Mercados em colapso


A volta do feriado no Brasil deve ser marcada por um ajuste negativo no mercado financeiro doméstico, após mais um dia de queda livre do petróleo (contrato de junho) e de perdas ao redor de 3% das bolsas de Nova York ontem. Mas essa turbulência sofrida pelos ativos de risco no exterior é interrompida hoje, o que pode reduzir a pressão sobre os negócios locais, que seguem envolvidos com a escalada da crise política em Brasília.


Wall Street registrou ontem a maior queda em três semanas, relegando o acordo bilionário alcançado entre a Casa Branca e líderes do Congresso sobre novos gastos, em meio à nova onda de aversão ao risco provocada pelo petróleo. O contrato mais negociado do tipo WTI, com vencimento em junho, caiu mais de 40% na terça-feira, encerrando ao redor de US$ 11,50, enquanto o contrato de maio expirou ontem com alta de 124%, a US$ 9.


Um dia antes, esse mesmo vencimento encerrou em território negativo pela primeira vez na história, no movimento mais surreal do mercado financeiro global dos anos 2000. E tal comportamento evidenciou a fragilidade dos ativos globais em tempos de pandemia, mostrando a incapacidade dos investidores de gerenciar o risco em meio ao colapso que se desenha para a economia mundial, principalmente em relação às cadeias produtivas.


A percepção é de que o derretimento nos preços do petróleo pode significar que o impacto do coronavírus na economia global será muito pior que o esperado pelos investidores, que já içaram os principais índices acionários norte-americano (S&P) e brasileiro (Ibovespa) em quase 30% desde que o fundo do poço foi atingido, em março.


Portanto, é a profundidade da recessão que ainda preocupa e especialistas se deparam com uma “sopa de letrinhas” - “V”, “W”, “L” ou “U” - para tentar decifrar como será a retomada da atividade econômica mundial em um cenário pós-coronavírus. Mas também sem descartar a possibilidade de uma depressão profunda. Ou seja, a letra “D”.


Fôlego curto


Nesta manhã, os mercados globais respiram fundo e tentam se segurar para não sofrer um novo abalo profundo. Mas o colapso histórico nos preços do petróleo afeta o sentimento já fragilizado dos investidores e qualquer tentativa de melhora pode ter fôlego curto, ainda que a situação atual reforce uma onda deflacionista e o cenário de juros negativos no mundo - inclusive aqui no Brasil, onde o Banco Central dá sinais de que irá cortar mais a Selic.


Lá fora, o rendimento (yield) dos títulos soberanos norte-americanos (Treasuries) volta a patamares vistos pela última vez no mês passado, abaixo de 0,60%. Na Europa, o rendimento dos bônus britânico (Gilt) e alemão (Bund) também está no nível mais baixo em semanas. O dólar, por sua vez, é cotado no maior valor desde o início do mês.


Nas bolsas, a sessão na Ásia foi mista, com altas em Xangai (+0,6%) e em Hong Kong (+0,4%), mas queda em Tóquio (-0,7%), com os preços do petróleo continuando em queda. O barril do tipo Brent, que é referência internacional, é negociado em níveis vistos pela última vez em 1999, na faixa de US$ 17.


Já o WTI alterna altas e baixas nesta manhã, à espera dos dados semanais sobre os estoques de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos (11h30). O cobre cai e o ouro sobe. Ainda assim, as principais bolsas europeias iniciaram o pregão em alta, amparadas pelo sinal igualmente positivo apontado pelos índices futuros das bolsas de Nova York.


A temporada de balanços nos EUA traz mais volatilidade. A forte queda no lucro das empresas por causa da Covid-19 têm sido acompanhadas de uma previsão (guidance) sombria para o restante do ano. Ainda assim, as ações da Netflix reagiram em alta ao aumento recorde no número de assinantes, de 15,8 milhões, durante a quarentena.


Esse comportamento no exterior hoje deve aliviar a pressão nos negócios locais, que ainda têm um ajuste negativo a fazer em relação ao dia de ontem. Aqui, os investidores também monitoram a maior beligerância entre Congresso e Judiciário, de um lado, e o Executivo, de outro, apesar de a ala militar do governo negar qualquer risco de ruptura democrática.


Dia de agenda fraca


A agenda doméstica segue fraca, trazendo apenas os dados sobre a entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial) até o fim da semana passada (14h30). No exterior, saem dados do setor imobiliário nos EUA e a prévia deste mês da confiança do consumidor na zona do euro, ambos às 11h, além dos estoques de petróleo no país, já mencionado.




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