Novo mês, mesmas incertezas

01.04.2020

 

 
Mais um mês, um novo trimestre e as incertezas no mercado financeiro em torno da pandemia de coronavírus persistem. Os investidores se preparam para uma “tempestade de más notícias” em abril, após as previsões catastróficas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ofuscam a mudança de tom do congênere no Brasil, Jair Bolsonaro.

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com perdas aceleradas, ao redor de 3%, após Trump alertar para duas semanas “muito dolorosas” à frente na batalha contra o vírus. Citando números estimados por especialistas, o chefe da Casa Branca falou que podem ocorrer até 240 mil mortes no país no período, mesmo com o isolamento social.

 

Sem tais medidas, os óbitos alcançariam a casa dos milhões. As praças europeias acompanham o sinal negativo vindo de Wall Street e caem forte, após uma sessão de queda na Ásia, com o mercado financeiro não encontrando sinais de que o pior do impacto da doença no mundo já passou, o que abre caminho para uma nova onda vendedora.

 

Afinal, boa parte dos riscos adversos nesse cenário e dos novos desafios que podem surgir não estão embutidos nos preços dos ativos, que até engataram uma recuperação na reta final de março, mas que não impediu o pior primeiro trimestre na história do Dow Jones - e também do Ibovespa. Resta saber se o fundo alcançado antes do repique é o fim do poço.

 

Por aqui, é sempre bom lembrar que mercados emergentes - como o Brasil - estão em um buraco muito mais profundo. Afinal, não há espaço fiscal para seguir as regras do jogo ditadas pelas economias desenvolvidas no combate ao coronavírus, com planos trilionários de estímulo à atividade e juros zeros (ou negativo) como se houvesse demanda pela dívida ou pela moeda local. Ainda bem, então, que Bolsonaro deixou de criar atritos.

 

Aliás, o dólar tem ganhos firmes em relação às moedas rivais hoje - com exceção do iene, que é beneficiado pela renovada busca por proteção em ativos seguros, o que também derruba o rendimento do título norte-americano de 10 anos (T-note) para perto de 0,6%. Já o petróleo tipo WTI volta a flertar a marca de US$ 20 por barril, enquanto o ouro avança.  

 

Dados de atividade recheiam o dia

 

Novos indicadores sobre a atividade da indústria no Brasil e no mundo concentram as atenções do mercado financeiro hoje. Logo cedo, o setor na zona do euro atingiu a leitura mais baixa em 92 meses do índice harmonizado dos gerentes de compras (PMI), que caiu a 44,5 em março, de 49,2 em fevereiro. A previsão era de queda levemente menor, a 44,8.

 

Nos números separados por países, destaque para o PMI da Itália, que atingiu a pior leitura desde abril de 2009. Ainda assim, a queda do indicador ao menor nível em sete anos e meio mascara a severidade da queda da indústria, sinalizando que os investidores precisam escolher um caminho para analisar os números e tentar entender o que está acontecendo.

 

Mas a possibilidade de navegar com sucesso nesse ambiente desconhecido é baixa, como se os mercados estivessem percorrendo um campo de asteroide para mensurar o impacto do tal “meteoro” que adentrou a atmosfera terrestre no início do ano. E o perigo é os ativos de risco seguirem esse fenômeno luminoso feito dinossauros à espera de mudança.

 

Afinal, é preciso haver maior clareza em relação à velocidade de propagação e de contágio do vírus, à capacidade de controle da COVID-19 no mundo, aos tratamentos eficazes nas pessoas infectadas e como se dará a curva de evolução dos casos confirmados e óbitos. Por ora, o aumento acelerado dos números inibe um clima mais tranquilo nos negócios.

 

E da mesma forma que foi preciso relativizar o salto dos índices dos gerentes de compras (PMI) dos setores industrial e de serviços na China em março, vindo de uma mínima histórica em fevereiro, é necessário levar em conta que a sensação desses gerentes na zona do euro e nos Estados Unidos agora é a pior possível - e não como costumam operar. 

 

Mais atividade na agenda

 

Além dos números já divulgados sobre o desempenho do setor na Europa em março, também será conhecido os índices PMI e ISM sobre a indústria nos EUA no mesmo período, às 10h45 e às 11h, respectivamente. No Brasil, o IBGE anuncia o resultado da produção industrial brasileira em fevereiro. 

 

A expectativa é de ligeira queda (-0,2%) em relação a janeiro, quando interrompeu dois meses seguidos de retração ao final de 2019. Já na comparação com um ano antes, a atividade do setor deve cair pela quarta vez seguida, em -2%. Os números efetivos serão conhecidos às 9h. 

 

Depois, à tarde, saem os dados compilados de março do fluxo cambial (14h3) e da balança comercial (15h), que podem sinalizar se a entrada de dólares no país pelo saldo das exportações é suficiente para neutralizar as saídas de recursos estrangeiros pela via financeira. 

 

Já no exterior, também merece atenção o relatório da ADP (9h15) sobre o emprego no setor privado norte-americano em março, que deve mostrar o fechamento de 90 mil vagas, sinalizando um payroll negativo na sexta-feira. Ainda nos EUA, saem os gastos com construção em fevereiro (11h) e os estoques semanais de petróleo (11h30).  

 

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