Mercado tenta seguir exterior

14.04.2020

 
O dia abre positivo nos mercados internacionais, após números melhores que o esperado da balança comercial chinesa e dos sinais de desaceleração dos casos de coronavírus na Europa, enquanto os investidores se preparam para uma análise preocupante de como a pandemia afetou o lucro das empresas nos Estados Unidos. Mas esse sinal vindo no exterior não significa que a terça-feira será também de ganhos dos ativos de risco no Brasil.

 

O mercado doméstico está preocupado com o aumento do risco fiscal no país, por causa da injeção de recursos para socorrer a população em meio à crise causada pela Covid-19. E a aprovação do projeto de socorro aos estados e municipais ontem na Câmara, sem contrapartidas, tende a desagradar os investidores, uma vez que já não agrada o ministro da Economia, Paulo Guedes, que tenta articular mudanças no texto-base.

 

O maior temor é de que tais medidas temporárias de expansão fiscal se tornem permanentes, jogando fora toda a austeridade implementada nos últimos anos e enfraquecendo a agenda de reformas estruturais da economia. O projeto segue para o Senado, onde também deve ser votado, na quarta-feira, o chamado “Orçamento de Guerra”. Ambas as pautas estão relacionadas ao combate à disseminação da doença no país.

 

Mas o mercado financeiro está mais preocupado é com o rombo nas contas públicas. Aos olhos dos investidores, o Congresso estaria tirando proveito da fraca articulação do Executivo em torno dessas votações para “capitalizar politicamente” as pautas em discussão, de grande apelo popular. Novamente aqui afloram-se motivações políticas quando se deveria tratar apenas de uma questão de saúde pública. 

 

Mas o fato é que só o Brasil ainda defende austeridade fiscal em tempos de pandemia, pois já se sabe que a explosão da dívida pública ao redor do mundo será um dos principais debates no cenário pós-coronavírus. Aliás, o país caminha a passos largos para um agravamento do quadro da doença, ao contrário do que vem defendendo o presidente Jair Bolsonaro, que vê o vírus começando a ir embora, e o provável sucessor de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde, Osmar Terra.

 

Para ele, o pico de casos da doença também chegou no Brasil, assim como já se nota nos EUA e na Europa. Nos números oficiais, o país registra quase 24 mil casos confirmados e mais de 1,3 mil mortes, mas é sabido que tais dados não refletem a realidade. No mundo, o número de casos de Covid-19 superou 2 milhões, dobrando o total em menos de duas semanas. Quase 120 mil pessoas morreram pela doença.

 

Exterior no azul

 

Enquanto isso, lá fora, os índices futuros das bolsas de Nova York sobem ao redor de 1%, à espera do pontapé inicial a ser dado pelos bancos norte-americanos hoje ao que deve ser uma dolorosa temporada de balanços, por causa da pandemia de coronavírus. A expectativa é de queda na demanda pelos negócios das empresas e de uma perspectiva sombria para o restante do ano. 

 

Ainda assim, Wall Street se esforça para encontrar boas notícias e se apoia no sinal positivo vindo da Europa e da Ásia. Enquanto no velho continente cresce o otimismo com a reabertura da economia, uma vez que o coronavírus está se espalhando de modo decrescente na região, no Oriente, a queda em um ritmo mais lento das exportações e das importações chinesas em março animou o pregão.

 

A Bolsa de Xangai subiu 1,6%, reagindo à queda de 6,6% das exportações da China no mês passado, em base anual, depois de cair 17,2% no agregado de janeiro e fevereiro e ante previsão de recuo maior, de -15,9%. Da mesma forma, as importações cederam 0,9% em março, após caírem 4% nos dois primeiros meses deste ano, menos que a estimativa de baixa de 10%. Com isso, o saldo da balança comercial chinesa foi de US$ 19,9 bilhões, ante déficit de US$ 7,09 bilhões em janeiro e fevereiro e expectativa de +US$ 21 bilhões.

 

Os demais mercados asiáticos pegaram carona nesses números, com destaque para o salto de mais de 3% da Bolsa de Tóquio. Na Europa, a maioria das bolsas voltou do feriado prolongado de Páscoa no azul, diante dos sinais de que os novos casos de coronavírus parece ter atingido o pico na zona do euro e no Reino Unido, o que permite que alguns países comecem a se mover lentamente para reabrir suas economias. 

 

Nos demais mercados, o petróleo ainda é afetado pelo ceticismo em relação aos cortes de produção acertado por 23 países produtores, diante da percepção de que a demanda tende a ser ainda menor do que a oferta por causa da pandemia de coronavírus. O ouro também se enfraquece. Já o dólar perde terreno para as moedas de países desenvolvidos e emergentes.   

 

Balanços em destaque

 

O calendário doméstico traz como destaque hoje apenas o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) em fevereiro. A previsão é de alta moderada na comparação mensal (+0,2%) e em relação a um ano antes (+1%), com os números mostrando um ritmo fraco da economia brasileira ainda antes da eclosão do coronavírus no país. 

 

Os dados efetivos serão conhecidos às 9h. Pouco depois, nos EUA, saem os preços de importação e de exportação nos EUA em março. Já a safra de balanços norte-americana ganha força, com os bancos JP Morgan e Wells Fargo dando início à temporada de resultados hoje. Também é resultado o resultado trimestral de Johnson & Johnson.

 

 

 

 

Please reload

Posts Destacados

Mercado testa a sorte com bancos centrais

21.09.2020

1/8
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Posts Relacionados
Please reload

Inscreva-se 

Receba as principais notícias por e-mail.

 

Por favor, insira um email válido

  • Facebook Long Shadow
  • LinkedIn Long Shadow

© 2015  Olívia Bulla By ImageLab.