Câmbio, desligo


Enquanto o dólar escala inexoravelmente rumo aos R$ 4, observadores mais atentos já apontam mais ao alto, preparando-se à probabilidade de a moeda norte-americana bater os R$ 4,50 – e por que não R$ 5? – antes do fim do ano. Em termos de fundamentos, talvez a escalada já estivesse próxima do limite, mas as explicações para o alarmismo não faltam. Uma delas é o terror psicológico ao qual os principais agentes do mercado financeiro se dedicam em anos de eleição presidencial no Brasil. Se as pesquisas não apontam para aquele candidato ultraliberal endossado pelo mercado financeiro, investidores esperneiam até não poder mais. Esperar, num país desigual como o Brasil, que o eleitorado apoie sem nenhuma espécie de manipulação um candidato pró-mercado é ingenuidade, estupidez, má-fé ou um pouco de tudo isso junto e misturado.


Afinal, enquanto o mercado colhe os frutos, por exemplo, das privatizações das empresas de telefonia e eletricidade, é o cidadão comum que todo mês paga uma conta cada vez mais alta por um serviço precário.Talvez o eleitor saiba disso mais por intuição do que esclarecimento, mas sabe.


O que dizer então do que vem acontecendo com a Petrobras e as consequências da malfadada alteração em sua política de preços? À frente do Ministério de Minas e Energia em 2001, sob Fernando Henrique Cardoso, quando ocorreu o apagão elétrico no Brasil, Pedro Parente figura na presidência da Petrobras em meio ao corrente “apagão” na distribuição de combustíveis.


Apenas algumas semanas atrás, só a indicação de Parente foi capaz de acabar com a briga de foice pela presidência do conselho da combalida BRF. Será Parente capaz de de protagonizar um novo apagão, agora no setor de alimentos? 


Vai pedir música? Ou ele só apronta dessas à frente de empresas estatais?


Há outra explicação que a maioria finge não ver ou desmerece como paranoia, mas nem por isso é menos real: o mercado financeiro vai atrás do lucro onde ele estiver, quaisquer que sejam as consequências. E em tempos de Ibovespa começando a fazer bolha e juros oficiais em níveis mínimos históricos, onde é que o mercado financeiro vai ganhar dinheiro? Um doce para quem responder “câmbio”. E lá vamos nós estimular a indústria dos docinhos.

Câmbio, desligo.

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