Positivo, presidente

08.07.2020

 

O mercado financeiro vai vivendo entre sonho e realidade, ora se descolando da economia em um devaneio provocado pela liquidez sem precedentes dos bancos centrais, ora tendo pesadelo com as marcas que a pandemia de coronavírus têm deixado na atividade. Mas o resultado positivo do presidente Jair Bolsonaro para a covid-19 tirou o sono dos investidores, que agora se perguntam quem foi contaminado por ele. 

 

A notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, realizou o teste para a doença e o resultado deu negativo deve trazer alento aos negócios locais hoje. Ainda assim, ele fará um novo exame em quatro dias. Ao menos outros nove ministros ou secretários do governo que tiveram agendas com o presidente ao longo da última semana foram submetidos ao teste e sete já anunciaram que também não foram contaminados. 

 

Enquanto isso, Bolsonaro está se tratando com hidroxicloroquina, embora não haja comprovação científica de eficácia do tratamento. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo em que afirma que está “muito melhor” devido ao uso do remédio e pergunta: “Eu confio, e você?”. Seja como for, o positivo de Bolsonaro para covid-19 assustou o mercado doméstico ontem, com o receio de que a notícia pudesse criar novos ruídos políticos. 

 

O Ibovespa caiu 1,2%, mas seguiu próximo à marca dos 100 mil pontos, ao passo que o dólar avançou um pouco mais, em direção à faixa de R$ 5,40, apesar da confiança do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em uma recuperação forte da economia brasileira, o que vem reduzindo as chances de corte residual na taxa básica de juros no mês que vem. A Selic cai há oito reuniões, desde julho do ano passado. 

 

Próxima Fase

 

Aliás, o formato da recuperação econômica global pós-pandemia ainda é a principal incógnita deste semestre. Por mais que a primeira etapa da retomada tenha sido rápida e acelerada - portanto, em forma de “V” - o ressurgimento de casos de coronavírus e/ou o risco de uma segunda onda de contágio ainda ameaçam a sustentabilidade da atividade. Ao que tudo indica, as próximas fases serão em ritmo mais errático e heterogêneo. 

 

Por isso, os dados sobre as vendas no varejo brasileiro em maio, que serão conhecidos hoje (9h), devem ser olhados pelo retrovisor. Ainda assim, a expectativa é de melhora gradual do comércio varejista, com crescimento de 5%, após o tombo de quase 20% nos dois meses anteriores. Já na comparação com o mês do Dia das Mães no ano passado, o varejo deve despencar 15%, na terceira queda seguida nesse tipo de confronto. 

 

Antes, às 8h, a agenda doméstica traz o resultado de junho do IGP-DI, que deve seguir “salgado”, acelerando-se em relação à alta de pouco mais de 1% no mês anterior e acumulando aumento de 7,6% em 12 meses. Ainda no calendário do dia, saem uma nova estimativa para a safra de grãos nacional, dados regionais da produção industrial, ambos às 9h, e os números do BC sobre a entrada e saída de dólares do país (14h30).

 

Já no exterior, o mercado financeiro ainda sente o choque de realidade de uma economia que segue profundamente abalada pelo coronavírus. Após a “primeira pernada” de alta da atividade global, com os indicadores econômicos de maio e junho se recuperando após o tombo entre março e abril, o horizonte à frente aponta para uma recuperação desafiadora e sujeita a novos solavancos, diante do risco de novas ondas de contaminação.

 

Mas a agenda desta quarta-feira lá fora traz poucas evidências para traçar esse panorama econômico. Ao longo do dia, saem os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos (11h30) e os dados sobre o crédito ao consumidor do país em maio (16h). À noite, é a vez dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) na China em junho. 

 

Mercados sem rumo

 

Enquanto isso, os mercados internacionais tentam se esquecer do risco de novas ondas de contaminação de coronavírus e o impacto disso sobre a economia global, que pesou nos negócios ontem, mas não conseguem resgatar o rali visto no início da semana. Os ativos de risco tentam ganhar tração, mas seguem respeitando intervalos recentes de oscilação.

 

As bolsas europeias oscilam na linha d’água, após uma sessão mista na Ásia, onde Xangai (+1,7%) e Hong Kong (+0,7%) subiram, mas Tóquio caiu (-0,8%). Já os índices futuros das bolsas de Nova York ensaiam uma tímida recuperação, após a queda ontem. O dólar se estabiliza, o que deixa o petróleo de lado, enquanto o ouro encosta nos níveis de 2011.

 

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