Ebulição política traz volatilidade ao mercado

23.08.2018

 

Encerrada a divulgação em série das pesquisas eleitorais no início desta semana, a volatilidade deve continuar reinando no mercado financeiro. A recuperação dos ativos brasileiros ensaiada ontem pode ter pouca força, tendo ainda um cenário externo desafiador.

 

A cautela tende, então, a predominar nos negócios locais. Ainda mais após os recentes números sobre a corrida presidencial consolidarem um cenário de liderança do ex-presidente Lula e a falta de tração do candidato que mais agrada aos investidores, Geraldo Alckmin.

 

Apesar da provável impugnação da candidatura do líder petista, preso desde abril após condenação em segunda instância, por causa da Lei da Ficha Limpa, há grande possibilidade de Lula transferir boa parte do votos para o vice, Fernando Haddad.

 

Com isso, cada vez mais o mercado começa a antecipar um segundo turno entre PT e PSL. Caso a conjuntura siga assim, Jair Bolsonaro deve cair nas graças dos investidores, por causa da escolha do economista Paulo Guedes para o, então, Ministério da Economia.

 

Aliás, o então beato Salu nos tempos de previsões catastróficas sobre o Plano Cruzado e agora Chicago boy que prega o progresso das ideias liberais, irá participar hoje de uma entrevista na GloboNews (23h), para falar das propostas de Bolsonaro para a área econômica.

 

Será uma oportunidade, agora que o deputado decidiu não mais participar de novos debates eleitorais durante a campanha, contrariando o que havia dito em junho. Pode ser que haja “exceção”, segundo o presidente em exercício do PSL.   

 

Com isso, o tema eleitoral deve continuar a fazer preço no mercado doméstico. Ainda assim, merece atenção a prévia de agosto da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA-15), que deve registrar a menor taxa para o mês desde 2010, com alta de 0,1%.

 

Porém, a taxa acumulada em 12 meses deve seguir próxima ao centro da meta de inflação deste ano, de 4,5%, ficando em 4,3%. O resultado efetivo será conhecido às 9h e talvez não influencie os negócios, uma vez que a escalada do dólar para além de R$ 4,00 pode bater na inflação à frente, pressionando a trajetória por ora bastante comportada.

 

Cientes disso, os investidores são praticamente unânimes em prever uma alta moderada na taxa básica de juros, de 0,25 ponto, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro. Ainda que que tal movimento não se confirme e o Banco Central mantenha a Selic estável por mais uma reunião, a comunicação da autoridade monetária terá de mudar.

 

Afinal, o encontro seguinte do Copom, em outubro, acontece dias após a definição das eleições presidenciais, caso a disputa vá para o segundo turno. Se esperar o resultado nas urnas, o BC não terá tempo de calibrar as apostas e pode dar um novo contrapé no mercado.

 

Já em relação ao câmbio, os investidores avaliam, por ora, que a autoridade monetária está certa em não intervir na cotação do dólar, deixando a moeda norte-americana flutuar livremente acima de R$ 4,00. A questão é se trata de um cenário bem diferente de maio.

 

Naquela época, o BC enxergou movimentos especulativos e se disse pronto para agir, ofertando liquidez para onde houvesse demanda. O dólar, então, se acalmou e respeitou a faixa entre R$ 3,70 e R$ 3,80. Agora, é um momento de reprecificação, diante das expectativas frustradas em relação ao cenário eleitoral que estavam embutidas nos ativos.

 

De volta à agenda econômica doméstica, a FGV traz dados (8h) sobre a confiança do consumidor em agosto e dados regionais da inflação. No exterior, saem leituras preliminares da atividade na indústria e no setor de serviços nos Estados Unidos e na zona do euro, ao longo da manhã.

 

Também serão conhecidos os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA (9h30) e dados do setor imobiliário norte-americano em julho (11h). Mas o destaque lá fora fica com o início do simpósio do Federal Reserve em Jackson Hole.

 

A expectativa recai no discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, amanhã, que pode esclarecer a mensagem deixada ontem na ata da reunião do BC dos EUA, de que a guerra comercial pode interromper o ciclo de altas nos juros. O documento reiterou o aumento no próximo encontro, em setembro, mas deixou em aberto uma quarta alta, em dezembro.

 

À espero do encontro dos principais banqueiros centrais em Wyoming, o dólar ganha terreno, avançando em relação às moedas rivais pela primeira vez em seis dias, o que enfraquece as commodities. Entre os destaques de baixa, estão o rand sul-africano e o dólar australiano.

 

O euro também recua, antes da ata da última reunião do Banco Central Europeu (8h). Já as bolsas exibem desempenho misto. Nova York oscila na linha d’água, sem viés definido, enquanto a Europa ensaia ganhos, após uma sessão sem direção única na Ásia.

 

Como pano de fundo, permanecem as tensões envolvendo o drama legal na Casa Branca e a guerra comercial entre EUA e China. As conversas envolvendo autoridades de baixo escalão de Pequim e Washington geram pouca expectativa de solução no conflito, enquanto os episódios em torno da campanha de Donald Trump em 2016 são acompanhados.

 

 

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