Copom segue cartilha dos BCs

18.06.2020

 
O Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou-se alinhado à estratégia dos principais bancos centrais no mundo e reduziu a taxa básica de juros pela oitava vez seguida, em 0,75 ponto, renovando o piso histórico para 2,25%. O tom ainda suave (“dovish”) no comunicado que acompanhou a decisão indica que a porta permanece aberta para ajuste adicional na Selic, porém em uma dose (bem) menor - e já no próximo encontro, em agosto.   

 

Porém, o BC brasileiro reconhece que o espaço remanescente para novos cortes no juro básico para além da reunião seguinte é “incerto” e “deve ser pequeno”, principalmente por causa da trajetória fiscal no país, ainda que o cenário econômico impactado pela pandemia da Covid-19 prescreva estímulo monetário “extraordinariamente elevado”. Dito isso, a Selic deve encerrar 2020 em 2% - e não deve cair abaixo disso.

 

Sem muita surpresa, então, o mercado financeiro deve reagir de forma mais contida à decisão do Copom - com o dólar tendo algum suporte na faixa de R$ 5,00 - diante da percepção de que a política monetária entregou, talvez, até mais do que poderia para incentivar a economia doméstica em um cenário pós-coronavírus. Portanto, não será apenas um juro básico no mínimo recorde que irá reerguer a atividade nem o consumo, o emprego ou a renda.

 

Com isso, os indicadores econômicos do país continuarão refletindo os estragos que a Covid-19 vem causando. Aliás, o BC volta à cena hoje, logo cedo (9h), para divulgar o índice de atividade econômica (IBC-Br) em abril. A previsão é de queda de dois dígitos, nas duas bases de comparação, o que corrobora a perspectiva de tombo da economia brasileira (PIB) no segundo trimestre deste ano, também próximo a 10%.

 

Queda de braço

 

Já no exterior, os mercados internacionais amanheceram no vermelho. Os investidores disputam uma queda de braço entre a colossal liquidez global jorrada e o temor de uma segunda onda de contágio de Covid-19, cientes de que a injeção de recursos pelos BCs serve apenas para amortecer os impactos nos ativos de risco provocados pela pandemia e, dificilmente, irá garantir uma recuperação econômica sustentada ou em forma de “V”.

 

Com isso, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em baixa, sinalizando uma continuidade das perdas vistas na sessão regular ontem, o que prejudica a abertura das praças europeias, após um pregão asiático igualmente sem brilho. O ressurgimento de casos de coronavírus na China e nos Estados Unidos, bem como preocupações geopolíticas na Ásia pesam nos negócios.

 

Porém, não se observa uma busca desenfreada por proteção em ativos seguros, com o dólar medindo forças em relação às moedas rivais, sem um rumo único, ao passo que o juro projetado pelos títulos norte-americanos de 10 anos (T-note) oscila ao redor de 0,7%. Já o petróleo está de lado, com o barril dos tipos WTI e Brent rondando a marca de US$ 40. O ouro também está na linha d’água. 

 

Assim, perde força o rali estelar visto recentemente, em meio à esperança de que o pior da recessão econômica por causa da pandemia tinha ficado para trás. Os níveis crescentes de infecções por Covid-19 no mundo e a ausência de cura/tratamento eficaz no combate à doença sugerem que a reversão de quase todas as perdas registradas em março foi um exagero e que a volatilidade é provavelmente a única certeza do mercado financeiro nos próximos meses.

 

Agenda segue cheia

 

Mais um Banco Central anuncia sua decisão de política monetária hoje, desta vez, o BC da Inglaterra (BoE), às 8h. A expectativa é de manutenção dos juros próximos a zero, em 0,10% - portanto, ainda sem adotar taxas negativas - acompanhada de aumento em 200 bilhões de libras no programa de recompra de ativos, ampliando a potência dos estímulos já lançados para 645 bilhões de libras no total. 

 

Entre os indicadores econômicos, merecem atenção os pedidos semanais de seguro-desemprego feitos nos EUA (9h30), que devem manter a tendência de desaceleração. Ainda assim, as solicitações acumuladas no período de quatro semanas tendem a seguir elevadas, atendendo cerca de 25 milhões de pessoas desempregadas.

 

O número ecoa o alerta feito pelo presidente do Fed, Jerome Powell, de que o dano causado pela pandemia de coronavírus no mercado de trabalho dos EUA tende a ser de longo prazo - ou até permanente. Afinal, as reivindicações acumuladas sugerem que poucas pessoas voltaram ao trabalho, içando a taxa de desemprego para perto de 20%.

 

Ainda no calendário econômico norte-americano, saem os indicadores antecedentes de atividade no mês passado (11h). Já no Brasil, também será conhecida a segunda prévia deste mês do IGP-M (8h).

 

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