Na volta do feriado nos EUA, China domina

06.07.2020

 
O fim de semana de feriado nos Estados Unidos foi marcado por um discurso polarizado do presidente Donald Trump no Monte Rushmore e por 120 mil novos casos de coronavírus no país durante as comemorações do 4 de Julho. Mas isso não impede uma volta positiva de Wall Street aos negócios, com os ganhos acelerados dos índice futuros das bolsas de Nova York e a alta de mais de 2% na Europa sendo alimentados pelo salto da Bolsa de Xangai.

 

O índice Xangai Composto fechou acima dos 3,3 mil pontos pela primeira vez desde 2018, em alta de 5,7%, no maior ganho diário e o volume financeiro mais elevado desde 2015, reagindo a um editorial de primeira página do influente jornal estatal Securities Times, dizendo que “promover” um mercado de alta (bull market) “saudável” na China após a pandemia é agora mais importante do que nunca para a economia do país. O “chamado” provocou buscas por “abrir uma conta de ações” nas redes sociais e resgatou o otimismo entre os investidores.  

 

Esse sentimento se espalhou por toda a Ásia. Hong Kong subiu quase 4%, ao passo que Tóquio avançou 1,8% e Seul cresceu 1,7%. No Pacífico, a Bolsa de Sydney caiu 0,7%. Já no Ocidente, as praças dos dois lados do Atlântico Norte apontam para um dia de rali, o que deve embalar o Ibovespa hoje. Nos demais mercados, o dólar afunda, perdendo terreno para as moedas de países desenvolvidos e correlacionadas às commodities. 

 

Aliás, o petróleo ganha força, com o barril do tipo WTI tentando avançar na faixa de US$ 41, enquanto o cobre também se fortalece e caminha para zerar as perdas acumuladas neste ano. Mas o ouro também avança. Entre os bônus, o juro projetado pelo título soberano chinês de 10 anos teve a maior queda em mais de três anos, indo a 1,06%. Já o papel de 10 anos dos EUA (T-note) segue abaixo de 0,7%.            

 

Entre vírus e estímulos

 

É válido ressaltar que esse apetite por ativos de risco é alimentado apesar de o aumento de casos de coronavírus nos EUA e em países emergentes, como Brasil e Índia, ameaçar a recuperação econômica global. Os investidores vislumbram sinais de progresso na atividade a partir da perspectiva chinesa, que governa “através do mercado” para construir uma capacidade produtiva e o financiamento do crédito, mas sem ter a financeirização como dinâmica dominante.

 

Portanto, os mercados no Ocidente seguem divididos entre os milhões de casos de coronavírus no mundo e os trilhões de dólares injetados pelos bancos centrais em estímulos, que acabam sendo usados como fundo de proteção (hedge fund) à exposição ao risco. Por isso, o foco dos investidores nesta semana segue no número de infecções e óbitos de covid-19 nos EUA, principalmente, para avaliar os reflexos desse repique tanto na retomada econômica do país quanto nas investidas de Trump para o pleito em novembro. 

 

Sem ainda conseguir superar a crise do coronavírus nos EUA e a quatro meses das eleições, com queda nas pesquisas, Trump resolveu desviar o foco e alertou para a ameaça de uma “revolução cultural da extrema esquerda”, denunciando um “novo fascismo”. Em um tom furioso (e sombrio), durante comício na Dakota do Sul que desrespeitou o distanciamento social e o uso de máscara, o presidente incentivou o nacionalismo e atacou as mobilizações sociais contra o racismo.

 

Já no Brasil, a atividade econômica continua sendo retomada, apesar da evolução dos casos e óbitos por covid-19, com evidências mostrando que o total de pessoas que tiveram contrato com o vírus sendo até sete vezes maior. Mas a partir desta segunda-feira, bares, restaurantes, salões de beleza e barbearias na capital paulista serão reabertos. E esse aumento na circulação de pessoas no país pode colocar à prova o sistema de saúde.

 

Com o Brasil e os EUA entrincheirados na negação ante a pandemia, o mercado financeiro não conseguiu sair muito do lugar desde meados de junho. Mas a liquidez sem precedentes injetada pelos bancos centrais também impede que os ativos de risco engatem uma correção de preços mais intensa, levando os investidores a avaliar um mercado acionário global que permanece cerca de 40% acima de seu nível mais baixo atingindo em março.

 

Atividade e inflação em destaque

 

A primeira semana cheia de julho traz como destaque dados de atividade e inflação, no Brasil e no exterior, que devem ser vistos pelo retrovisor. Por aqui, serão conhecidos os últimos indicadores de maio, com o desempenho do varejo (quarta-feira) e do setor de serviços (sexta-feira) ajudando traçar o cenário da retomada econômica doméstica.

 

Outro destaque é o índice de preços ao consumidor (IPCA) em junho, que deve confirmar o fim do período de deflação e pode dar pistas sobre os sinais de pressão inflacionária no varejo. O dado sai na sexta-feira. Vale lembrar que na quinta-feira o mercado doméstico funciona normalmente, já que o feriado municipal em São Paulo foi antecipado em maio. 

 

No exterior, a semana traz poucos destaques. Já nesta segunda-feira, saem dados sobre a atividade no setor de serviços dos EUA no mês passado, que devem confirmar a retomada econômica mais forte no país. Nos próximos dias, merecem atenção números de junho sobre a inflação no varejo (CPI) chinês e no atacado (PPI) da China e dos EUA.

 

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia: 

*Horários de Brasília

Segunda-feira: A semana no Brasil começa trazendo apenas as tradicionais publicações do dia, a saber, o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h25), e os dados da balança comercial no início de julho. No exterior, destaque para os índices PMI e ISM sobre o setor de serviços nos EUA em junho, a partir das 10h45, e sobre as vendas no varejo na zona do euro em maio, logo cedo.

 

Terça-feira: A agenda econômica perde força hoje no Brasil e no exterior, onde serão conhecidos a produção industrial alemã e o relatório Jolts sobre as contratações e demissões nos EUA, ambos referentes ao mês de maio. 

 

Quarta-feira: O calendário doméstico reserva para o dia as vendas no varejo em maio, o IGP-DI em junho e um novo levantamento sobre a safra agrícola. Também são esperados os dados do BC sobre o fluxo cambial. No exterior, as atenções se voltam para os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) na China no mês passado.   

 

Quinta-feira: O dia é de agenda novamente fraca, trazendo como destaque apenas os pedido semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA e os estoques norte-americanos no atacado em maio. 

 

Sexta-feira: A semana chega ao fim com o foco na agenda doméstica, que traz o resultado de junho da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA) e o desempenho do setor de serviços em maio. Também será conhecida a primeira prévia deste mês do IGP-M. No exterior, destaque apenas para a inflação no atacado (PPI) dos EUA no mês passado. 

 

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