Mercado com os nervos à flor da pele

08.08.2018

 

Os dados ainda robustos da balança comercial da China em julho mostraram que tanto a demanda doméstica quanto a internacional continuam ignorando a incerteza em torno da guerra comercial com os Estados Unidos. Mas os mercados lá fora já estão preocupados com a sobretaxa de 25% em mais US$ 16 bilhões de produtos chineses daqui a duas semanas.

 

Essa tensão no cenário externo é apenas um ingrediente a mais de volatilidade ao mercado financeiro doméstico hoje, que já vem sentindo os efeitos da corrida eleitoral apertada e permeada de incertezas. O comportamento dos negócios locais ontem à tarde foi apenas um aperitivo do que as eleições são capazes de provocar até outubro.

 

Rumores envolvendo o candidato preferido dos investidores, o tucano Geraldo Alckmin, geraram um forte onda vendedora (sell off) dos ativos brasileiros, descolando o ambiente doméstico do exterior. O movimento trouxe de volta a lembrança de quão incerto (e aberto) está o cenário sobre quem será o presidente do Brasil a partir de 2019.

 

Um dos boatos, de que o candidato do PSDB seria, enfim, envolvido em uma delação no âmbito da Operação Lava Jato não se confirmou. A delação seria de Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa e ex-secretário de governo, atingindo diretamente Alckmin.

 

Mas, ao que tudo indica, a imprensa tradicional não dará espaço para possíveis denúncias - a não ser que elas possam causar embaraço aos atuais líderes nas pesquisas, Jair Bolsonaro e Lula. Aliás, outro boato envolvia os números da pesquisa CNT/MDA, que serão conhecidos às 11h.

 

O levantamento foi feito apenas em São Paulo com cerca de 2 mil eleitores, entre 28 de julho e 3 de agosto, e o rumor da véspera era de que o ex-governador do Estado não estaria tão bem quanto apontado pelo último Ibope, ficando atrás do ex-prefeito da capital Fernando Haddad.

 

Outro temor suficiente para assustar o mercado foi o de que o ex-presidente poderia participar do debate na TV entre presidenciáveis, amanhã, ou ao menos ser autorizado para conceder entrevistas pela internet como candidato. Por ora, sabe-se que é Haddad quem deve fazer campanha em nome de Lula, ao lado de Manuela D’Ávila, do PCdoB - a “vice de fato”.

 

Ou seja, a piora acentuada da Bolsa brasileira, que encerrou a sessão em queda de quase 1% ontem, e a arrancada do dólar, que avançou em relação ao real pelo segundo dia consecutivo, deixa claro que o momento é para os especuladores. Somente a possibilidade de algum desses boatos se transformar em fato provocou uma fuga do risco do mercado local.

 

De contundente, houve apenas uma grande ordem de compra nos negócios com juros futuros (DIs), o que içou as taxas com vencimentos intermediários. Porém, com o giro mais reduzido desde o mês passado por causa das férias de verão no hemisfério norte, qualquer ordem mais robusta por parte de um investidor graúdo acaba distorcendo as cotações.

 

Ainda assim, o noticiário em torno das eleições presidenciais tende a seguir em primeiro plano no mercado financeiro doméstico, relegando a agenda de indicadores e eventos econômicos. Com isso, os investidores estão mesmo interessados é na pesquisa CNT/MDA, que pode ou não confirmar ao menos um dos boatos de ontem.  

 

Nem mesmo o índice oficial de preços ao consumidor (9h) em julho deve ter relevância nos negócios locais, uma vez que a firme desaceleração do IPCA, para a faixa de 0,30%, em pouco deve contribuir no debate sobre os próximos passos do Banco Central na condução da taxa de juros. Em 12 meses, o indicador deve seguir ao redor de 4,4%.

 

No mesmo horário, também serão conhecidos números sobre o custo na construção civil. Antes, sai o resultado do mês passado do IGP-DI (8h) e, depois, é a vez dos dados sobre a entrada e saída de dólares no país (12h30). Na safra de balanços, destaque para os números trimestrais de Gerdau, antes da abertura do pregão, e Braskem, após o fechamento local.  

 

Já no exterior, a China surpreendeu com as exportações crescendo mais que o esperado, em 12,2% em termos dolarizados e na comparação anual, ante previsão de alta de 10%. As importações saltaram 27,3%, acelerando o ritmo em relação ao avanço de 14,1% no mês anterior, na mesma base. Com isso, o superávit comercial chinês alcançou US$ 28 bilhões.

 

Os dados mostram que o maior exportador do mundo ainda está se beneficiando da robusta demanda global, mas a troca crescente de ameaças e o aumento das barreiras comerciais com os EUA pesam sobre as perspectivas, sinalizando que o pior ainda está por vir. As apostas são de que haverá um efeito tarifário na balança comercial chinesa em agosto.

 

Tanto é que a Bolsa de Xangai encerrou a sessão em queda, de 1,3%, e o yuan chinês só ganhou terreno em relação ao dólar após o Banco Central local (PBoC) afirmar que busca uma estabilização cambial. A autoridade monetária da China estaria pedindo aos maiores bancos nacionais para evitar qualquer “comportamento de manada” capaz de afetar o dinamismo no câmbio, tornando mais cara as apostas na queda da moeda local.

 

O renminbi acumulou queda de quase 7% nos últimos três meses, na maior desvalorização entre as moedas asiáticas. Nesta manhã, porém, o dólar mede forças ante os demais rivais, sendo que euro e libra estão de lado, enquanto a lira turca volta a cair. Nas bolsas, as principais praças europeias não exibem um rumo único, divididas entre a queda das mineradoras e a alta do setor de tecnologia.  

 

Nas commodities, o petróleo e os metais básicos têm leves ganhos. Em Wall Street, os índices futuros das bolsas também estão na linha d’água, mas sinalizam uma abertura mais fraca, em meio à agenda econômica esvaziada nos EUA. No fim do dia, a China volta à cena para anunciar os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) no mês passado.

 

 

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