Mercado pondera riscos políticos e alívio externo


O mercado financeiro doméstico tentou passar ao largo dos riscos políticos que envolvem a prisão de Fabrício Queiroz, homem de confiança da família Bolsonaro, mas a proximidade do fim de semana, que pode trazer desdobramentos do caso, tende a elevar a postura defensiva dos investidores, pressionado o dólar para além de R$ 5,40. O vencimento quádruplo (quadruple witching) em Nova York traz uma dose extra de volatilidade no dia.


Mas a expiração simultânea de opções de ações e índices futuros negociados em Wall Street combinada com os temores em relação a uma segunda onda de contágio de coronavírus pelo mundo e as dúvidas quanto a uma rápida recuperação econômica nos Estados Unidos não impedem uma sinalização positiva para o dia. Os índices futuros em Nova York têm alta firme, impulsionando as bolsas europeias, após ganhos na Ásia.


Os negócios são beneficiados pela notícia de que a China vai acelerar a compra de produtos agrícolas dos EUA - como soja, milho e etanol - cumprindo, assim, a primeira fase do acordo comercial firmado entre os dois países no início deste ano. O compromisso teria sido selado durante encontro entre o secretário de Estado Michael Pompeo e o membro do Partido Comunista Chinês (PCCh) Yang Jiechi, no Hawaii nesta semana.


Pequim se comprometeu em comprar US$ 36,5 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos no âmbito da primeira fase do acordo comercial, mas importou apenas US$ 4,65 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano, o que representa apenas 13% da meta estabelecida. Por isso, logo após a notícia os mercados internacionais respiraram aliviados, diante dos sinais de arrefecimento da tensão entre EUA e China, que vinha em uma escalada, com retóricas indo desde a origem do coronavírus até a nova lei de segurança em Hong Kong.


E o Queiroz?


A ver, então, se a Bolsa brasileira continuará driblando a prisão de Queiroz e irá se escorar no renovado apetite por risco no exterior, tentando emplacar três dias consecutivos de valorização. Ontem, o Ibovespa fechou acima dos 96 mil pontos, favorecido também pela porta aberta deixa pelo Banco Central para novas cortes na Selic, o que empinou a curva a termo de juros futuros, incorporando prêmios de risco.


Por esses mesmos motivos domésticos, o dólar cravou a sétima alta seguida e zerou a queda acumulada no mês, fechando no maior nível desde 1º de junho, próximo à faixa de R$ 5,40. É válido lembrar que há algumas semanas, a moeda norte-americana chegou a ser cotada abaixo de R$ 5,00.


Por aqui, os investidores devem seguir atentos ao noticiário envolvendo Queiroz. O amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro foi preso ontem no interior de São Paulo, em um imóvel que pertence ao advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. O ex-assessor do então deputado estadual, e atual senador, Flávio Bolsonaro, é investigado pela participação em um suposto esquema de “rachadinhas” na Assembleia do Rio de Janeiro, no qual servidores de menor escalão davam parte do próprio salário, em troca de cargo.


O risco político em jogo é de esse enrosco com a família Bolsonaro interferir nas tratativas do Executivo com o Congresso Nacional, em um momento em que o ministro Paulo Guedes (Economia) tenta acelerar o andamento das famigeradas reformas econômicas nos próximos meses, em tempos de pandemia. Trata-se, portanto, de um componente a mais para a já atribulada rotina do Palácio do Planalto, que vive colecionando crises.


Agenda perde força


A agenda econômica desta sexta-feira está esvaziada, em termos de indicadores econômicos relevantes no Brasil e no exterior, e traz como destaque, novamente, a participação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em um evento. Desta vez, ele participa de um seminário organizado pela regional de Cleveland do Fed, a partir das 14h.


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