Governo Dividido

07.11.2018

 

Os Democratas conquistaram a Câmara dos Representantes nos Estados Unidos, assumindo os 218 assentos necessários para ser maioria na Casa, ao passo que os Republicanos mantiveram o controle do Senado, com 51 cadeiras contra 45. A votação foi vista como uma reprovação do eleitorado norte-americano ao estilo nacionalista do presidente Donald Trump governar sua agenda em que coloca a “América Primeiro”, relegando questões como a imigração e a saúde.

 

Um Congresso dividido significa um impasse legislativo para os últimos dois anos do governo Trump, criando um muro para os planos mais ambiciosos do republicano, com vistas à reeleição em 2020. A Casa Branca ainda leva vantagem para que a nomeação a cargos-chave na Suprema Corte seja aprovada no Senado, inibindo também esforços dos Democratas para reverter ações reguladoras de Trump.

 

Mas o domínio da oposição na Câmara dá início a uma nova era de impasse em Washington. Assim, o resultado das eleições de meio de mandato (midterm elections) apenas reforça a previsão de desaceleração da economia dos EUA em 2019, à medida que o estímulo fiscal já adotado pela Casa Branca tende a se esvair, diminuindo as chances de qualquer nova iniciativa fiscal, e o Federal Reserve tende a manter o ritmo de alta da taxa de juros.

 

Em reação, os índices futuros das bolsas de Nova York exibiam leve alta nesta manhã, ao passo que o dólar perde terreno para as moedas rivais, como o euro e o iene, e o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está abaixo de 3,20%, diante da perspectiva de ausência de novo impulso aos rendimentos (yields) dos bônus e de fortalecimento da moeda dos EUA.

 

Na Ásia, as bolsas tiveram um desempenho misto, com perdas em Xangai (-0,7%) e em Tóquio (-0,3%), mas ganhos em Hong Kong (+0,2%), enquanto as principais bolsas europeias devem abrir na linha d’água. Entre as commodities, o petróleo tipo WTI se aproxima cada vez mais da faixa de US$ 60 o barril.

 

No Brasil, o presidente eleito, Jair Bolsonaro tem agenda cheia em Brasília. Pela manhã, ele toma café com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Rossato. Depois, se reúne com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e almoça no Superior Tribunal de Justiça (STJ). À tarde, Bolsonaro participa de reunião com a equipe de transição de governo e, às 16h, se encontra com o atual presidente, Michel Temer, no Palácio do Planalto, onde deve discutir a reforma da Previdência.

 

O governo eleito tenta aprovar novas regras para aposentadoria no Congresso antes mesmo de tomar posse, mas não parece haver vontade no Legislativo para votar algo, nem mesmo a mudança na idade mínima. É bom lembrar que antes mesmo da pauta entrar em discussão é preciso, primeiro, revogar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, retirando as tropas do Exército da região.

 

Entre os indicadores econômicos, o destaque doméstico fica com os dados da inflação em outubro. Às 8h, sai o IGP-DI, que deve desacelerar em relação à alta de 1,8% em setembro e subir 0,4% no mês passado. Ainda assim, a taxa acumulada em 12 meses deve seguir acima dos dois dígitos, indo a 10,6%.

 

Na sequência, às 9h, sai o índice oficial de preços ao consumidor brasileiro (IPCA), que deve ganhar força e subir 0,6%, no maior resultado para meses de outubro em três anos. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses deve acelerar a 4,7%, afastando-se um pouco mais da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.

 

Ciente dos riscos de alta à trajetória dos preços no varejo, o Banco Central esquivou-se em indicar o que fazer em relação à condução da taxa básica de juros, deixando em aberto os próximos passos. Na ata da reunião de outubro, quando manteve a Selic em 6,50% pela quinta vez, o BC apenas salientou que vai ficar de olho no comportamento da inflação.

 

Ainda no calendário local, saem dados do mês passado sobre os custos na construção civil (9h) e sobre a entrada e saída de dólares no país (12h30). Os números do BC sobre o fluxo cambial devem corroborar a percepção de retirada de recursos externos ao longo de outubro, movimento que ajuda a sustentar o dólar acima de R$ 3,70 neste início de novembro.

 

Aliás, a ausência dos “gringos” nos negócios locais desde o desfecho das eleições presidenciais tem chamado a atenção no mercado financeiro brasileiro. Foram os investidores locais que surfaram na “onda de otimismo” com uma vitória de Bolsonaro, uma vez que não se observa a entrada maciça de capital estrangeiro nos ativos domésticos.

 

Ao contrário, na Bolsa, o fluxo externo interrompeu três meses seguidos de entrada e ficou vermelho em pouco mais de R$ 6 bilhões, na segunda maior retirada mensal de recursos estrangeiras na renda variável - atrás apenas de maio - e migrando o saldo acumulado no ano também para o negativo.

 

Ainda assim, o fluxo cambial deve voltar a ficar positivo em outubro, após dois meses no vermelho, mas a conta financeira deve ter o menor superávit do ano. A expectativa é de que o capital externo só volte ao Brasil à medida que os estrangeiros ficarem confiantes na aprovação das reformas estruturais no Congresso e na governabilidade do presidente eleito.  

 

Já o calendário econômico no exterior traz os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos EUA (13h30) e os dados sobre o crédito ao consumidor norte-americano em setembro (18h). Na zona do euro, sai o desempenho das vendas no varejo em setembro, pela manhã.


 

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