Mercado aguarda acordo comercial entre EUA e China

13.01.2020

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O fim de semana foi de protestos no Irã, após o país admitir que abateu por engano o avião ucraniano, levando manifestantes a exigirem a renúncia de líderes. O ato elevou a tensão entre Teerã, Londres e Washington, mas, por ora, trata-se de uma questão político-social localizada, com o mercado financeiro voltando o foco para o noticiário econômico. 

 

E os próximos dias prometem ser intensos, em meio à expectativa pela assinatura da fase um do acordo comercial entre Estados Unidos e China e da série de indicadores econômicos relevantes, no Brasil e no exterior. À espera desses eventos, os investidores mantêm o otimismo nos negócios. 

 

O sinal positivo prevaleceu no pregão asiático, apesar de Tóquio permanecer fechada, por causa de um feriado, e de um vulcão interromper a sessão nas Filipinas. Xangai subiu 0,75% e Hong Kong avançou 0,99%, sendo que o yuan chinês (renminbi) foi negociado abaixo da faixa de 6,90 por dólar pela primeira vez desde julho. 

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York também amanheceram no positivo, embalando a abertura da sessão europeia. Nos demais mercados, os ativos seguros perdem terreno, com os títulos norte-americanos (Treasuries), iene e o ouro perdendo terreno, ao passo que o petróleo avança, mas o barril do tipo WTI segue abaixo de US$ 60.    

 

Fase um

 

Os investidores monitoram a chegada da delegação chinesa em Washington hoje para participar da cerimônia de assinatura do acordo inicial sino-americano, na quarta-feira. A expectativa é de que sejam divulgados detalhes, já que pouco se sabe sobre o que ficou acertado neste primeiro termo, que parece não ter nenhuma consistência.

 

Sabe-se que a fase um do acordo inclui a promessa chinesa de elevar as compras de produtos dos EUA, principalmente agrícolas, em troca do fim das tarifas originalmente programadas para meados de dezembro e da redução de outras já existentes. E só. Questões mais delicadas, como sobre propriedade intelectual, estão em suspenso.

 

A expectativa é de que esse e outros assuntos mais polêmicos sejam discutidos ao longo de reuniões semestrais. Do lado norte-americano, as negociações serão conduzidas pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, enquanto o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, segue à frente das tratativas do lado de Pequim. 

 

De qualquer forma, novidades sobre a próxima etapa de negociação só devem ser conhecidas após as eleições presidenciais norte-americanas. Ainda que as rodadas de conversas entre os dois países tenham início logo após a assinatura dessa primeira fase do acordo, nada deve ser selado antes de novembro.  

 

Qué pasa?

 

Já no Brasil, a primeira semana cheia de 2020 foi marcada pela queda de quase 2% do Ibovespa, que só subiu no primeiro pregão deste ano e caiu nos outros seis, e por uma valorização ao redor de 1% do dólar, que voltou a se aproximar da marca de R$ 4,10. O movimento foi na contramão de Wall Street, que chegou a cravar recorde triplo no período.

 

Também chamaram a atenção as renovadas saídas de capital externo da Bolsa brasileira. Os investidores estrangeiros mantiveram o ritmo de retirada e, em apenas cinco pregões, sacaram pouco mais de R$ 3 bilhões da renda variável doméstica. O único dia em que houve entrada de recursos, no dado atualizado até o último dia 8, foi em 3 de janeiro. 

 

A continuidade do baixo apetite do “gringo” manteve o dólar pressionado e frustra a expectativa de realocação de recursos externos nos ativos locais neste mês. Ao que tudo indica, os investidores estrangeiros seguem atentos ao viés liberal-reformista do governo - após a “mão pesada” do presidente Jair Bolsonaro interferir na cobrança de tarifas do cheque especial nos bancos públicos - e aos indicadores econômicos domésticos.

 

A queda maior que a esperada da indústria em novembro, encerrando uma sequência de três altas seguidas, combinada com a inflação “salgada” ao final de 2019 - e acima da meta pela primeira vez após dois anos - acendeu o sinal de alerta nos negócios. A dúvida recai no ritmo de reação da atividade, em um momento de preços mais pressionados. 

 

Nesse ambiente, o Banco Central pode adotar uma postura mais cautelosa na condução da taxa básica de juros, tornando incerto um corte adicional na Selic neste início de 2020. O placar está dividido entre 50% de chance de manutenção e 50% de queda residual, de 0,25 ponto, em fevereiro. E o impacto da decisão no Ibovespa e no dólar pode ser relevante.

