Sem feriado em SP, mercado segue em frente

09.07.2020

 

A antecipação em maio do feriado que seria celebrado hoje no estado de São Paulo mantém os mercados domésticos funcionando normalmente e pode permitir ao Ibovespa reaver a marca simbólica dos 100 mil pontos, quatro meses após ter perdido esse patamar. Mas a indefinição dos negócios no exterior pode atrapalhar esse objetivo, em dia de agenda fraca de indicadores econômicos aqui e lá fora.  

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leves baixas, enquanto as praças europeias tentam interromper dois dias seguidos de queda, apoiando-se no sinal positivo vindo da Ásia, onde Xangai subiu pela oitava sessão consecutiva (+1,4%), acumulando alta de mais de 9% nesta semana, em meio à forte demanda por investidores pessoa física. Dados do dia na China confirmaram o ritmo de aceleração da economia.

 

O índice de preços ao produtor (PPI) chinês reduziu o ritmo de queda para 3,0% em junho, de -3,7% em maio, em meio à recuperação dos preços das commodities globais e com a volta à atividade da manufatura doméstica, o que impulsionou a demanda por produtos industriais. Já a inflação ao consumidor (CPI) chinês ganhou força e subiu 2,5% no mês passado, de +2,4% no mês anterior, em base anual.  

 

Em reação aos números, o yuan chinês (renminbi) subiu ao nível mais alto desde meados de março, testando a faixa de 7 yuans por dólar. A moeda norte-americana mede forças em relação às demais moedas, o que deixa o petróleo orbitando ao redor da faixa de US$ 40 por barril. Já o ouro se fortalece e é cotado acima da marca de US$ 1,8 mil por onça-troy e o rendimento do título norte-americano de 10 anos (T-note) segue em 0,65%.  

 

Veja bem…

 

Os investidores continuam analisando o aumento de infecções por coronavírus nos Estados Unidos, que chegaram ontem à marca sombria de 3 milhões de casos, mas seguem concentrados na reabertura da atividade. Faltando pouco mais de quatro meses para as eleições, o presidente Donald Trump resiste em voltar a fechar a economia, apesar dos alertas de que o país está “até o pescoço” imerso na crise de saúde.

 

No Brasil, o número de casos já ultrapassa a marca de 1,7 milhão de infectados, mas, assim como Trump, o presidente Jair Bolsonaro continua criticando as medidas de isolamento social. Nem mesmo o fato de ter sido contaminado por covid-19 mudou a postura do presidente em relação ao combate à doença, que voltou a defender o uso da hidroxicloroquina como tratamento.

 

Com isso, parece ser baixo o risco de reversão das medidas de flexibilização da quarentena no Brasil e nos EUA, de forma a tentar aplacar a curva de contágio. Essa sinalização somada à injeção “ilimitada” de dinheiro pelos bancos centrais sustenta o apetite por ativos de risco, que devem continuar se valorizando, ainda que descolados dos fundamentos da economia real. 

 

É cada vez mais evidente que o bimestre de março e abril foi o fundo do poço para a atividade econômica, no Brasil e no mundo, com os dados de maio e junho reforçando o cenário de recuperação rápida e acelerada, deixando para trás o pior momento. Porém, por mais que o avanço ao final do semestre passado aponte para o início de uma retomada em ”V”, o cenário à frente tende a ser mais desafiador.

 

Ou seja, passada essa “pernada de alta” na primeira fase da recuperação econômica global, dificilmente o formato em “V” irá se manter no médio e longo prazo, abrindo espaço para outras possibilidades. A expectativa é de uma melhora desigual entre os diferentes setores da economia e também entre os países e as regiões do mundo - portanto, mais heterogênea e instável. E o mercado financeiro parece estar se dando conta desse cenário, ao respeitar recentes intervalos de oscilação dos ativos, mantendo a dinâmica.

 

No caso brasileiro, porém, a era dos juros baixos praticamente obriga os investidores locais a se exporem ao risco da Bolsa, enquanto os "gringos" continuam retirando recursos. Mas a alta recorde do varejo brasileiro em maio, que ocorreu após o tombo histórico das vendas no setor em abril, colocou em xeque um corte “residual” na Selic em agosto, em um sinal de que a rivalidade entre a renda variável e a renda fixa ainda está longe do fim. E esse jogo que envolve bancos centrais, vírus e atividade econômica é perigoso. 

 

Agenda segue fraca

 

O dia é de agenda novamente fraca, trazendo como destaque apenas os pedido semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA (9h30) e os estoques norte-americanos no atacado em maio (11h). Na Europa, os ministros de Finanças da zona do euro reúnem-se, enquanto no Brasil sai a primeira prévia do mês do índice de preços ao consumidor (IPC). 

 

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