empresas estrangeiras, que suspenderam as operações na China por causa da doença, e a redução da previsão de crescimento neste ano coloca em xeque a frágil recuperação econômica global.


Com isso, a busca por proteção em ativos seguros volta a ganhar força. O rendimento (yield) dos títulos norte-americanos de 10 anos (T-note) caiu ao nível mais baixo desde outubro, na faixa de 1,5%, enquanto o ouro avança. Já o dólar segue firme, com o yuan chinês (renminbi) voltando à marca de 7 por dólar, e o petróleo cai quase 2%.


Nas bolsas, a de Hong Kong teve mais um dia de baixa de quase 3%, ao passo que Tóquio e Seul recuaram 1,7%, cada. As perdas na Malásia e em Sydney foram mais moderadas, de -0,3%. No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York estão em queda firme, ao redor de -0,7%, o que pressiona a abertura do pregão europeu.


Os investidores também digerem ainda as declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ontem, de que a economia dos Estados Unidos está em boa forma, mas que a autoridade monetária está monitorando a gravidade do coronavírus e o potencial da doença para perturbar a economia global.


O número de mortes confirmadas na China é de 170, com 7.736 casos confirmados. A maioria das vítimas está na província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, epicentro do surto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza hoje uma nova reunião para analisar se será declarada situação de emergência global.


Cuidado com a bolha


O mercado financeiro está tentando se esquivar dos problemas que emanam na economia real, acreditando que sempre poderá contar com o apoio dos bancos centrais. Mas Powell tratou de alertar ontem que não apenas a epidemia de coronavírus na China introduz um novo fator de “incerteza” às perspectivas globais como também avalia que a valorização dos ativos de risco está “um pouco elevada”.


A fala de Powell enfraqueceu as bolsas de Nova York ontem, que acabaram encerrando no zero a zero, e ecoou declarações de alguns gestores brasileiros. Durante evento promovido por um banco estrangeiro em São Paulo, alguns veteranos do mercado financeiro disseram estar preocupados com a formação de uma bolha na Bolsa, afirmando que as ações das empresas nacionais estão caras - deixando de fora bancos, frigoríficos, Petrobras e Vale.


Esses alertas servem para esquentar o debate sobre o quanto o mercado financeiro está sendo sustentado por uma liquidez artificial, após uma série de rodadas de estímulos monetários lançadas pelos bancos centrais globais, e o quanto os ativos estão de fato representando (e antecipando) o cenário econômico global. Ao que tudo indica, prevalece o interesse em garantir um retorno atraente em uma era de juros negativos pelo mundo.


Mas, talvez, há exageros em tudo isso. Nem os ativos estão tão valorizados, nem a economia corre tanto riscos, e o que se vê à frente é a atividade econômica global ganhando tração, sem solavancos, seja por causa do surto de uma doença fatal na China ou de pendências na negociação comercial entre as duas maiores economias do mundo. Além disso, os bancos centrais podem manter uma postura suave (“dovish”). A conferir...


Agenda em destaque


Por isso, merece atenção hoje os dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ao final de 2019. A previsão é de crescimento de 1,9% nos últimos três meses do ano passado, desacelerando-se levemente em relação à alta de 2,1% no trimestre anterior.


Os números efetivos serão conhecidos às 10h30. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA. Antes (9h), na Europa, será conhecida a última decisão de juros do Banco Central do Reino Unido (BoE) antes do Brexit. Já a zona do euro divulga logo cedo a taxa de desemprego e a confiança do consumidor em janeiro.


No fim do dia, são esperados dados sobre a atividade nos setores industrial e de serviços na China neste mês. Já no Brasil, a FGV informa às 8h o IGP-M e também o índice de confiança no setor de serviços, ambos referentes a este mês. Também são esperados os dados do Tesouro sobre as contas públicas em dezembro (10h).


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