 

Afinal, se o BC cortar o juro básico novamente, renovando o piso, a pressão sobre a moeda norte-americana deve aumentar, diante da menor atratividade pelo diferencial de juros. Ao mesmo tempo, a renda variável pode receber fôlego novo para subir mais, rumo a topo mais altos. 

 

A questão que começa a entrar em evidência é se a recuperação econômica brasileira conseguirá manter o ritmo, sem gerar inflação, o que favorece uma Selic estável por um período prolongado. Ou se qualquer crescimento moderado da economia pode acelerar ainda mais os preços, fazendo com que a taxa de juros tenha de subir em breve.

 

Agenda intensa na semana

 

Aliás, dados de atividade ao redor do mundo recheiam a agenda econômica desta semana. No Brasil, a partir de amanhã, saem o desempenho do setor de serviços e das vendas no varejo em novembro, além do índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), que compila os números do setor produtivo, na ótica da oferta. 

 

Merece atenção o resultado do comércio varejista brasileiro no mês marcado pela Black Friday, data que tem impulsionado as vendas, em meio aos megadescontos. No exterior, os números das vendas no varejo nos EUA saem na quinta-feira e referem-se ao mês do Natal, indicando o ritmo de compras durante as festas de fim de ano.

 

Um dia depois, na sexta-feira, é a vez da produção industrial norte-americana ao final de 2019. Também será conhecido o desempenho da indústria na zona do euro. Além disso, a agenda dos EUA traz dados sobre a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), amanhã e quarta-feira, respectivamente.

 

Mas o destaque fica mesmo com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da China no último trimestre do ano passado e no acumulado de 2019. Os números, que devem ser conhecidos na noite de quinta-feira, serão importantes para medir o ritmo da desaceleração da segunda maior economia do mundo.

 

Ainda assim, o resultado do ano passado deve ficar dentro da meta estabelecida por Pequim, de expansão entre 6% e 6,5%. Em 2018, a economia chinesa cresceu 6,6%, desacelerando-se em relação ao ano anterior (+6,7%) e registrando o desempenho mais fraco desde 1990. 

 

Além disso, os maiores bancos dos EUA começam a divulgar seus resultados financeiros, referentes ao quatro trimestre e ao acumulado de 2019, a partir de terça-feira. A previsão é de que a safra norte-americana seja marcada pelo recuo no lucro das empresas pelo segundo trimestre consecutivo, com o crescimento anual sendo o menor em três anos.

 

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia: 

*Horários de Brasília

 

Segunda-feira: A agenda econômica doméstica começa com as tradicionais publicações do dia, a saber, o relatório de mercado Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h). No exterior, o calendário do dia está mais fraco durante o dia, mas é esperada a divulgação da balança comercial chinesa, à noite.

 

Terça-feira: O IBGE divulgado o desempenho do setor de serviços em novembro. No exterior, destaque para o índice de preços ao consumidor nos EUA (CPI). Na safra de balanços norte-americana, saem os resultados trimestrais dos bancos Citigroup, JPMorgan e Wells Fargo.

 

Quarta-feira: Mais um indicador sobre a atividade doméstica, desta vez, sobre as vendas no varejo em novembro, está em destaque. Nos EUA, é a vez da inflação ao produtor (PPI). Além disso, o Federal Reserve publica o Livro Bege, enquanto Bank of America e Goldman Sachs divulgam seus balanços trimestrais. Já na zona do euro, sai o desempenho da indústria em novembro.

 

Quinta-feira: O Banco Central divulga seu índice de atividade econômica (IBC-Br). Também sai o primeiro IGP de janeiro, o IGP-10. Já no exterior, saem as vendas no varejo dos EUA em dezembro. Mas o destaque fica com o resultado do PIB da China, no fim do dia, que será divulgado juntamente com os dados da indústria e do varejo chinês em dezembro.

 

Sexta-feira: A semana chega ao fim com a agenda econômica doméstica esvaziada hoje. Já no exterior, destaque para a produção industrial norte-americana em dezembro. Também serão conhecidos dados do setor imobiliário nos EUA e a prévia deste mês sobre o sentimento do consumidor. Na zona do euro, sai a inflação ao consumidor. 

 

 

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