Deflação, Desemprego e Guerra Comercial no radar

08.05.2020

 
A semana chega ao fim com o mercado financeiro atento aos dados oficiais em abril do índice de preços ao consumidor brasileiro (9h) e sobre o mercado de trabalho norte-americano (9h30). Antes, porém, os investidores já começam o dia animados com a notícia sobre negociações comerciais entre Estados Unidos e China, o que pode animar os ativos domésticos, apesar da sucessão de crises criadas no governo Bolsonaro.

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta firme, ao redor de 1%, embalando a abertura do pregão europeu, apesar da ausência dos negócios em Londres, por causa de um feriado. Na Ásia, também prevaleceu o sinal positivo. Nos demais mercados, o petróleo e o minério de ferro sobem, enquanto o dólar perde força. 

 

Esse apetite por risco no exterior é sustentado por relatos de que o representante comercial dos EUA Robert Lighthizer e o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, entraram em contato com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He e os dois lados se comprometeram em criar condições favoráveis para implementar a fase um do acordo comercial.

 

Foi a primeira conversa oficial entre os representantes comerciais desde que o termo preliminar foi assinado, em janeiro deste ano. A ligação telefônica ocorreu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou encerrar o acordo, caso a China não comprasse os bens e serviços prometidos dos EUA. 

 

Apesar da mensagem de que o telefonema sobre o comércio entre as duas maiores economias do mundo foi “construtivo”, a notícia serve de lembrete que a guerra comercial deve voltar ao radar assim que for encerrada a pausa no mundo por causa da pandemia de coronavírus. Aliás, o tema deve andar ao lado da retórica eleitoral de Trump. 

 

No Brasil, o governo continua colecionando crises. Após a visita inesperada ao Supremo Tribunal Federal (STF) ontem, que foi vista como forma de pressionar o Judiciário para que as medidas de isolamento social nos estados sejam amenizadas, o presidente Jair Bolsonaro polemizou novamente e disse que fará um churrasco amanhã.

 

Segundo ele, o evento deve reunir cerca de 30 pessoas e contraria, mais uma vez, as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de isolamento social durante a pandemia, o que acaba confundindo a população. Bolsonaro disse ainda que quer visitar a mãe, que mora na região do Vale do Ribeira, nas próximas semanas. 

 

Enquanto isso, o país passou ontem de 135 mil casos confirmados de Covid-19, subindo para o oitavo lugar no ranking da pandemia. Mais de 9 mil pessoas já morreram em decorrência da doença, o que coloca o Brasil em sexto lugar na lista dos países que mais contabilizam óbitos devido ao coronavírus.

 

IPCA e Payroll definem o dia

 

Mas o que deve definir o rumo dos mercados no dia são os indicadores econômicos de peso a serem conhecidos logo cedo. Diferentemente das últimas divulgações, o IPCA deve mostrar um cenário de deflação no Brasil, enquanto o payroll deve refletir o elevado desemprego nos EUA, ambos já sob forte impacto da pandemia de coronavírus. 

 

Nos números, o IPCA deve cair 0,2%, com a taxa acumulada ficando no limiar do intervalo de oscilação perseguido pelo Banco Central (+2,5%), enquanto o payroll deve mostrar o fechamento de mais de 20 milhões de vagas nos Estados Unidos. Assim, a taxa de desemprego na maior economia do mundo deve subir para mais de 15%.   

 

O foco dos investidores deve estar no cenário que esses números desenham, uma vez que as apostas são de uma recuperação econômica rápida. Só que, ao que tudo indica, trata-se de algo sem precedentes, o que descarta as chances de retomada nos formatos “V”, “W”, “U” ou “L”. Nessa sopa de letrinhas, apenas o “D”, de depressão, parece ganhar força. 

 

No caso brasileiro, parece surreal falar em deflação ao mesmo tempo em que a moeda local sofre desvalorização de 40%. Aliás, ontem, o dólar teve mais uma sessão de recordes e só fechou abaixo de R$ 5,85 por causa da atuação do Banco Central no mercado futuro (swap cambial). Mas, em algum momento, ou a inflação ou o câmbio irá convergir - palpite? 

 

Ainda mais se o Brasil continuar sem entregar crescimento econômico algum e não conseguir estabilizar o lado fiscal. Afinal, o primeiro sinal de uma depressão diz respeito à dívida, com o rombo das contas públicas, que já era elevado, se tornando insustentável e aumento o risco de insolvência.

 

Já no caso dos EUA, está claro que a eficácia da política monetária se esgotou, apesar dos trilhões de dólares injetados pelo Federal Reserve. Mesmo com a reabertura econômica em algumas partes do país, mais de 30 milhões de pessoas perderam o emprego desde o início da pandemia - o dobro do total de trabalhadores desempregados durante a crise de 2008. 

 

Ou seja, todo o boom do emprego nos EUA em uma década foi anulado em apenas um único mês. Além disso, a incerteza em relação à possibilidade de uma segunda onda de contágio do coronavírus até o fim do ano deixa muitas perguntas sobre a recuperação econômica global sem resposta. 

 

Agenda cheia

 

Além do IPCA e do payroll, a agenda econômica do dia traz também o resultado do mês passado do IGP-DI (8h), que deve desacelerar em relação à alta acelerada registrada em março. Nos EUA, saem também os estoques no atacado em março (11h). Já na Europa, merece atenção a reunião do Eurogrupo.  

 

 

 

 

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