Medidas de BCs e governos alimentam esperança no mercado

20.03.2020

 
O mercado financeiro está confiante de que as medidas que vêm sendo adotadas pelos governos somadas aos esforços coordenados dos bancos centrais no combate à pandemia de coronavírus irão surtir efeito. Com isso, os investidores saem do modo pânico e já ensaiam uma recuperação global dos ativos de risco, acreditando que o pior já passou. 

 

Esse sentimento sustenta o sinal positivo nas bolsas no exterior, com os índices futuros das bolsas de Nova York exibindo ganhos acelerados, de mais de 3%, o que favorece uma abertura no azul na Europa, após uma sessão de alta na Ásia. Já o dólar interrompe uma sequência de valorização frente às moedas rivais, beneficiando o petróleo, enquanto os bônus norte-americanos (Treasuries) avançam.

 

Tal comportamento dos mercados internacionais hoje deve ampliar o alívio dos negócios locais visto já ontem, com o Ibovespa podendo reaver a faixa dos 70 mil pontos. O dólar, por sua vez, seguiu acima de R$ 5,00 pelo quarto pregão consecutivo, apesar das intervenções do BC com leilões para oferecer liquidez e proteção (hedge) da moeda norte-americana.

 

Ou seja, os investidores voltam a se mover em direção ao risco, acreditando que os estímulos globais sem precedentes irão proteger a economia mundial de uma recessão severa causada pela pandemia de coronavírus. Porém, isso não significa que os ativos irão retornar para o ponto onde estavam, como se tudo já estivesse normal, pois a dúvida sobre quanto tempo irá durar a atual crise econômica ainda paira no ar. 

 

Ainda é cedo

 

Afinal, o vírus continua rodando o mundo e a evolução da doença fora da China, com o surgimento de novos casos nos Estados Unidos e na Europa, mostra que o ponto de inflexão da curva de contágio ainda está longe - inclusive no Brasil - podendo até ficar endêmico em alguns lugares. Há ainda o risco de “casos importados” onde já não tem mais transmissão local, como é o caso do país asiático, que deve evitar o retorno da infecção. 

 

Mas onde tudo começou a vida já pode voltar ao normal. O premiê chinês, Li Keqiang, disse em reunião de líderes que a maior parte da China é considerada de baixo risco e deve, portanto, voltar ao trabalho e retomar as atividades. Segundo ele, quaisquer barreiras ao fluxo de pessoas e bens nessas áreas devem ser removidas, concentrando as rígidas restrições a viajantes que chegam ao país.

 

Aqui no Brasil, o governo vai restringir a entrada de estrangeiros da Europa e da Ásia, enquanto a capital paulista restringe o comércio a partir de hoje. Medidas contra o contágio também causam impactos no Rio. E a Argentina entrou em quarentena total desde meia-noite. Na Califórnia, o governador pediu a todos para ficar em casa, enquanto o número de mortos na Itália já ultrapassou os da China.

 

Ou seja, o restante do mundo vive hoje o que a China sofreu três meses atrás e o êxito no combate à doença vai depender da eficácia do que é feito para conter a disseminação do vírus. Portanto, ainda é cedo para dizer que o mercado financeiro já chegou ao fundo do poço, pois sempre dá para cavar mais. O receio é de que os ativos ainda podem cair muito, antes de que o pico da pandemia seja alcançado. Ao mesmo tempo, os investidores devem chegar ao piso antes dos primeiros sinais de uma recuperação econômica.

 

Até lá, o mercado financeiro continuará tentando encontrar um ponto de equilíbrio, mas seguirá sujeito a sobressaltos. O comportamento errático das bolsas brasileira e em Nova York nesta semana mostra que a volatilidade segue vigente, com um dia de fortes perdas sendo seguido por um repique, com intensidade bem menor na alta.  

 

Esses movimentos abruptos tendem a ser acalmados só quando (se) houver algum remédio e/ou vacina eficientes. Tanto que ontem a notícia de que a hidroxicloroquina, usada contra a malária, pode servir para tratar pacientes com o novo coronavírus alimentou esperanças entre os investidores.

 

Afinal, se tal essa medicação for mesmo efetiva, os ativos de risco também tendem a se “curar”, sob a proteção de uma liquidez adicional de trilhões de dólares em estímulos lançados, principalmente, pelo Federal Reserve e o Banco Central Europeu (BCE). Mas o otimismo de hoje pode virar o pessimismo de amanhã.

 

Semana termina com agenda fraca

 

A semana chega ao fim sem divulgações relevantes. No Brasil, sai apenas a prévia da confiança da indústria em março (8h). Já nos EUA, será conhecidos mais dados do setor imobiliário no mês passado (11h). 

 

Please reload

Posts Destacados

Mercado mostra indiferença, mas monitora riscos

02.06.2020

1/6
Please reload

Posts Recentes

25.05.2020

22.05.2020

Please reload

Posts Relacionados
Please reload

Inscreva-se 

Receba as principais notícias por e-mail.

 

  • Facebook Long Shadow
  • LinkedIn Long Shadow

Por favor, insira um email válido

© 2015  Olívia Bulla By ImageLab.