Semana de feriados mantém dólar em foco

20.01.2020

 

A semana do mercado financeiro é marcada por feriados no exterior, a começar pelo Dia de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos hoje, que mantém as bolsas de Nova York fechadas. Na sexta-feira, a China inicia as celebrações do Ano Novo Lunar, com a chegada do Ano do Rato dando início a um novo ciclo de 12 anos no zodíaco chinês. 

 

Em meio a tantas pausas, os negócios locais devem se movimentar por conta própria, após a decepção com o ritmo da recuperação econômica brasileira na reta final de 2019 descolar o mercado doméstico do otimismo global. A grande questão continua sendo se a atividade ainda precisa de estímulos adicionais do Banco Central e como o dólar reagirá a isso.

 

A prévia de janeiro da inflação oficial ao consumidor brasileiro, que será conhecida na quinta-feira, deve calibrar as expectativas sobre o rumo da taxa básica de juros. O IPCA-15 é o último grande indicador nacional a ser divulgado antes da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano, logo no começo de fevereiro.

 

O comportamento da inflação neste início de 2020 será fundamental para verificar se há espaço para um novo corte na Selic, sem gerar pressão inflacionária. Se o IPCA-15 corroborar a chance de queda de 0,25 ponto porcentual (pp) no juro básico no mês que vem, pode haver uma renovada pressão de alta no dólar. 

 

A moeda norte-americana encerrou a semana passada colada à faixa de R$ 4,20, acumulando de 3,5% desde o início do ano e subindo em nove dos 12 pregões de janeiro. A escalada do dólar reflete a possibilidade de o BC alongar o ciclo de cortes dos juros básicos, reduzindo ainda mais a atratividade do diferencial de juros pago por aqui. 

 

Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, não está mesmo interessado nesse capital especulativo. Após concentrar o primeiro ano de governo nas principais reformas, Guedes participa a partir de hoje do Fórum Econômico Mundial, em Davos, com a tarefa de atrair o capital externo para financiar projetos brasileiros, principalmente de infraestrutura. 

 

Ao final da semana passada, a curva a termo indicava 60% de chance de queda de 0,25 pp da Selic na reunião do Copom em fevereiro, de 40% na semana anterior, com o restante apontando estabilidade do juro básico em 4,50%. Essa possibilidade de corte ainda não está contemplada no relatório Focus. Então, a edição de hoje (8h25) deve trazer novidades. 

 

Exterior esvaziado

 

No exterior, não apenas os mercados estão esvaziados, em termos de liquidez, por causa do feriado hoje nos EUA, como também a agenda econômica está mais fraca ao longo dos próximos dias. O calendário norte-americano não traz nenhum indicador relevante, enquanto já China já se prepara para a longa pausa de ano-novo.

 

Com isso, o radar se volta para a Europa, onde o Banco Central da zona do euro (BCE) reúne-se, na quinta-feira, pela primeira vez sob o comando da ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde. Mais do que a decisão em si, que não deve trazer novidades, merece atenção a entrevista dela logo após o anúncio de juros. 

 

Porém, a recém-empossada presidente do BCE deve continuar aproveitando o período de lua de mel com o mercado. Por ora, a pressão inflacionária recente na região da moeda única significa que não há espaço para estímulos adicionais, mas tampouco urgência em apertar os juros tão logo.

 

Sem a referência em Nova York hoje, o volume financeiro está mais fraco por causa do feriado nos EUA. As principais bolsas europeias tentam se apoiar na alta exibida pelo petróleo, em meio à interrupção na oferta na Líbia e no Iraque, após uma sessão mista na Ásia. Tóquio e Xangai subiram, enquanto Hong Kong caiu.

 

O Banco Central chinês (PBoC) avalia outros métodos para injetar liquidez antes do feriado e manteve a taxa de empréstimo de um ano em 4,15%, adotando a postura de esperar para ver, após dados mais encorajadores sobre a atividade na China. O yuan chinês (renminbi) estendeu os ganhos e subiu a 6,8525 por dólar, seguindo nos níveis mais altos desde julho. 

 

Confira os principais destaques desta semana, dia a dia: 

*Horários de Brasília

 

Segunda-feira: A semana começa com um feriado nos EUA, pelo Dia de Martin Luther King Jr., o que mantém as bolsas de Nova York fechadas. No Brasil, a segunda-feira traz as tradicionais publicações do dia: relatório Focus (8h25) e balança comercial semanal (15h). Entre os eventos de relevo, o ministro Paulo Guedes participa da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos. 

 

Terça-feira: A agenda econômica está fraca hoje, trazendo apenas a segunda prévia deste mês do IGP-M e o índice ZEW de sentimento econômico na Alemanha em janeiro. De hoje até quinta-feira, Guedes fala em painéis em Davos e tem encontros com presidentes de multinacionais. Na safra de balanços norte-americana, saem os resultado de Netflix e IBM.

 

Quarta-feira: Dados preliminares de janeiro sobre a confiança da indústria e sobre a entrada e saída de dólares do país (fluxo cambial) estão na agenda doméstica do dia. No exterior, saem apenas números do setor imobiliário norte-americano.

 

Quinta-feira: O IPCA-15 de janeiro e a decisão de política monetária do BCE, seguida de coletiva da presidente Christine Lagarde à imprensa, são os destaque do dia.

 

Sexta-feira: A semana chega ao fim com o índice de sentimento do consumidor brasileiro em janeiro e dados preliminares deste mês sobre a atividade na zona do euro e nos EUA. A Bolsa de Xangai não abre hoje, por causa das comemorações do Ano Novo Lunar, permanecendo fechada até o dia 30. 

 

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