Dólar e coronavírus trazem cautela

14.02.2020

 
O mercado financeiro chega ao final da semana elevando a cautela, diante da incerteza em torno dos casos de coronavírus na China e do desconforto causado pela fala polêmica do ministro Paulo Guedes (Economia), que levou o Banco Central a agir para segurar o dólar abaixo de R$ 4,40. Os investidores evitam se expor ao risco, deixando os negócios de lado.

 

Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em leve alta, tentando embalar o pregão europeu, que sofre com a estagnação da economia alemã ao final de 2019, e após uma sessão mista na Ásia. Os investidores digerem os dados mais recentes sobre a doença na China, após um aumento menor de casos, de pouco mais de 5 mil, embora ainda bem maior que o crescimento apontado com a metodologia anterior. 

 

Com isso, os casos confirmados de coronavírus na China já ultrapassam 60 mil, sendo que ainda existem 10 mil casos suspeitos. Entre os infectados, 1,7 mil fazem parte da equipe médica. O total de mortes também subiu menos, em 121, mas os óbitos já estão próximo a 1,4 mil, sendo seis médicos, enquanto pouco mais de 7 mil pessoas se curaram. Em reação aos números, Tóquio caiu 0,6%, enquanto Xangai e Hong Kong tiveram leve alta.

 

Fora da província de Hubei, a situação parece estar controlada, com o número de novos casos caindo por nove dias seguidos, o que permite que as pessoas retomem suas atividades. Já na região onde está localizada a cidade de Wuhan, epicentro do surto da doença, o cenário ainda é incerto, diante do aumento das medidas de prevenção e controle.

 

E quanto mais tempo a China demorar para voltar a operar a pleno vapor, maior tende a ser o impacto na economia (interna e global). Além do impacto já esperado no consumo, turismo e nos serviços, a maior preocupação fica com a cadeia global de suprimentos, afetando a produção de vários países e a logística do comércio internacional. 

 

A decisão do governo de adiar a divulgação de dados oficiais sobre a atividade em janeiro prolongam essa incerteza. Esperava-se para hoje os números dos setores industrial e de serviços, além dos investimentos em ativos fixos no período. E por mais que se saiba que os indicadores virão negativos, há certo receio em projetar uma rápida recuperação depois.  

 

Nos demais mercados, o petróleo é negociado em alta pela terceira sessão seguida, na mais longa sequência desde janeiro, ao passo que o ouro também avança e o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos de 10 anos (T-note) cai, em meio à maior busca por proteção. Já o dólar mede forças em relação às moedas rivais.

 

Dollar is the new black

 

A ver, então, como será o comportamento do mercado doméstico, que já sentiu certo desconforto com o ruído político causado pela declaração de Guedes sobre o câmbio alto. Com o governo não mostrando nenhuma preocupação com a desvalorização do real, os investidores resolveram testar novos níveis do dólar.

 

A moeda norte-americana cravou nova máxima histórica na sessão pelo quinto dia seguido, acima de R$ 4,38, o que acabou acionando uma atuação do BC, com a oferta de US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial. Foi a primeira atuação desse tipo desde o fim de agosto de 2018, o que ajudou a acalmar os negócios locais. 

 

Com isso, a autoridade monetária anunciou para hoje mais uma venda de até US$ 1 bilhão no mercado futuro, sinalizando que ainda não há necessidade de suprir a demanda por moeda no mercado à vista. O BC informou também que dará sequência às rolagens de contratos de swap cambial que vencem em abril. 

 

Essas operações visam aliviar uma renovada pressão no dólar esperada para hoje, com os investidores buscando proteção (hedge) na moeda estrangeira, diante do exterior mais avesso ao risco e de mais um indicador sobre a atividade econômica doméstica, que pode ampliar as expectativas por um novo corte na Selic ainda neste ano. 

 

Semana termina com agenda cheia

 

A agenda econômica desta sexta-feira segue carregada de divulgações relevantes. No Brasil, o destaque fica com o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) em dezembro, que faz um compilado dos números da indústria, do comércio e de serviços, além do agronegócio, no período. 

 

Com isso, após a frustração com o desempenho desses setores, a previsão é de ligeira queda em base mensal (-0,2%), mas aumento (1%) no confronto anual. Os dados efetivos serão conhecidos às 9h. Antes, às 8h, sai o primeiro IGP deste mês, o IGP-10. Na safra de balanços, saem os resultados trimestrais de Usiminas (pela manhã) e Cosan (à noite). 

 

Já no exterior, dados de atividade também estão em destaque. Logo cedo, a zona do euro publica uma leitura revisada do Produto Interno Bruto (PIB) da região ao final de 2019, enquanto nos EUA saem os dados sobre as vendas no varejo (10h30) e a produção industrial (11h15), ambos referentes ao mês passado. 

 

O calendário norte-americano traz ainda os preços de importação e de exportação em janeiro (10h30), os estoques das empresas em dezembro (12h) e a prévia deste mês da confiança do consumidor (12h). 

 

 

 

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