Cautela redobrada antes do fim de semana


A sexta-feira chegou, mas o mercado financeiro tem pouco para comemorar. A propagação do coronavírus nos Estados Unidos e na Europa abala os ativo de risco e a possibilidade de um salto no número de casos durante o fim de semana, já que a doença tem se espalhado rapidamente fora da China, deixa os investidores na defensiva hoje.


O dia, portanto, promete ser de mais turbulência nos negócios. Ou seja, o Ibovespa pode testar novamente a faixa dos 100 mil pontos, um dia após defender bravamente esse nível e ter um ligeiro repique até os 102 mil. Já o dólar, que não consegue sair da máxima histórica, pode ampliar a série de altas hoje, mesmo com a oferta de mais US$ 2 bilhões em leilão no mercado futuro.


Lá fora, Wall Street já se prepara para o cenário incerto que o surto de Covid-19 criou para os fins de semana. A probabilidade de haver mais más notícias amanhã e domingo torna a sexta-feira o dia mais assustador da semana para o mercado financeiro, que antevê um caos nos negócios na próxima segunda-feira.


Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York recuam, com a confiança dos investidores abalada, à medida que os casos confirmados e o total de mortes nos EUA continuam aumentando (e se espalhando pelo país), levantando dúvidas quanto os esforços da Casa Branca para conter o surto e ao efeito do corte emergencial do Federal Reserve nos juros.


Aliás, por ser a primeira sexta-feira do mês, hoje é dia de divulgação do relatório oficial sobre o emprego nos EUA (10h30). A previsão para o chamado payroll é de criação de 190 mil postos de trabalho em fevereiro, com a taxa de desemprego seguindo em 3,6%, ao passo que o ganho médio por hora deve manter o ritmo de alta, subindo a US$ 28,50.


Pandemia


Mas o resultado efetivo do payroll deve ter pouco impacto nos mercados. Os investidores estão mais preocupados com os números sobre o coronavírus, com o total de casos confirmados da doença no mundo já se aproximando dos 100 mil. A grande maioria ainda está concentrada na China, que soma 80,7 mil.


A Coreia do Sul é o segundo país com mais registros, totalizando 6,3 mil e 43 mortes, enquanto a Itália tem quase 4 mil, mas mais óbitos que o país asiático, somando 148. E a possibilidade de que novas infecções e mortes sejam relatadas inibe o apetite por ativos de risco no exterior, com o clima ainda sombrio nos negócios.


As principais bolsas europeias seguem o sinal negativo que prevalece em Nova York desde ontem, após uma sessão no vermelho na Ásia. O nervosismo com o coronavírus fez Tóquio, Hong Kong e Seul caírem mais de 2%, enquanto Xangai recuou 1%, com a sensação de que a vida deve voltar ao normal na China em breve.


As ações rápidas e severas adotadas pelo governo chinês, de modo a encurralar o coronavírus, começam a ser adotadas no mundo ocidental. Mas as restrições para combater a disseminação da doença conforme orientações da China, fechando escolas e empresas, cancelados eventos e paralisando fábricas deixam a sensação de que já é tarde.


Ao mesmo tempo, as renovadas preocupações quanto ao impacto do coronavírus na economia real e o risco de recessão global mantêm a busca por proteção em ativos seguros. O juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) foi a 0,81% pela primeira vez na história, enquanto o ouro sobe. Nas moedas, o franco suíço é destaque.


E agora, BC?


Por aqui, não é apenas a aversão ao risco no exterior que influencia os ativos locais. O fraco crescimento econômico doméstico, em meio à percepção de que a alta do PIB deste ano deve ser mais próxima a 1% do que a 2%, combinado com a escalada do dólar, diante da estratégia desordenada do Banco Central sobre o câmbio e a Selic, incomodam.


Afinal, de que adianta cortar a taxa de juros em direção a novos pisos, na casa dos 3%, se isso pode levar a uma escalada desenfreada da moeda norte-americana rumo aos R$ 5,00? Ainda mais porque o mandato do BC é apenas com o controle da inflação, o que torna dúbia qualquer justificativa de corte adicional no juro básico para estimular a atividade.


Se novas quedas na Selic for só para atender os anseios de instituições financeiras, a credibilidade do BC pode ser colocada em xeque. Isso em tempos de ruídos políticos em Brasília, com a força do ministro Paulo Guedes sendo testada, já que não consegue fechar os textos das reformas administrativa e tributária para enviar ao Congresso.


O ministro contrariou a própria equipe econômica ontem, após o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmar que “não é normal um país como o Brasil crescer 1% ao ano”. A polêmica mostra que enquanto uma alta está mais preocupada com o crescimento muito baixo, outra está mais focada em juros mais baixos.


E isso pode causar frustração em vários segmentos da sociedade, alertou Mansueto. Ainda mais com a renda média da população não acompanhando a inflação dos últimos anos. E com a mais recente desvalorização do real, o que era para ser desinflacionário e perdurar, pode, em breve, se tornar inflacionário.


Agenda fraca


Além do payroll, o calendário econômico norte-americano traz os dados da balança comercial (10h30), dos estoques no atacado (12h) e sobre a crédito ao consumidor (17h), todos referentes ao mês de janeiro. Já no Brasil e na zona do euro, a agenda do dia está sem destaques.


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