Mercado digere vaivém do Judiciário

10.07.2018

 

O episódio de domingo envolvendo o ex-presidente Lula deixou claro que ele não deve ser solto às vésperas das eleições presidenciais. Essa percepção tende a animar o mercado doméstico nesta terça-feira, com os negócios locais voltando a funcionar com maior vigor após o feriado em São Paulo ontem e com o fim da Copa do Mundo para o Brasil.

 

Ainda assim, o imbróglio jurídico em torno do pedido de soltura de Lula ampliou o sentimento de insegurança no país, em meio a um bate-rebate entre juiz, desembargadores e ministros da Suprema Corte (STF) sobre o futuro do ex-presidente. Por mais que seja pequena a possibilidade de o petista - líder nas pesquisas de intenção de voto - disputar o pleito em outubro, o cenário eleitoral continua incerto, pesando nos ativos locais.

 

Nos levantamentos recentes, Jair Bolsonaro dá sinais de que alcançou um teto e tem dificuldade em superar os 20% entre o eleitorado. Ciro Gomes e Marina Silva parecem mais competitivos. Geraldo Alckmin, por sua vez, não consegue decolar, enquanto Henrique Meirelles busca suporte do tempo de TV e dos rincões do (P)MDB espalhados pelo país.

 

Mas o mundo político ainda espera uma definição do PT sobre quem será o candidato do partido, uma vez que a Lei da Ficha Limpa impede Lula de concorrer. Aliás, a alegação de que o petista estava impedido de participar de eventos como os demais pré-candidatos à presidência foi um dos motivos que levaram o desembargador do tribunal da 4ª região (TRF-4) Rogério Favreto a conceder liberdade provisória ao ex-presidente no domingo.

 

O dia seguiu entre idas e vindas até chegar à decisão final, feita pelo presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, de manter o ex-presidente preso. Tal negativa, ocorrida após o juiz de primeira instância Sergio Moro interromper as férias e quebrar a hierarquia do Judiciário - assim como fez o desembargador Favreto, ao revogar a decisão de um colegiado - trouxe um ingrediente a mais à instabilidade política nacional.

 

Houve ainda uma pitada extra de desprestígio da Justiça brasileira, com o cidadão cada vez mais descrente também neste Poder - que parece estar fazendo política, com base nas leis. Com o Brasil se tornando um Estado pária aos olhos dos estrangeiros, os investidores não se devem esquecer do embate comercial entre os dois maiores parceiros econômicos do país.

 

Por ora, a escalada das tensões entre Estados Unidos e China tem feito pouco estrago no mercado internacional, com os investidores ainda se perguntando se Donald Trump é capaz de vencer essa guerra. Mas a questão é que tal disputa afeta a cadeia global de suprimentos, elevando os preços ao consumidor e prejudicando o crescimento econômico.

 

Os indicadores desta semana no exterior podem lançar luz sobre essa perspectiva. No fim da semana, a China publica os dados da balança comercial em junho, que já devem mostrar uma desaceleração nas exportações, em meio às restrições comerciais. Ontem à noite, o gigante emergente anunciou acelerou nos preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) chinês.

 

O CPI interrompeu dois meses seguidos de estabilidade e subiu 1,9% em junho em relação a um ano antes, de +1,8% em maio. Os preços de itens não alimentícios saltaram 2,2%, em base anual, mas o aumento em ovos e vegetais também pesou na inflação no varejo. Já no atacado, o PPI avançou 4,7% no mês passado, de +4,1% no mês anterior.

 

Ambos os indicadores ficaram acima das expectativas Os EUA também anunciam os números sobre a inflação ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) norte-americano, amanhã e quinta-feira, respectivamente. O comportamento dos preços é monitorado pelo Federal Reserve, que segue firme no novo plano de elevar a taxa de juros mais duas vezes neste ano.

 

Mas é a temporada de balanços nos EUA que concentra as atenções de Wall Street, mantendo um sinal positivo em Nova York desde ontem, o que garantiu uma sessão positiva na Ásia hoje. A safra começa com os resultados trimestrais dos bancos JPMorgan e Citigroup. Já na Europa, a turbulência em torno do Brexit pesa nas bolsas e moedas da região.

 

A libra esterlina tenta se estabilizar, à medida que a primeira-ministra britânica Theresa May tenta reaver o controle do governo, após a renúncia de dois de seus principais ministros em apenas um dia. Na Ásia, o yuan (renminbi) está de lado, um dia após registrar a maior queda desde março. Já o petróleo avança acima de US$ 74 por barril. O cobre também sobe.    

 

No Brasil, a divulgação das vendas no varejo (quinta-feira) e do volume de serviços (sexta-feira) em maio contribuem para avaliar o impacto da greve dos caminhoneiros na economia. Além do tamanho da queda nesses setores, é importante observar a capacidade de recuperação nos meses subsequentes, em meio à retomada lenta da atividade doméstica.

 

Na agenda interna do dia, destaque apenas para os números da safra agrícola (9h). Também merece atenção a decisão de juros na vizinha Argentina, em anúncio a ser feito pelo Banco Central local no fim da tarde (17h). A expectativa é de manutenção da taxa em 40%, com o país seguindo na liderança do ranking como maior pagador de juros reais do mundo.

 

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