Mercado dá o benefício da dúvida

07.01.2020

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O mercado financeiro tem mostrado grande resiliência à turbulência geopolítica no Oriente Médio, adotando o modo de “esperar para ver” o que vai acontecer após a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã. Essa postura reflete movimentos comedidos entre os ativos de risco, mesmo aqueles que tiveram bom desempenho em 2019, como as bolsas.   

 

Tanto que, após uma sessão positiva em Wall Street ontem, as principais bolsas asiáticas encerraram o pregão de hoje em alta, uma vez que a tensão geopolítica segue elevada, mas não subiu mais. Tóquio liderou os ganhos, com +1,6%. Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York seguem no azul, animando a abertura do pregão europeu, em meio à demora na resposta de Teerã. 

 

Porém, relatos de que o país persa avalia 13 cenários diferentes em retaliação à morte de seu principal líder militar reduz o apetite por risco no exterior. Afinal, não convém duvidar do ímpeto de vingança do Irã. Fala-se que a mais fraca dessas opções seria um "pesadelo histórico" para os EUA. Com isso, o ouro e os títulos norte-americanos (Treasuries) reverteram as perdas e voltaram a subir. Já o petróleo recua, em meio à alta do dólar. 

 

Ainda assim, não há uma forte onda vendedora (sell off), desencadeada por um sentimento de aversão ao risco. Ao contrário, o que se vê, por ora, são os investidores aproveitando o momento para realizar lucros, colocando no bolso parte dos ganhos acumulados no ano passado. Ao mesmo tempo, esses players aproveitam para assumir novas posições. 

 

Tensão no radar 

 

Não é de hoje que a tensão no Oriente Médio está na radar do mercado financeiro. O sinal de alerta foi aceso desde os incidentes no ano passado, envolvendo navio-petroleiros no Estreito de Ormuz e petrolíferas sauditas. Além disso, sabe-se que o presidente Donald Trump está de olho na popularidade, com vistas ao processo de impeachment e à reeleição.

 

Tudo vai depender, então, da duração e da extensão do conflito entre EUA e Irã - dimensões ainda difíceis de serem medidas. Isso sem falar dos prováveis aliados, dos dois lados. Daí, então, a natural cautela do mercado, dada a falta de previsibilidade, enquanto os riscos e as incertezas se avolumam. 

 

Por isso, é preciso separar os efeitos de curto prazo dos impactos de longo prazo. O impacto mais evidente, neste momento, tem sido nos preços do petróleo. Porém, se confirmada, uma tendência de alta acentuada da commodity pode gerar mais inflação e menos crescimento no cenário global à frente. 

 

O governo brasileiro estaria preparando mudanças contra a alta do petróleo, de modo a evitar um choque de preços, mas sem interferir na Petrobras. Mas, primeiro, o país terá de se explicar ao Irã, após o Itamaraty divulgar nota em apoio aos EUA e à luta contra o terrorismo. A representante do Brasil em Teerã foi convocada para dar explicações. 

 

Calmaria antes da tempestade

 

A agenda econômica desta terça-feira está sem destaques no Brasil, antecedendo uma série de indicadores relevantes sobre atividade e inflação que saem a partir de amanhã. Já no exterior, merece atenção o índice ISM do setor de serviços nos EUA em dezembro (12h).

 

Destaque também para os números da zona do euro, logo cedo, sobre as vendas no varejo em novembro e a prévia da inflação ao consumidor neste mês. O calendário norte-americano traz também o resultado da balança comercial (10h30) e as encomendas às fábricas (12h) no país, ambos referentes ao mês de novembro.

 

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