Mercado tenta retomar tendência de alta


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O mercado financeiro tenta se desvencilhar da tensão entre Estados Unidos e Irã, após a retórica menos beligerante dos dois países. Os investidores, que já haviam percebido que o ataque norte-americano e a retaliação iraniana não eram motivos para engatar uma forte realização de lucros, tentam, agora, resgatar a tendência de alta (bull market) dos ativos de risco.


Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no azul, depois de uma sessão de fortes ganhos na Ásia, onde Tóquio liderou as altas (+2,3%). Xangai subiu 0,9%, após dados mostrarem que a inflação ao consumidor e ao produtor chinês ficou estável em dezembro. As principais bolsas europeias também caminham para uma abertura no positivo. Ainda assim, os negócios mostram certa cautela, após dois foguetes caírem perto da embaixada dos EUA em Bagdá.


Ao mesmo tempo, os ativos seguros, como o iene, o ouro e os títulos norte-americanos (Treasuries), perdem terreno, com os investidores apostando que um conflito militar no Oriente Médio deve ser evitado. O dólar recua relação ao euro, a libra e também ao xará australiano. Já petróleo oscila em alta, mas o barril do tipo WTI segue abaixo de US$ 60.


Esse comportamento no exterior deve favorecer os mercados domésticos hoje. Ontem, o Ibovespa fechou em queda pela quarta sessão seguida, enquanto o dólar encerrou cotado em R$ 4,05. A moeda norte-americana é negociada acima de R$ 4,00 desde agosto, refletindo a saída recorde de mais de US$ 60 bilhões do país pela conta financeira.


Porém, em três dias de pregão em 2020 da Bolsa brasileira, o saldo líquido de recursos estrangeiros na renda variável está positivo em pouco mais de R$ 250 milhões. A ver, então, se os “gringos” mudam a direção do capital externo neste ano e intensificam os aportes nas transações no mercado de capitais e nas empresas nacionais.


Guerra, só comercial


O foco dos mercados se volta, agora, para a guerra comercial. A China anunciou que o vice-primeiro-ministro, Liu He, viaja para Washington na próxima semana, entre os dias 13 e 15 de janeiro, para assinar a primeira fase do acordo firmado com os EUA. O anúncio sela o compromisso de Pequim com a cerimônia de assinatura que havia sido antecipada pelo presidente Donald Trump e que ainda não tinha a confirmação do lado chinês.


Mas o cenário no Oriente Médio segue indefinido. E, quanto mais prolongada for essa indefinição, maior pode ser o impacto na atividade econômica, enfraquecendo os sinais de retomada e minando o otimismo com a economia global em 2020. A dúvida ainda parece ser se haverá (ou não) um conflito entre EUA e Irã - e seus aliados - no futuro próximo.


Afinal, tanto o ataque quanto o contra-ataque foram cirúrgicos e envolvem estratégias que correm em segredo. Por enquanto, a impressão do mercado financeiro é de que há muito jogo de cena, de ambos os lados. Mas como tudo que envolve Oriente Médio é potencialmente explosivo, a volatilidade deve continuar reinando.


Falando de Brasil


Com a tensão geopolítica no exterior dominando a cena, o noticiário doméstico ficou relegado. Mas a ausência de novidades também é típica neste início de ano, em meio ao recesso dos poderes Legislativo e Judiciário. A expectativa dos investidores é pela volta aos trabalhos no Congresso, no mês que vem.


Em ano de eleições municipais, deputados e senadores têm pouco tempo para aprovar novas reformas, tidas como essenciais para o ajuste fiscal do país. Com o pleito previsto para outubro, dificilmente os parlamentares irão apoiar propostas tidas como impopulares, como aquelas que mexem com o bolso da população e com o funcionalismo público.


Com isso, as PECs do programa Mais Brasil (Emergencial, Pacto Federativo e dos Fundos Públicos) podem sofrer resistência. Da mesma forma, qualquer proposta da reforma tributária que se baseia na criação de novos impostos - como a “CPMF digital”, sugerida pelo ministro Paulo Guedes (Economia) - deve ficar sujeita à contestação.


É bom lembrar que, como sempre ocorre no Brasil, o ano só começa depois do carnaval. E o carnaval neste ano será na última semana de fevereiro - portanto, os dois primeiros meses de 2020 serão perdidos. Daí, então, que o Congresso terá até, no máximo, uns seis meses, para aprovar medidas capazes de impulsionar o crescimento econômico do país.


Indústria nacional em destaque


Aliás, o desempenho da indústria brasileira em novembro é o destaque da agenda econômica do dia. Mas os números não devem ser positivos. A expectativa é de queda da produção industrial nas duas bases de comparação, de -0,7%, cada, interrompendo uma sequência de resultados positivos que vinha sendo apurados, ao menos, desde agosto.


Os dados efetivos serão conhecidos às 9h. Trata-se do único indicador doméstico previsto para esta quinta-feira. No exterior, o calendário econômico também está mais fraco, trazendo apenas os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos (10h30). Logo cedo, sai a taxa de desemprego na zona do euro em novembro.





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