Mercado olha para economia

05.05.2020

 
O mercado financeiro deu ontem claros sinais de que está respeitando um intervalo de oscilação, com alta volatilidade e elevada indefinição, sendo que a liquidez injetada pelos bancos centrais sustenta os ativos de risco. A melhora das bolsas de Nova York na reta final do pregão de segunda-feira deixou claro que a correção dos exageros pós-carnaval ocorreu em abril. E, agora, é preciso boas notícias na economia para continuar surfando nesse rali. 

 

Por ora, o sinal positivo prevalece nos mercados internacionais, com os investidores alimentando esperanças em relação ao fim dos bloqueios (lockdown). As principais bolsas europeias abriram em alta, pegando carona na virada de última hora em Wall Street na véspera, depois de passar boa parte da sessão no vermelho. Os índices futuros das bolsas de Nova York seguem no azul nesta manhã, à espera de resultados corporativos. Na Ásia, o pregão permaneceu esvaziado, devido aos feriados no Japão, Coreia do Sul e China.

 

Nos demais ativos, o dólar mede forças em relação às moedas rivais, o que abre espaço para uma recuperação nos preços do petróleo, que já sobe há cinco dias. O barril do tipo WTI tem alta de cerca de 10% e é cotado acima de US$ 20, reagindo à notícia de que algumas petrolíferas norte-americanas reduziram a produção em meio à queda da demanda. Já o barril do tipo Brent, a referência global, avança um pouco menos.  

 

Portanto, os investidores não parecem mais tão incomodados com o aumento das tensões entre Estados Unidos e China sobre a disseminação do coronavírus no mundo e percebem que se trata de um jogo de cena político, já que a estratégia do presidente norte-americano, Donald Trump, para vencer a eleição é culpar o país asiático de tudo. Pequim, por sua vez, se prepara para a mais difícil reação internacional contra a China desde 1989. 

 

É a economia

 

Com isso, as atenções se voltam ao cenário econômico, tentando mensurar o tamanho do impacto da pandemia na atividade. A agenda do dia reserva para hoje novas informações sobre esses efeitos, trazendo dados sobre a indústria brasileira em março e o setor de serviços dos EUA em abril. Ambos devem mostrar leituras bastante fracas, mas à medida que o lockdown vai chegando ao fim, especialmente nas economias de países desenvolvidos, essas impressões começam a desaparecer. 

 

Porém, o principal temor é de que a queda da atividade econômica global seja ainda maior que a estimada, resultando em um ritmo de recuperação mais lento que o imaginado. Nesse processo, obstáculos como desemprego elevado, destruição da renda, falência das empresas e restrição ao crédito dão a sensação de que a retomada pode demorar ainda mais.

 

No Brasil, o resultado dos bancos Bradesco e Itaú, que deram um salto na provisão para devedores duvidosos (PDD) e, consequentemente uma queda ao redor de 40% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, ajuda a elucidar o que se pode esperar para a economia brasileira nos próximos meses. E o sinal é bastante preocupante, pois indica que foi preciso dar um reforço na proteção contra calotes diante dos impactos da pandemia. 

 

Portanto, maio deve ser um mês para se andar com cautela. Após os ajustes, desde que o mercado financeiro teve um choque de realidade e viu que o coronavírus se tratava de um “cisne negro” sobrevoando os negócios, o que imprimiu fortes perdas nos ativos globais até março, resta saber se a crista da onda dessa “banda” de oscilação foi atingida em abril e, agora, dificilmente irá surfar acima dessa faixa.

 

A ver, então, se o comportamento dos mercados no exterior nesta manhã irá influenciar os negócios locais, após os ajustes no Ibovespa e no dólar na volta do feriado prolongado. Por aqui, é grande a expectativa em torno do conteúdo do depoimento do ex-ministro Sergio Moro, prestado à Polícia Federal no último sábado. Ontem, ele pediu que fosse retirado o sigilo, permitindo a divulgação de trechos dos “fatos relevantes” e de “interesse público”. 

 

Atividade em destaque

 

No caso da produção da indústria nacional, espera-se um tombo de 6% em relação a fevereiro, interrompendo duas altas consecutivas e dando os primeiros sinais das medidas de isolamento social na atividade. Em base anual, a expectativa é de queda de 2%, no quinto resultado negativo seguido. Os resultados oficiais serão conhecidos às 9h.   

 

Depois, as atenções se voltam a agenda norte-americana, que traz os índices PMI (10h45)  e ISM (11h) sobre o desempenho do setor de serviços, que foi o mais afetado pela parada econômica repentina. Ainda assim, os números efetivos podem não capturar adequadamente a mudança das condições de negócios nos diversos segmentos do setor. Também merecem atenção os números da balança comercial dos EUA em março (9h30). 

 

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