Sem novidades, mercado se divide entre Davos e China

21.01.2020

 

O mercado financeiro volta a funcionar a pleno vapor hoje, após a pausa nos negócios ontem em Wall Street, mas a agenda econômica fraca do dia e a ausência de novidades no radar testam o bom humor dos investidores. Enquanto o foco se concentra no encontro de líderes no Fórum Econômico em Davos, o surto de uma doença na China traz preocupação.

 

As principais bolsas asiáticas tiveram uma sessão de fortes perdas, lideradas pelas quedas em Hong Kong (-2,7%) e Xangai (-1,4%), após casos do coronavírus triplicarem na China, às vésperas do feriado de Ano Novo Lunar, que provoca a maior migração de pessoas no mundo. O risco é de o vírus, que causa um tipo de pneumonia, se espalhar pela Ásia, aumentando o número de infectados. 

 

As perdas na região contaminaram a abertura do pregão europeu e afetam também os índices futuros em Nova York, que amanheceram no vermelho. O temor com o impacto econômico do surto da doença abre espaço para uma realização de lucros, com os investidores aproveitando para embolsar os ganhos recentes, cientes de que tal brecha pode ser curta.

 

Ao mesmo tempo, percebe-se uma ligeira aversão ao risco (risk off), o que impulsiona os títulos norte-americanos (Treasuries) e o ouro. Entre as moedas, o yuan chinês (renminbi) devolve os ganhos recentes e volta à faixa de 6,90 por dólar, no nível mais baixo em três meses. A moeda norte-americana mede forças em relação aos demais rivais, enquanto o petróleo cai.    

 

A solução é vender o Brasil

 

Ainda assim, os números encorajadores sobre a atividade nos Estados Unidos e na China, combinados com a fase um do acordo comercial entre os dois países, continuam embalando o mercado financeiro. Tais gatilhos fortaleceram o otimismo com o crescimento econômico global em 2020. 

 

Já no Brasil, os dados fracos na reta final de 2019 diluíram parte da confiança na retomada da economia brasileira neste ano, reacendendo a discussão sobre a necessidade de estímulos monetários adicionais via o Banco Central. No mercado de juros futuros, as apostas de um novo corte na taxa básica de juros em fevereiro já são majoritárias.

 

Porém, a queda de 0,25 ponto ainda não foi referendada por economistas, que mantiveram na Focus a previsão de Selic estável em 4,50% ao longo de 2020. O fiel da balança para esse movimento continua sendo o dólar. Afinal, com a recuperação econômica ainda frágil e os juros reais quase negativos, é provável que o real se desvalorize, diante do fluxo estrangeiro menor ao país, principalmente pela via financeira (e do capital especulativo).

 

De olho nisso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa intensamente no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), com a missão de atrair investimentos externos produtivos ao Brasil, principalmente em projetos de infraestrutura. Além da participação em dois painéis, ele também tem reuniões com presidentes de bancos, fundos de investimento e empresas estrangeiras, ao longo do dia.  

 

Dia de agenda fraca

 

Já a agenda de indicadores econômicos desta terça-feira está fraca. No Brasil, sai apenas segunda prévia deste mês do IGP-M (8h). No exterior, o calendário nos EUA não prevê a divulgação de nenhum indicador hoje, trazendo apenas o balanço de Netflix e IBM, enquanto na Europa, sai o índice ZEW de sentimento econômico na Alemanha e na zona do euro em janeiro logo cedo. 

 

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