Haddad pede passagem

25.09.2018

 

O mercado financeiro brasileiro abre o pregão reagindo aos números do Ibope, que reduziu para seis pontos a distância entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad na corrida presidencial, mostrando também uma vitória do PT contra o PSL no segundo turno. Os investidores refazem as apostas em torno das eleições, enquanto digerem a ata da reunião da semana passada do Banco Central, que condicionou o início do processo de alta da Selic ao resultado nas urnas. No exterior, os negócios já se preparam para um novo aperto na taxa de juros dos Estados Unidos.   

 

Por aqui, a pesquisa do Ibope mostrou que Haddad foi o único candidato a crescer, passando de 19% para 22%, vindo de 4% em agosto, enquanto Bolsonaro ficou estacionado em 28%, de 20% no fim do mês passado. Ciro Gomes manteve os 11% da semana passada, distanciando-se do segundo lugar, enquanto Geraldo Alckmin oscilou de 7% para 8%.

 

Marina Silva segue em queda e foi de 6% para 5%, oscilando dentro da margem de erro, depois de ocupar a vice-liderança até o início de setembro. Já o porcentual de votos brancos e nulos foi de 14% para 12%.

 

Em meio a campanhas contrárias ao candidato do PSL nas redes sociais, a rejeição a ele subiu quatro pontos em apenas sete dias, passando de 42% para 46%. No caso de Haddad, o índice foi de 29% para 30%. Além disso, o impacto dos ataques feitos por adversários também fizeram Bolsonaro perder para todos os rivais nas simulações em segundo turno - exceto Marina, com quem empata com 39%.

 

Contra o rival mais próximo no primeiro turno, o PT passou a ter vantagem, levando a melhor com 43% contra 37%, sendo que na simulação anterior entre Haddad e Bolsonaro no segundo turno cada um tinha 40%. Não se trata, portanto, nem de uma situação de empate técnico no embate final nem de vitória em primeiro turno do PSL - como se tem propalado por aí.

 

Os números do Ibope mostram é que a disputa segue acirrada para o pleito em 7 de outubro. Ainda assim, é evidente a tendência de alta de Haddad, apenas duas semanas após o registro da candidatura oficial do PT e em meio à transferência de votos do ex-presidente Lula, além dos efeitos de três semanas de horário eleitoral em rádio e TV.

 

O levantamento foi realizado no sábado e domingo com 2,5 mil eleitores em quase 180 cidades. Amanhã, será divulgado um novo Ibope, desta vez, encomendado pela CNI. Hoje, saem os números de institutos de menor peso, como o Sensus. Na sexta-feira, tem um novo Datafolha, que vai a campo a partir de quinta-feira.

 

É válido lembrar que mercado financeiro vê o PT e os partidos de esquerda como menos comprometido com o ajuste das contas públicas e as reformas econômicas. Em contrapartida, Bolsonaro tem conquistado a simpatia dos investidores, em detrimento a Alckmin, por causa das ideias liberais de seu ainda provável ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

Com isso, os investidores devem colocar no preço dos ativos brasileiros o risco de o PT reassumir o Palácio do Planalto, dois anos depois de ter deixado o poder e faltando apenas 13 dias (ou nove pregões) para a votação em primeiro turno. Há quem diga que, se Haddad for eleito, o dólar irá a R$ 5,00 e a Bolsa iria sucumbir, voltando à faixa dos 60 mil pontos - no curto prazo, o que abre espaço para oportunidades.

 

Diante de um cenário eleitoral ainda bastante incerto e com os agentes econômicos piorando, aos poucos, as estimativas para o dólar, que pode contaminar o cenário para a inflação, o mercado financeiro brasileiro vislumbra boas razões para o BC começar a elevar a taxa básica de juros em breve. A previsão é de uma alta moderada, de 0,25 ponto, já no mês que vem.

 

Essa percepção deve ser corroborada pela autoridade monetária na ata da reunião da semana passada, a ser divulgada logo cedo (8h). No documento, o Copom deve reforçar a visão de que a atividade econômica ainda necessita de estímulos, mas que os riscos à inflação, vindos da pressão sobre o dólar e nos países emergentes, podem provocar uma alta dos juros.

 

Nos EUA, o Federal Reserve continua liderando o processo de normalização monetária entre as economias desenvolvidas e deve elevar a taxa de juros mais uma vez neste mês, no terceiro aumento do ano. A alta no custo do empréstimo no país somada à deterioração nas relações comerciais com a China eleva a tensão com o crescimento econômico global.

 

Por ora, a paisagem do mercado financeiro internacional segue clara, sem sinais de correção, em meio ao cenário mais desafiador que se aproxima. Wall Street continua sendo negociada em território recorde pela primeira vez desde janeiro, mas já começa a mostrar um fôlego mais curto para alongar a escalada.

 

Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d’água, oscilando ora em alta, ora em baixa, o que não prejudica a abertura positiva das bolsas europeias, que se afastam da sessão negativa na Ásia. A região ainda comemora a chegada do Outono (no Hemisfério Norte), o que mantém boa parte dos mercados fechada.

 

Nos demais mercados, chama atenção a cotação do barril do petróleo, que é cotado nos maiores níveis em quatro anos. Já o rendimento (yield) do título norte-americano de 10 anos (T-note) sustentava acima da faixa de 3% e o dólar está estável, neste primeiro dia de reunião do Fed. A decisão sobre a taxa de juros norte-americana será conhecida amanhã e, em seguida, o presidente do BC dos EUA, Jerome Powell, concede uma entrevista coletiva.

 

Espera-se que ele atualize as projeções para a economia norte-americana para os próximos anos. Os investidores já esperam um aperto adicional nos juros dos EUA em 2019 e um ritmo menos gradual no processo, em meio à expectativa de alta nos preços ao consumidor por causa da tarifação em bens chineses e a retórica protecionista adotada pelo governo Trump, ao passo que a China não parece estar abalada.

 

Ainda na agenda econômica, saem as leituras regionais sobre a inflação ao consumidor (IPC-S) até a terceira semana deste mês (8h) e também dados sobre o custo e a confiança no setor de construção civil neste mês. No exterior, o calendário norte-americano traz dados sobre os preços de imóveis em julho (10h) e a confiança do consumidor neste mês (11h).

 

 

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