Mercado fecha o semestre

30.06.2020

 
No último dia do mês - e, de quebra, do segundo trimestre e do primeiro semestre - os investidores devem se dedicar aos ajustes finais, rebalanceando seus portfólios e já se preparando para os próximos seis meses de 2020. Esse movimento tende a inibir correções mais acentuadas nos preços dos ativos de risco, mas deve aguçar a volatilidade do mercado financeiro hoje. 

 

Com isso, o noticiário e a agenda do dia devem ficar em segundo plano. Ainda mais depois que ficou claro ontem que o mercado financeiro vive um dilema. Os investidores não sabem se dão maior importância à aceleração da pandemia de covid-19, que pode provocar novos solavancos na economia global, ou se seguem abrigados debaixo da excessiva liquidez jorrada pelos bancos centrais. 

 

Diante dessa dúvida entre os milhões de casos de coronavírus no mundo e os trilhões de dólares injetados no sistema financeiro, merece atenção hoje o depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em comitê na Câmara dos Estados Unidos, a partir das 13h30, que pode lançar luz para a reta final de 2020. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, também deve participar da audiência. 

 

Afinal, com a doença mostrando um aumento significativo no número de infectados nos EUA e cravando sucessivos recordes desde que teve início o processo de reabertura da economia norte-americana, seria importante compreender quanto mais dinheiro o Fed e a Casa Branca estão dispostos a imprimir para tentar estimular (estabilizar) a situação no país. Essa é a pergunta-chave para a dinâmica dos mercados na virada da folhinha. 

 

Só assim, os investidores poderão saber se os trilhões de dólares lançados por bancos centrais e governos podem ficar à frente dos milhões de casos de coronavírus. Porém, seis meses após o primeiro alerta sobre a covid-19, a pandemia “nem está perto do fim”. Segundo a OMS, “o pior ainda está por vir”, o que mantém aceso o sinal de alerta no mercado financeiro, limitando altas mais expressivas dos ativos de risco.

 

Exterior indefinido

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leves baixas, diante dos riscos que o aumento de casos de coronavírus podem provocar na economia dos EUA, freando a retomada. Ainda assim, Wall Street deve encerrar junho no campo positivo, mas o destaque é a valorização de mais de 4% da Nasdaq, a bolsa de empresas de tecnologia, o que deixa evidente que o mundo pós-coronavírus é ainda mais digital. 

 

Na Europa, as principais bolsas iniciaram o dia sem uma direção definida, sustentando os ganhos acumulados no mês, mas sem forças para ir além. Já na Ásia, o rali da véspera em Nova York conduziu os mercados da região, com os ganhos liderados por Tóquio (+1,3%). Xangai subiu 0,8%, digerindo o avanço da atividade dos setores industrial e de serviços da China em junho.

 

O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) sobre a indústria chinesa subiu ao maior nível em três meses, a 50,9 em junho, de 50,6 em maio, impulsionado pela melhora da demanda. A previsão era de ligeira oscilação em baixa, para 50,5. Já o PMI oficial do setor de serviços na China avançou para a máxima em sete meses, a 54,4 neste mês, de 53,6 no mês passado, beneficiado pela expansão dos serviços ligados à cadeia produtiva. 

 

Nos demais mercados, ainda se percebe a preocupação com o agravamento da crise de coronavírus e eventuais novos danos na economia global, mesmo com o Fed e outros bancos centrais injetando quantias sem precedentes no sistema financeiro. Assim, o rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos (T-note) está estável, o dólar se fortalece e o ouro também. Já o petróleo recua.  

 

Agenda cheia

 

Além do depoimento de Powell aos deputados do Comitê de Serviço Financeiros, a agenda econômica dos EUA traz também dados sobre o setor imobiliário em abril (10h), sobre a atividade na região de Chicago em junho (10h45) e o índice de confiança do consumidor norte-americano neste mês (11h). 

 

Ainda no exterior, logo cedo, sai a prévia deste mês do índice de preços ao consumidor na zona do euro, enquanto, no fim do dia, é a vez da leitura final de junho do índice dos gerentes de compras (PMI) sobre a atividade industrial na China. Já no Brasil, o destaque fica com os dados da Pnad sobre o mercado de trabalho.

 

A expectativa é de que a taxa de desocupação atinge o maior nível para o período entre março e maio desde 2017, subindo a 13%, alcançando também o resultado mais elevado do ano. A abertura do dado deve mostrar número alarmantes sobre o emprego formal e informal, a população desalentada, bem como nos rendimentos dos trabalhadores. 

 

Os números efetivos serão conhecidos às 9h. Antes, às 8h, sai o índice de confiança do setor de serviços em junho. Depois, às 9h30, é a vez da nota do Banco Central sobre a política fiscal em maio, com dados sobre o resultado das contas públicas no período. 

 

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