Agenda cheia agita o dia

05.08.2020

 
A agenda carregada de indicadores e eventos econômicos relevantes deve agitar o vaivém do mercado financeiro hoje, que segue ávido por um novo pacote fiscal nos Estados Unidos, mas que ainda deve levar alguns semanas para sair. Enquanto aguardam uma rodada extra de dinheiro novo vinda da Casa Branca, os investidores digerem dados de atividade e emprego no exterior e aguardam estímulos monetários adicionais no Brasil. 

 

E o dia começa com uma desaceleração no setor de serviços na China. O índice dos gerentes de compras (PMI) medido pelo Caixin caiu a 54,1 em julho, após alcançar o maior nível em quase 10 anos em junho (58,4), refletindo a queda da demanda externa diante da aceleração de casos de covid-19 mundo afora. Mas o consumo interno sustentou o dado acima da linha de 50, que indica expansão da atividade, pelo terceiro mês seguido.

 

Na Ásia, o pregão foi misto, com altas moderadas em Xangai (+0,2%) e em Hong Kong (+0,7%), enquanto Tóquio caiu (-0,3%). Além do dado chinês, os investidores também reagiram à notícia de que Estados Unidos e China devem retomar as negociações comerciais. Conversas com representantes de alto nível estão previstas para o dia 15, quando irão discutir o cumprimento dos termos da primeira fase do acordo.

 

A notícia foi recebida com cautela em Wall Street, diante da piora nas relações sino-americanas, sugerindo que qualquer avanço construtivo nas tratativas será uma surpresa. As discussões entre republicanos e democratas em Washington também estão no radar. Ainda assim, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem ganhos firmes, o que embala a abertura da sessão na Europa, antes de uma série de indicadores de peso.

 

Logo cedo, saem dados sobre a atividade no setor de serviços na zona do euro no mês passado, além do desempenho das vendas no varejo em junho. Os números irão ajudar a medir a retomada do consumo na região da moeda única, em meio à reabertura econômica. Já nos EUA, o destaque fica com os dados da ADP sobre o mercado de trabalho no setor privado norte-americano em julho (9h15). 

 

A previsão é de abertura de 1,2 milhão de vagas, reduzindo o ritmo de geração de emprego, após a criação de 2,3 milhões de postos no mês anterior, após as mínimas em abril. Os números são tidos como uma prévia do relatório oficial (payroll), na sexta-feira. calendário econômico nos EUA traz também o resultado da balança comercial em junho (9h30), a leitura revisada dos índices ISM e PMI do mês passado sobre a atividade no setor de serviços (11h), além dos estoques semanais de petróleo e derivados (11h30). 

 

Aliás, o barril da commodity tipo WTI e Brent avança e é cotado acima de US$ 40. Mas o destaque entre as commodities continua sendo o ouro. O metal precioso segue cotado acima do nível recorde de US$ 2 mil por onça-troy, atingido ontem, em meio à perda de atratividade no rendimento dos títulos dos EUA (Treasuries) e no dólar. A moeda norte-americana perde terreno para as rivais de países desenvolvidos e emergentes.  

 

Copom e o risco fiscal

 

Por aqui, o destaque do dia é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, mas que será conhecida somente após o fechamento do pregão local, por volta das 18h. O mercado financeiro dá como certo um ajuste residual, de 0,25 ponto, na Selic, para 2%, após a queda de 0,75 ponto, cada, nos dois encontros anteriores.

 

A dúvida, então, é se o Banco Central irá sinalizar (ou não) o fim do atual ciclo de cortes, iniciado em julho de 2019. De um lado, o cenário benigno da inflação, com o índice de preços ao consumidor orbitando abaixo do alvo perseguido para este ano (4%), combinado com a perspectiva de recuperação errática da atividade favorece quedas adicionais à frente.

 

O avanço da agenda de reformas, com o Congresso se debruçando sobre a proposta tributária enviada pelo governo, também joga a favor da continuidade - ou ao menos manutenção - dos estímulos monetários. Mas os debates sobre a criação de um imposto nos moldes da extinta CPMF e em relação à taxação de dividendos estão acalorados. 

 

Aliás, o ministro Paulo Guedes fala sobre o tema hoje em comissão (10h). O problema, então, continua sendo a questão fiscal. Os investidores estão cada vez mais preocupados com os riscos à regra do teto de gastos e veem disposição do governo Bolsonaro e sua equipe econômica em descumprir o limite das despesas, usando a pandemia com pretexto. 

 

Porém, sabe-se que o estouro da dívida é um desafio global no ambiente pós-coronavírus, com os déficits fiscais subindo rapidamente ao mesmo tempo em que as economias encolhem na casa dos dois dígitos. E com os números de desemprego subindo a níveis assustadores, a redução no valor do auxílio emergencial para apenas um terço (R$ 200) do benefício original pode pesar mais na recuperação econômica do que nas contas públicas.

 

A ver, então, as considerações do Banco Central em relação a todos esses fatores. A expectativa é de que o comunicado que acompanhará o anúncio da decisão mantenha o tom de cautela visto na mensagem anterior, ao final do encontro em junho, mas sem fechar a porta em relação aos próximos passos. Antes, o BC entra em cena para divulgar os dados de julho sobre a entrada e saída de dólares (fluxo cambial) do país.

 

Na safra doméstica de balanços, destaque para o resultado trimestral da Embraer.

 

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