Mercado tenta evitar pânico na volta do feriado chinês

03.02.2020

 

Na volta do feriado do Ano Novo Lunar, a Bolsa de Xangai despencou 7,72%, na maior queda diária desde 2015. Mas as medidas anunciadas pela China para garantir a estabilidade do mercado financeiro chinês conseguiram evitar um mal maior. Com isso, os investidores driblam uma nova onda vendedora (sell off) entre os ativos de risco, com os índices futuros em Nova York em alta, apesar do aumento no número de casos - e de mortes - por coronavírus.   

 

A epidemia já matou 361 pessoas na China e infectou mais de 17 mil no país, mas 479 foram curados. Além da China, mais de 20 países de quatro continentes registram casos da doença. No Brasil, há 16 casos suspeitos. Mas a doença está mesmo espalhada é pela China, que tem casos em todas as províncias do país - incluindo as regiões autônomas de Tibete, Hong Kong, Macau e Taiwan - e concentra quase 99% dos registros. 

 

Não há ainda sinais de que o surto possa ser contido, o que levou escolas e fábricas na China a prolongar o feriado, paralisando o país por mais uma semana. Essa disseminação do coronavírus na segunda maior economia do mundo aumenta as preocupações com o impacto econômico. As estimativas iniciais são de que o PIB chinês deve crescer menos de 5% neste trimestre, reduzindo a expansão no acumulando de 2020 para menos de 6%. 

 

Uma desaceleração abrupta da China tende a afetar o crescimento global, que já vinha emitindo sinais de fragilidade e buscava uma estabilização. Ao mesmo tempo, Pequim pode ter dificuldades em honrar o termos da fase um do acordo comercial assinado com os Estados Unidos, bem como avançar para as próximas etapas. Portanto, o surto de coronavírus pode enfraquecer e deteriorar ainda mais a economia mundial em 2020. 

 

Sem pânico

 

Mas a queda em Xangai não foi tão grande quanto o imaginado. Antes da abertura do pregão na Bolsa chinesa, órgãos reguladores do país anunciaram a suspensão das negociações com contratos futuros e proibiram a venda a descoberto de ações. Além disso, o Banco Central chinês (PBoC) injetou US$ 173 bilhões para prover liquidez e cortou a taxa de empréstimo (recompra reversa) de curto prazo para 2,4% (7 dias) e 2,55% (14 dias).

 

Aparentemente, os mercados aprovaram as iniciativas tomadas pelo BC chinês e pelos órgãos reguladores de valores mobiliários no país, o que acalmou os investidores, evitando um renovado sentimento de aversão ao risco (risk off). A sensação é de que foi um retorno ordenado de negociação no mercado chinês, graças às medidas adotadas. Afinal, o medo era de uma queda livre. 

 

Como resultado, o índice Xangai Composto abriu em queda de 9%, mas recuperou-se durante a sessão e encerrou em baixa de 7,72%. Quase 3 mil ações fecharam no limite diário de queda. Da mesma forma, o índice Shenzhen Composto também caiu 9% na abertura, mas reduziu as perdas para -8,41% ao final do pregão. Ambos os mercados estavam fechados desde 24 de janeiro.

 

Com isso, nem mesmo os demais mercados na região Ásia-Pacífico sofreram tanto. Tóquio cedeu 1%, enquanto Austrália (-1,34%) e Cingapura (-1,18%) caíram um pouco mais que isso, mas Seul ficou de lado. Já Hong Kong subiu 0,2%, diante da aprovação das medidas do PBoC. No Ocidente, Wall Street sinaliza um dia positivo, o que embala o início do pregão europeu. 

 

Porém, ainda na China, os contratos futuros das commodities desabaram, com o minério de ferro, o cobre e o petróleo atingindo o limite de baixa. Já o yuan chinês (renminbi) superou a faixa de 7 por dólar, após o PBoC promover o maior corte na taxa de referência diária desde agosto de 2019, fixando a moeda chinesa no nível mais fraco desde 13 de janeiro.

 

Nesta manhã, o barril do petróleo tipo WTI alterna altas e baixas, oscilando levemente acima da marca de US$ 50, enquanto o petróleo tipo Brent busca forças para reaver a faixa de US$ 60 por barril. Já o ouro recua. Nas moedas, o dólar avança em relação às moedas rivais, acompanhando o aumento no rendimento (yield) dos títulos norte-americanos, com o juro projetado pelo papel de 10 anos (T-note) indo a 1,53%. 

