Medidas de BCs e governos alimentam esperança no mercado


O mercado financeiro está confiante de que as medidas que vêm sendo adotadas pelos governos somadas aos esforços coordenados dos bancos centrais no combate à pandemia de coronavírus irão surtir efeito. Com isso, os investidores saem do modo pânico e já ensaiam uma recuperação global dos ativos de risco, acreditando que o pior já passou.


Esse sentimento sustenta o sinal positivo nas bolsas no exterior, com os índices futuros das bolsas de Nova York exibindo ganhos acelerados, de mais de 3%, o que favorece uma abertura no azul na Europa, após uma sessão de alta na Ásia. Já o dólar interrompe uma sequência de valorização frente às moedas rivais, beneficiando o petróleo, enquanto os bônus norte-americanos (Treasuries) avançam.


Tal comportamento dos mercados internacionais hoje deve ampliar o alívio dos negócios locais visto já ontem, com o Ibovespa podendo reaver a faixa dos 70 mil pontos. O dólar, por sua vez, seguiu acima de R$ 5,00 pelo quarto pregão consecutivo, apesar das intervenções do BC com leilões para oferecer liquidez e proteção (hedge) da moeda norte-americana.


Ou seja, os investidores voltam a se mover em direção ao risco, acreditando que os estímulos globais sem precedentes irão proteger a economia mundial de uma recessão severa causada pela pandemia de coronavírus. Porém, isso não significa que os ativos irão retornar para o ponto onde estavam, como se tudo já estivesse normal, pois a dúvida sobre quanto tempo irá durar a atual crise econômica ainda paira no ar.


Ainda é cedo


Afinal, o vírus continua rodando o mundo e a evolução da doença fora da China, com o surgimento de novos casos nos Estados Unidos e na Europa, mostra que o ponto de inflexão da curva de contágio ainda está longe - inclusive no Brasil - podendo até ficar endêmico em alguns lugares. Há ainda o risco de “casos importados” onde já não tem mais transmissão local, como é o caso do país asiático, que deve evitar o retorno da infecção.


Mas onde tudo começou a vida já pode voltar ao normal. O premiê chinês, Li Keqiang, disse em reunião de líderes que a maior parte da China é considerada de baixo risco e deve, portanto, voltar ao trabalho e retomar as atividades. Segundo ele, quaisquer barreiras ao fluxo de pessoas e bens nessas áreas devem ser removidas, concentrando as rígidas restrições a viajantes que chegam ao país.


Aqui no Brasil, o governo vai restringir a entrada de estrangeiros da Europa e da Ásia, enquanto a capital paulista restringe o comércio a partir de hoje. Medidas contra o contágio também causam impactos no Rio. E a Argentina entrou em quarentena total desde meia-noite. Na Califórnia, o governador pediu a todos para ficar em casa, enquanto o número de mortos na Itália já ultrapassou os da China.


Ou seja, o restante do mundo vive hoje o que a China sofreu três meses atrás e o êxito no combate à doença vai depender da eficácia do que é feito para conter a disseminação do vírus. Portanto, ainda é cedo para dizer que o mercado financeiro já chegou ao fundo do poço, pois sempre dá para cavar mais. O receio é de que os ativos ainda podem cair muito, antes de que o pico da pandemia seja alcançado. Ao mesmo tempo, os investidores devem chegar ao piso antes dos primeiros sinais de uma recuperação econômica.


Até lá, o mercado financeiro continuará tentando encontrar um ponto de equilíbrio, mas seguirá sujeito a sobressaltos. O comportamento errático das bolsas brasileira e em Nova York nesta semana mostra que a volatilidade segue vigente, com um dia de fortes perdas sendo seguido por um repique, com intensidade bem menor na alta.


Esses movimentos abruptos tendem a ser acalmados só quando (se) houver algum remédio e/ou vacina eficientes. Tanto que ontem a notícia de que a hidroxicloroquina, usada contra a malária, pode servir para tratar pacientes com o novo coronavírus alimentou esperanças entre os investidores.


Afinal, se tal essa medicação for mesmo efetiva, os ativos de risco também tendem a se “curar”, sob a proteção de uma liquidez adicional de trilhões de dólares em estímulos lançados, principalmente, pelo Federal Reserve e o Banco Central Europeu (BCE). Mas o otimismo de hoje pode virar o pessimismo de amanhã.


Semana termina com agenda fraca


A semana chega ao fim sem divulgações relevantes. No Brasil, sai apenas a prévia da confiança da indústria em março (8h). Já nos EUA, será conhecidos mais dados do setor imobiliário no mês passado (11h).


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