EUA e China selam paz e agenda ganha destaque

14.01.2020

*Para ouvir um resumo dessas principais notícias do dia, acesse o podcast


Os números da balança comercial chinesa abrem o dia do mercado financeiro e realçam os motivos que levaram a segunda maior economia do mundo a assinar um acordo preliminar de comércio com os Estados Unidos, amanhã. Apesar do aumento das exportações em dezembro e no acumulado de 2019, a queda das vendas de produtos à América mostra o impacto da guerra comercial na China.

 

Do outro lado, também é do interesse de Washington suavizar as relações com Pequim. Tanto que o Departamento do Tesouro norte-americano recuou da decisão do ano passado, dizendo em comunicado ontem que a China não deve mais ter o rótulo de manipuladora cambial e que o país irá evitar desvalorizar sua moeda para fins competitivos. 

 

Trata-se de um movimento importante, que ocorre às vésperas da assinatura da fase um do acordo comercial sino-americano. Ainda assim, esse noticiário não impulsiona o mercado internacional. As bolsas de Xangai e de Hong Kong fecharam em queda de -0,3%, cada, ao passo que o sinal negativo predomina entre os índices futuros das bolsas de Nova York, deixando indefinida a abertura do pregão europeu. 

 

Já o yuan chinês (renminbi) segue cotado nos maiores níveis desde julho, enquanto o iene caiu abaixo da faixa de 110 por dólar. A libra continua pressionada, enquanto o euro flutua. A moeda norte-americana também ganha terreno em relação às moedas correlacionadas às commodities, ao passo que o barril do petróleo tipo WTI segue cotado abaixo de US$ 60. 

 

Os investidores digerem também o crescimento acima do esperado das exportações (+7,6%) e importações (+16,3%) chinesas em dezembro, recuperando-se dos dados fracos do mês anterior. No acumulado de 2019, porém, as vendas externas de produtos chineses tiveram ligeira alta de 0,5%, enquanto as compras feitas no exterior caíram 2,8%, em termos dolarizados, gerando um superávit comercial de US$ 421,5 bilhões. 

 

A União Europeia (UE) continuou sendo o maior parceiro comercial da China, ao passo que os EUA caíram para terceiro lugar, após um recuo de 11% das exportações chinesas ao país, em moeda local, ficando atrás de países do sudeste asiático. A expectativa é de que as relações comerciais sino-americanas melhorem com a assinatura do acordo comercial.

 

Após a disputa tarifária afetar a relação entre as duas maiores economias, o mercado financeiro prevê um fortalecimento da atividade global, com a trégua na guerra comercial evitando uma desaceleração abrupta do crescimento. Se for bem implementada, a fase um do acordo pode evoluir em novas etapas, aprofundando-se em questões mais polêmicas. 

 

Ao mesmo tempo, o calendário de eventos e indicadores econômicos do dia também ganha destaque.

 

Atividade no Brasil, inflação e balanços nos EUA

 

A agenda econômica desta terça-feira traz poucas, porém relevantes, divulgações. No Brasil, destaque para o desempenho do setor de serviços em novembro (9h). A previsão é de estabilidade em base mensal, interrompendo uma sequência de crescimento nos quatro meses anterior. Já na comparação com um ano antes, deve haver alta ao redor de 2%. 

 

Os números tendem a influenciar as expectativas sobre o rumo da taxa básica de juros, após a frustração com o produção industrial no mesmo período. Além do setor de serviços, o desempenho das vendas no varejo, amanhã, e o indicador de atividade do Banco Central (IBC-Br), na quinta-feira, devem calibrar as apostas para a Selic em fevereiro.

 

Diante do menor otimismo com a retomada econômica doméstica, é crescente a perspectiva de um novo corte de 0,25 ponto no mês que vem, para 4,25%. Essa possibilidade pressiona o dólar, que superou ontem a marca de R$ 4,10, ao mesmo tempo em que eleva a atratividade da renda variável, com o Ibovespa voltando a seguir o exterior. 

 

Aliás, lá fora, merece atenção o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) em dezembro (10h30), mas o dado não deve ter influência sobre o viés suave (“dovish”) do Federal Reserve. Na safra de balanços norte-americana, os bancos Citigroup, JPMorgan e Wells Fargo divulgam seus resultados trimestrais, antes da abertura do pregão.

 

 

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