 

Esse comportamento no exterior tende a ditar o rumo dos mercados domésticos, que podem tentar iniciar fevereiro no azul. Em janeiro, a Bolsa brasileira amargou perdas de pouco mais de 1,5%, interrompendo quatro meses seguidos de alta, em meio à saída recorde de capital externo, que já supera R$ 16 bilhões. O dólar, por sua vez, disparou quase 7% só no mês passado.

 

Semana promete

 

As incertezas em torno do coronavírus tendem a continuar no radar do mercado financeiro global e qualquer notícia sobre o tema terá força para impactar a dinâmica dos ativos. Mas a primeira semana de fevereiro também reserva uma série de eventos e divulgações importantes, que também podem afetar os negócios. 

 

Os destaques por aqui ficam divididos entre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã e termina na quarta-feira, quando será anunciada a decisão sobre a taxa básica de juros. A chance de queda de 0,25 ponto na Selic neste mês ainda é majoritária, em 70%, apesar da disparada do dólar para novas máximas históricas, perto de R$ 4,30. 

 

Quem prevê um novo corte do juro básico se apoia na fraqueza da atividade doméstica na reta final de 2019, que colocou em dúvida o ritmo da recuperação econômica, e também no cenário ainda confortável da inflação. Aliás, números da produção industrial, amanhã, e dos preços ao consumidor (IPCA), na sexta-feira, podem corroborar (ou não) essa perspectiva. 

 

Ainda no Brasil, merece atenção a volta aos trabalhos no Congresso. Protagonista na aprovação das novas regras para aposentadoria, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer aprovar nos próximos meses as reformas tributária e administrativa. Mas o governo ainda precisa enviar o texto de ambas as propostas. Além disso, deputados e senadores precisam primeiro analisar 25 medidas provisórias (MPs), que correm o risco de caducar. 

 

Já no exterior, as atenções se dividem entre indicadores de atividade na Europa, nos EUA e na China, ao longo da semana, e sobre o mercado de trabalho norte-americano (payroll), na sexta-feira. Os números podem dar pistas sobre o ritmo da economia global, em meio ao acúmulo de dados que sugerem um crescimento extremamente frágil.  

 

A cena política também em destaque no exterior. Afinal, o Senado dos EUA deve encerrar na quarta-feira o processo de impeachment contra o presidente norte-americano, Donald Trump, colocando o tema em votação, que deve absolvê-lo. Um dia antes, Trump faz o famoso discurso sobre o estado da União no Congresso do país.

 

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia: 

*Horários de Brasília

 

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais divulgações do dia no Brasil, a saber, a pesquisa Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h). Já no exterior, saem índices (PMI e ISM) sobre a atividade industrial na zona do euro e nos EUA, ao longo da manhã. Também serão conhecidas as vendas de automóveis nos EUA. 

 

Terça-feira: A agenda doméstica traz como destaque o desempenho da indústria brasileira em dezembro e no acumulado de 2019. No exterior, os EUA anunciam as encomendas às fábricas ao final do ano passado. Entre os eventos de relevo, está o discurso de Trump sobre o estado da União.

 

Quarta-feira: O dia é de decisão de juros do Copom e de divulgação do resultado trimestral do Bradesco. Já nos EUA, o Senado encerra o julgamento do impeachment de Trump. Entre os indicadores econômicos, saem a pesquisa ADP sobre a geração de emprego no setor privado norte-americano em janeiro e o desempenho do setor de serviços na zona do euro e nos EUA no mês passado, além das vendas no varejo na região da moeda única em dezembro.

 

Quinta-feira: O calendário econômico faz uma pausa hoje e está sem destaques, trazendo apenas dados preliminares sobre o custo da mão de obra e a produtividade nos EUA. Na safra de balanços, saem os resultados de Klabin e Lojas Renner referentes ao quarto trimestre do ano passado. 

 

Sexta-feira: A semana chega ao fim com uma série de divulgações de peso. No Brasil, saem os resultados de janeiro do IGP-DI e do IPCA, enquanto nos EUA serão divulgados os dados do payroll, com a taxa de desemprego no país, o total de vagas criadas e a renda média por hora. Também merecem atenção os estoques no atacado norte-americano. 

 

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