Mercado cumpre tabela na reta final do ano


Liquidez reduzida marca pregão e exterior dita rumo do mercado, com acordo nos EUA e clima de suspense em Brasília no foco, em meio ao ressurgimento do coronavírus


O mercado financeiro deve apenas cumprir tabela nas próximas duas semanas, que devem ser marcadas por uma liquidez reduzida, típica dessa época de fim de ano. Com a cena política em foco, a boa notícia fica com o acordo bipartidário sobre um pacote fiscal de US$ 900 bilhões nos Estados Unidos, que será votado hoje. Já em Brasília, segue o suspense, em meio à queda-de-braço entre Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro.

A decisão da oposição de anunciar apoio ao bloco do presidente da Câmara na disputa pelo comando da Casa, em fevereiro, cria dificuldades à candidatura de Arthur Lira, que lidera o maior bloco, com 137 parlamentares. Juntos, PT, PCdoB, PSB e PDT têm 122 deputados e se aliaram a outros sete partidos do bloco de Maia para enfrentar o candidato que tem o respaldo do Palácio do Planalto. Os mais cotados são Baleia Rossi e Aguinaldo Ribeiro.

Ainda por lá, o negacionismo de Bolsonaro à pandemia vai de encontro ao discurso da equipe econômica, que agora defende a vacinação em massa para garantir a recuperação da atividade, à medida que o saque da última parcela do auxílio emergencial vai chegando ao fim e os casos diários da covid-19 registram a maior média em sete dias desde o início da contagem pela imprensa. Campos Neto e Paulo Guedes não têm medo de “virar jacaré”.

Ainda assim, os negócios locais com dólar e na Bolsa podem trazer forte emoção nos próximos dias, com os investidores buscando marcas importantes. O Ibovespa flertou por duas vezes com o nível dos 119 mil pontos ao final da semana passada, zerando as perdas acumuladas no ano, e segue colado a esse patamar, já de olho na faixa histórica dos 120 mil pontos. A Bolsa brasileira terá apenas três pregões nesta semana para tentar buscar essa marca e o movimento vai depender do apetite dos investidores estrangeiros.

Depois de colocarem o montante recorde de mais de R$ 30 bilhões na renda variável doméstica somente no mês passado, os “gringos” já injetaram R$ 11,5 bilhões na Bolsa (mercado secundário) só na primeira metade de dezembro, que ainda não registrou saída diária de capital externo. O saldo dessa conta no acumulado do ano está negativo em quase R$ 40 bilhões - praticamente a metade do observado no período até outubro.

Talvez por isso o real ainda não tenha conseguido furar a faixa de R$ 5,00 por dólar, com a moeda brasileira seguindo na liderança do ranking global de pior desempenho em 2020. Para quem não se lembra, o dólar iniciou o ano valendo R$ 4,00 (!) e registrou uma ascensão meteórica, batendo o recorde de R$ 5,90 em maio. E a expectativa é de que dificilmente o câmbio irá quebrar a barreira psicológica ao término do ano.

A realização de um leilão de venda da moeda estrangeira com compromisso de recompra (linha) pelo Banco Central na última sexta-feira deu a entender que está faltando dólares por aqui, apesar do fluxo abundante de recursos estrangeiros em direção ao Brasil. E essa pressão sobre a moeda norte-americana tende a continuar, em meio às remessas de fim de ano e aos ajustes da proteção exagerada (overhedge) feita pelos bancos.

Exterior dita o rumo

Mas como o movimento recente da Bolsa brasileira e do câmbio doméstico esteve fortemente atrelado ao ambiente externo, com a liquidez global fluindo em direção ao risco emergente, os negócios locais devem seguir reféns do cenário internacional. Beneficiados pela forte entrada de capital estrangeiro, os ativos por aqui esnobam os riscos fiscais, os ruídos políticos e toda a confusão em torno da vacina contra coronavírus.

Lá fora, o acordo entre republicanos e democratas do Congresso dos EUA para a votação ainda hoje de um novo pacote fiscal, anunciado ontem, não anima Wall Street. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leves baixas, sinalizando um clássico movimento de “sobe no boato, realiza no fato”, diante da expectativa de aprovação do socorro financeiro aos milhões de cidadãos desempregados no país.

O sobressalto da pandemia na Europa, com o Reino Unido identificando uma variação da cepa do novo coronavírus, levou vários países do continente a fecharem as fronteiras, suspendendo voos e conexões de trem ou navio com o país. Segundo o governo britânico, a mutação está “fora de controle” e é “altamente infecciosa”, responsável por 60% dos novos casos recentemente detectados. Mas a expectativa é de que a vacina contra covid-19 seja eficaz também sob essa nova variante.

Ainda assim, as principais bolsas europeias abriram no vermelho, após uma sessão de perdas na Ásia, com os temores de ressurgimento do coronavírus abalando o otimismo de que a imunização da população pode resultar em um fim rápido da pandemia. Nos demais mercados, o petróleo tem queda acelerada, de mais de 3% no WTI, afastando-se da faixa de US$ 50 por barril, enquanto o dólar se fortalece.

Já a agenda econômica tem poucos destaques. O ponto alto fica para amanhã, quando saem a prévia da inflação ao consumidor brasileiro (IPCA-15) e a última leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano. O índice de preços no varejo local deve seguir pressionado, desta vez, por causa da antecipação de reajustes na conta de luz e em atividades escolares.

Lá fora, a previsão é de que a economia norte-americana repita o dado anterior, de alta de 33,1%, porém com a retomada dando sinais de esgotamento, em meio à luta para controlar a covid-19. Na quinta-feira, as bolsas de Nova York funcionam sozinhas e param mais cedo, enquanto o feriado de Natal, no dia seguinte, fecha as principais praças no mundo.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

*Horários de Brasília

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais publicações do dia, a saber, o boletim Focus (8h25), do Banco Central, e dados parciais da balança comercial em dezembro (15h). No exterior, sai apenas o índice regional de atividade em Chicago (10h30).

Terça-feira: A agenda econômica ganha força e traz a prévia deste mês da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA-15) e a terceira e última leitura do PIB dos EUA no trimestre passado. Também serão conhecidos números do setor imobiliário norte-americano e sobre a confiança do consumidor brasileiro.

Quarta-feira: Índices de confiança da construção civil e do comércio estão em destaque no Brasil, juntamente com os dados do BC sobre o crédito e o fluxo cambial. Lá fora, merecem atenção os números sobre a renda pessoal e os gastos com consumo nos EUA, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país, que foram antecipados. Mais indicadores do setor imobiliário e da confiança do consumidor norte-americanos também são esperados.

Quinta-feira: A Bolsa brasileira permanece fechada nesta véspera de Natal, ao passo que o pregão em Nova York fecha mais cedo, às 15h. Também não haverá pregão na maioria das praças financeiras na Europa e na Ásia.

Sexta-feira: O feriado de Natal mantém a Bolsa brasileira fechada, juntamente com as praças norte-americanas, europeias e asiáticas.

*Aviso: desde 14/12/2020, A Bula do Mercado é publicada semanalmente, apenas às segundas-feiras. Em 11/01/2021, os textos voltam a ser diários.


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