Mercado segue sob pressão

28.02.2020


Fevereiro termina hoje para o mercado financeiro sob forte pressão, o que impede quaisquer ajustes de fim de mês nos ativos globais. Wall Street sinaliza nesta manhã uma continuidade das perdas de ontem, caminhando para o pior desempenho semanal desde a crise de 2008, o que dispara uma forte onda vendedora (sell off) nas bolsas no exterior e pode levar o Ibovespa para abaixo dos 100 mil pontos. Já o dólar tenta ser domado pelo Banco Central, que oferta US$ 4 bilhões em leilão, para conter a alta da moeda, em dia de formação da taxa referencial Ptax.

 

Depois que os três índices acionários das bolsas de Nova York entraram em território de correção ontem, ao caírem mais de 10% do pico recente, podendo encerrar a era do mercado de alta, do touro (bull market), hoje foi a vez da Bolsa de Tóquio entrar nessa região. O temor dos investidores quanto aos danos que a rápida disseminação do coronavírus  causará à economia global levou à queda de quase 4% do índice Nikkei e da Bolsa de Xangai, enquanto Hong Kong caiu 2,5%. As praças europeias também abriram com perdas aceleradas, rumo à maior queda semanal também em 12 anos.

 

De um modo geral, os investidores estão corrigindo os preços das ações e embutindo a previsão de crescimento nulo (ou negativo) no lucro das empresas neste ano. Ao mesmo tempo, não se vê uma busca por proteção em ativos seguros, como o ouro, que cai, nem no dólar, que também perde terreno para as principais moedas rivais, como o euro e o iene, ao passo que o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos segue no mínimo histórico. Já o petróleo amplia as perdas, com o barril tipo Brent perto da faixa de US$ 50.   

 

Choque de oferta

 

O fato é que “ninguém sabe o que faz” “nem para onde vai”, relembrando uma frase clássica do futebol brasileiro. À medida que o aumento dos casos da doença fora da China leva a uma paralisação em massa do comércio e da indústria em várias partes do mundo, cresce o temor de um choque global de oferta - contra o qual os bancos centrais globais pouco podem fazer. 

 

Assim, até mesmo a percepção de que só uma ação coordenada de retomada do ciclo de cortes de juros pelos principais BCs do mundo seria capaz de amortecer os efeitos do coronavírus nos mercados, atenuando os riscos de uma recessão global, é colocada em xeque. Afinal, é cedo para afirmar que os reflexos da doença nos preços de produtos e matérias-primas são realmente desinflacionários - e não em ambos os sentidos. 

 

Da mesma forma, não se pode dizer que estímulos monetários adicionais teriam alguma eficácia contra um choque de oferta - e não de demanda negativa. E é essa possibilidade de uma ruptura grave na cadeia global de suprimentos - nos moldes da crise do petróleo nos anos 70 ou o que só se vê em tempos de guerra ou catástrofes naturais - que deixa o mercado sensível.  

 

Nesse contexto, é difícil ter uma clareza maior do que realmente deve guiar os investidores, que estão sem referência alguma para operar e acabam vislumbrando oportunidades de compra, mesmo sem saber se a correção nos preços dos ativos chegou ao fim. Mas isso não significa que os mercados globais irão escapar ilesos de um ajuste negativo mais intenso ou que já é o momento de virar o jogo e retomar o apetite por risco.

 

O pregão de ontem deixou claro que a volatilidade deve reinar nos negócios globais nos próximos dias, uma vez que as dúvidas quanto aos impactos econômicos do coronavírus ainda são maiores do que as certezas. Então, nesse momento, o vaivém dos mercados é a única certeza, com eventuais repiques sendo precedidos de duros golpes, mesmo após os ativos globais terem sido duramente castigados nesta semana. 

 

Mais um dia de agenda cheia

 

A agenda econômica desta sexta-feira segue carregada de indicadores, no Brasil e no exterior. Por aqui, as divulgações começam cedo, às 8h, quando saem os índices de confiança do empresariado dos setores industrial e de serviços neste mês. Na sequência, às 9h, é a vez dos dados atualizados do mercado de trabalho no país até o mês passado.

 

A previsão é de que a taxa de desocupação da população fique em 11,3%, com a informalidade e o total de trabalhadores por conta própria seguindo em níveis recordes, enquanto a renda média deve continuar girando em torno de R$ 2,3 mil por mês. Depois, às 9h30, saem os dados do BC sobre o resultado primário do setor público em janeiro. 

 

Já no exterior, o calendário norte-americano traz dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo em janeiro, juntamente com o índice de preços PCE, além dos estoques no atacado, todos às 10h30. Também serão conhecidos dados sobre a atividade na região de Chicago (11h45) e a leitura final da confiança do consumidor neste mês (12h).

 

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