À espera do Fed

10.06.2020

 

A véspera de feriado no Brasil é marcada pela decisão de juros nos Estados Unidos (15h), o que reduz o ímpeto do mercado financeiro nesta manhã. Apesar do consenso de que o Federal Reserve deve manter a taxa básica na faixa entre zero e 0,25%, a reunião ganha importância por causa das diretrizes (guidance) na condução da política monetária, à medida que a economia norte-americana se reabre e se recupera.

 

O Fed cortou o custo do empréstimo nos EUA para o limite inferior próximo a zero (zero-lower-bound) em meados de março, quando a crise de coronavírus atingiu em cheio os ativos de risco globais, e se mostrou duramente contrário à adoção de taxa de juros negativas. A dúvida, agora, é saber como a autoridade monetária irá agir, diante dos sinais de rápido retorno da atividade norte-americana, após a parada forçada pela pandemia. 

 

Por isso, o foco dos investidores está concentrado no chamado gráfico de pontos (dot plot), que traz as estimativas do Fed para as principais variáveis macroeconômicas (PIB, desemprego e inflação) neste e nos próximos anos. Será a primeira vez em 2020 que essas projeções serão divulgadas, pois a publicação do documento é trimestral e não ocorreu em março, quando o cenário estava turvo por causa da Covid-19.  

 

A divulgação do dot plot também será às 15h. Logo depois, merece atenção a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell (15h30), que deve sinalizar que há um longo caminho para a volta da normalidade, apesar da surpreendente recuperação do mercado de trabalho (payroll) em maio, pois ainda não se pode mensurar quão profunda foi a retração nem quão forte será a recuperação. O tom na fala dele deve seguir suave (“dovish”), mostrando a disposição em manter os estímulos monetários por algum tempo. 

 

Em stand-by

 

À espera dos eventos envolvendo o Fed, os índices futuros das bolsas de Nova York e as principais praças europeias avançam, após uma sessão mista na Ásia, onde Tóquio e Hong Kong oscilaram em alta, mas Xangai caiu (-0,4%). O dólar, por sua vez, perde terreno para as moedas rivais, mas o petróleo recua assim como o rendimento dos títulos dos EUA (Treasuries), em meio à discussão sobre controle da curva de juros (yield-curve control).

 

Esse comportamento no exterior devem influenciar os negócios locais antes do feriado de Corpus Christi, que fecha o mercado amanhã no Brasil. Ontem, o dia foi de realização de lucros por aqui, com o Ibovespa interrompendo uma sequência de sete altas consecutivas, ao passo que o dólar pausou as últimas quedas e subiu, mas fechou abaixo da marca de R$ 4,90. Já os juros futuros ficaram de lado, aguardando os eventos econômicos do dia. 

 

Entre os indicadores já conhecidos, a queda no índice de preços ao produtor (PPI) e a inflação ao consumidor (CPI) abaixo do esperado na China em maio refletiram a demanda enfraquecida e o recuo nos preços de commodities e alimentos, ainda sob impacto da pandemia. O PPI chinês caiu 3,7% no mês passado, após recuar 3,1% em abril, ante previsão de -3,2%. Já o CPI chinês avançou 2,4%, de +3,3% no mesmo período, e expectativa de +2,6%. 

 

Dia de agenda cheia

 

Índices de preços ao consumidor no Brasil (IPCA) e nos Estados Unidos (CPI) em maio também serão conhecidos hoje. Por aqui, a expectativa é de que o IPCA registre deflação pelo segundo mês seguido, podendo alcançar o resultado mais baixo na história do indicador, caso caia mais que 0,51%. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses deve ficar abaixo de 2% e, portanto, do piso do intervalo de tolerância perseguido pelo BC, de 2,5%. 

 

Trata-se do último indicador econômico relevante a ser conhecido antes da reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece na semana que vem. A expectativa do mercado financeiro é de nova queda de 0,75 ponto percentual (pp), o que levaria a Selic ao novo mínimo histórico de 2,25%. Após certa confusão na interpretação dos investidores sobre o limite inferior (lower bound), esse corte pode ser o último do ciclo.

 

Os números efetivos do IPCA serão conhecidos às 9h e são o grande destaque da agenda doméstica, que traz também os dados sobre a entrada e saída de dólares no Brasil na primeira semana de junho (14h30). O chamado fluxo cambial pode indicar se os aportes de capital externo na Bolsa brasileira representam a chegada de “dinheiro novo”, após os “gringos” colocarem pouco mais de R$ 3 bilhões na renda variável local neste início de mês. 

 

Já no exterior, também merece atenção o índice de preços ao consumidor nos EUA, que deve abandonar o terreno negativo e orbitar ao redor de zero, após ter em abril a maior queda desde dezembro de 2008, com o núcleo do indicador, que exclui itens voláteis, registrar tombo histórico. Os dados serão conhecidos às 9h30. Depois, o calendário norte-americano traz também os estoques semanais de petróleo bruto e derivados (11h30).  

 

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