Dólar a R$ 4,20 preocupa mais que PIB chinês

17.01.2020

 

A China cresceu um pouco menos em 2019. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês teve alta de 6,1% no ano passado, seguindo no ritmo mais lento desde 1990, após expansão de 6,6% em 2018 e de +6,7% em 2017. Essa perda de tração da segunda maior economia do mundo aciona o sinal de alerta no mercado financeiro, mas, no Brasil, a preocupação está com o número do dólar, que se aproximou da marca de R$ 4,20 ontem.

 

A moeda norte-americana vem sendo influenciada por uma conjuntura essencialmente doméstica, que envolve a possibilidade de o Banco Central seguir com o ciclo de corte dos juros, em meio ao cenário ainda confortável da inflação e à frustração com atividade. Por isso, o mercado doméstico pode passar ao largo do ambiente externo hoje, com a decepção com o ritmo de retomada da economia brasileira prevalecendo nos negócios locais.

 

Lá fora, o resultado do PIB chinês dentro da meta estabelecida por Pequim para o ano passado, entre 6% e 6,5%, combinado com números mais fortes sobre a atividade na China em dezembro, serve de alívio aos investidores. A produção industrial cresceu 6,9% em relação a um ano antes, acima da previsão de alta de 5,9%, enquanto as vendas no varejo avançaram 8%, de +7,9% estimados. Já os investimentos fixos aceleraram pela primeira vez desde junho, para +5,4%.

 

Essa melhora da atividade chinesa na reta final de 2019 resultou em uma alta de 6% do PIB no quarto trimestre de 2019, repetindo a expansão verificada nos três meses anteriores. Essa estabilização somada à trégua na guerra comercial entre EUA e China, após a assinatura da fase um do acordo, reaviva a confiança do mercado financeiro. 

 

Com isso, as principais bolsas asiáticas fecharam em alta, pegando carona em mais uma sessão recorde em Wall Street. Tóquio e Hong Kong subiram 0,4%, cada, enquanto Xangai ficou de lado, com +0,05%. No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York seguem no positivo nesta manhã, sinalizando a continuidade do rali, o que embala a abertura do pregão europeu. 

 

Nos demais mercados, o yuan chinês (renminbi) subiu a 6,86 por dólar, nos maiores níveis desde meados do ano passado. A moeda norte-americana mede forças em relação aos rivais, monitorando o comportamento dos bônus dos EUA (Treasuries), em meio a planos de lançar um novo título, com prazo de 20 anos. Entre as commodities, o petróleo sobe, mas o barril do WTI segue abaixo de US$ 60.       

 

O quarteto

 

Esse cenário externo mais otimista pode não se refletir no Brasil, com os investidores assimilando a decepção com a atividade. Após a frustração com os dados do IBGE sobre o desempenho da indústria, do varejo e do setor de serviços em novembro, cresceram as chances de novo corte na Selic na primeira reunião do Banco Central neste ano, no mês que vem. 

 

Na visão do mercado financeiro, o BC brasileiro tem se mostrado confortado com a inflação, apesar de o índice oficial de preços ao consumidor (IPCA) ter encerrado 2019 acima do centro da meta pela primeira vez desde 2016. A preocupação da autoridade monetária parece estar concentrada no ritmo de recuperação da atividade doméstica.

 

Mesmo com o resultado levemente acima do esperado do índice de atividade compilado pelo BC (IBC-Br), que apontou ligeira alta contrariando a previsão de leve queda no mês, a mensagem é a mesma: a retomada da economia brasileira segue lenta e gradual. Com isso, existe a possibilidade de o PIB brasileiro desacelerar ao final de 2019.

 

Tal cenário reforça a chance de ajuste adicional no juro básico em fevereiro, com o BC entregando mais um corte, desta vez, de 0,25 ponto. O problema é que o diferencial de juros pago por aqui ficaria ainda menos atrativo, com o Brasil caminhando para entrar no time de países com juro real negativo.

 

Esse cenário afugenta o investidor estrangeiro que, até então, vinha apostando na aceleração do crescimento e na pausa do alívio monetário. E a frustração dessa expectativa dos “gringos” explica porquê o dólar encostou-se à marca de R$ 4,20. A ver, então, como o BC irá manejar a política cambial, após “queimar” 10% das reservas no ano passado.

 

Indústria nos EUA em destaque

 

A semana chega ao fim com a agenda econômica esvaziada no Brasil, trazendo apenas leituras regionais sobre a inflação ao consumidor em meados deste mês, logo cedo. Já no exterior, o calendário traz como destaque o desempenho da indústria nos EUA em dezembro (11h15).

 

A previsão é de acomodação da produção industrial norte-americana, com +0,2%, depois de saltar 1,1% em novembro, vindo de uma queda de 0,9% em outubro. Antes, às 10h30, saem dados sobre a construção de moradias no mês passado (10h30). Depois, às 12h, é a vez do relatório Jolts sobre as contratações e demissões nos EUA em novembro.

 

No mesmo horário, sai a prévia deste mês do sentimento do consumidor nos EUA, medido pela Universidade de Michigan. Já na zona do euro, destaque para a leitura final do índice de preços ao consumidor em dezembro, que deve confirmar o aumento da inflação na região da moeda única na reta final de 2019.

 

Porém, a recém-empossada presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, parece aproveitar o período de lua de mel com o mercado, sem se preocupar com decisões imediatas de política monetária. Por ora, a pressão inflacionária recente significa que não há espaço para estímulos adicionais, nem urgência em apertar os juros tão logo.

 

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