Petróleo tenta animar mercado, em meio à crise do vírus

02.04.2020

 
O mercado financeiro desloca o foco do coronavírus e concentra as atenções no petróleo, o que abre espaço para uma recuperação dos ativos de risco após iniciarem abril com fortes perdas. Novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desta vez, dizendo que a disputa entre sauditas e russos pode ser resolvida, anima os investidores. 

 

O preço do barril de petróleo tipos WTI e Brent sobe quase 10%, cada, e embala as bolsas, com as ações do setor de energia conduzindo os ganhos na Europa. Os índices futuros das bolsas de Nova York também têm alta acelerada, um dia após registrarem perdas de mais de 4% na sessão regular. Na Ásia, o pregão foi misto. Já o dólar cai.

 

Esse comportamento no exterior tende a impulsionar os mercado domésticos, um dia após o Ibovespa cair mais de 3%, mas conseguir defender a faixa dos 70 mil pontos, enquanto o dólar atingiu novo recorde histórico de fechamento, indo a R$ 5,26, apesar de o Banco Central vender recursos das reservas internacionais pela quarta sessão seguida.

 

Ainda assim, a melhora ensaiada pelos negócios no exterior é de frágil sustentação e se baseia apenas na declaração de Trump, de que “confia” na capacidade que Arábia Saudita e Rússia têm para resolver a guerra de preços do petróleo. Amanhã, ele se reúne com executivos da indústria de petróleo nos EUA, que vem sofrendo com a disputa externa.

 

No entanto, até o momento, não há nenhum movimento ou reconciliação entre os rivais Vladimir Putin e Mohammed bin Salman sobre a questão. A disputa ocorre porque Moscou acredita que uma redução na produção de petróleo, defendida por Riad, favorece a indústria de xisto nos EUA, que tem mais custo.

 

De qualquer forma, a fala de Trump anima os investidores, após reagirem mal ao aviso do presidente norte-americano, de que a próximas duas semanas serão “muito difíceis” nos EUA, já que o número de mortes por coronavírus deve aumentar, enquanto as empresas devem continuar fechadas, em um esforço para retardar a disseminação do vírus. 

 

Como já dito aqui várias vezes, os governos e bancos centrais mostraram-se muitos preocupados com os impactos da pandemia de coronavírus na economia e foram rápidos em anunciar medidas para amortecer os danos causados às empresas e também no mercado financeiro. Mas pouco foi feito para combater a doença em si. 

 

Daí que, só agora que os investidores encontraram alguns pilares de sustentação nos ativos globais - moldados pelas atuações dos BCs e os pacotes fiscais - a expectativa recai em relação ao controle na disseminação do vírus no Ocidente. E ainda há dúvidas sobre quando a curva de contágio será achatada ou um tratamento eficaz, quiçá, uma vacina serão descobertos. 

 

O problema é que enquanto não houver uma clareza nesse cenário e o número de casos confirmados e mortes por Covid-19 continuar crescente e em aceleração, não será possível medir o tamanho [e a duração] do impacto econômico da pandemia. Até lá, os mercados tendem a alternar sentimentos, ora mostrando maior confiança, ora mais insegurança, gerando volatilidade nos negócios no curto prazo - como observado hoje.

 

Agenda perde força

 

A agenda econômica do dia perde força, trazendo como destaque apenas os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA. É válido lembrar que, no levantamento anterior, houve um salto recorde de 3 milhões de solicitações. A expectativa é de mais um aumento expressivo, de 5,5 milhões de pedidos até a sexta-feira passada. 

 

Os números efetivos serão divulgados às 9h30. No mesmo horário, sai o resultado da balança comercial norte-americana em fevereiro. Depois, às 11h, é a vez das encomendas às fábricas no mesmo período. Ainda nos EUA, a safra de balanços continua, trazendo os resultados do primeiro trimestre de Walgreens Boots e Chewy.

 

Já no fim do dia, sai o PMI composto dos setores industrial e de serviços na China e no Japão em março, medido por instituições privadas. No Brasil, saem dados regionais sobre o índice de preços ao consumidor (IPC) em março, logo cedo, quando na zona do euro sai a inflação ao produtor (IPP) em fevereiro. 

 

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