Janeiro acaba em grande estilo


Sobram notícias capazes de agitar os mercados financeiros neste último pregão de janeiro, encerrando em grande estilo um mês que ficou marcado pelo farto apetite por risco. Enquanto lá fora os investidores digerem o primeiro discurso de Donald Trump sobre o Estado da União e aguardam a decisão de juros do Federal Reserve, aqui, a pesquisa Datafolha não trouxe novidades na corrida presidencial.

Em uma disputa sem o ex-presidente Lula, condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o deputado Jair Bolsonaro lidera nas intenções de voto, com 18%. Empatados em segundo lugar, aparecem Marina Silva (13%) e Ciro Gomes (10%), seguidos de perto por Luciano Huck e Geraldo Alckmin, com 8%, cada. Já em uma simulação com Lula, o líder petista segue na liderança, com 34%.

No segundo turno, Lula venceria Alckmin (49% a 30%) e Marina (47% a 32%), além de Bolsonaro (49% a 32%). O levantamento foi realizado ontem e segunda-feira, após, portanto, a decisão do TRF-4, que pode impedir a candidatura de Lula com base na Lei da Ficha Limpa. O destaque, porém, da pesquisa Datafolha é que, sem o ex-presidente no páreo, a fatia de votos nulos e brancos bate recorde.

Assim, nos possíveis cenários traçados, Lula e Bolsonaro seguem na dianteira, mas ambos pararam de crescer. Além disso, a saída do ex-presidente da disputa impulsionaria, principalmente, Marina e Ciro. O fato é que é irrelevante qualquer pesquisa eleitoral divulgada há quase dez meses antes do pleito, pelo simples fato de o levantamento não conseguir refletir, com segurança, o resultado nas urnas, em outubro.

Até porque mal se sabe quem serão os candidatos que irão disputar os principais cargos, nem as alianças entre os partidos. A própria participação de Lula na campanha depende de uma decisão da Corte eleitoral (TSE), que só deve ocorrer em setembro. Não deve haver, portanto, uma reação consistente dos mercados domésticos à divulgação da pesquisa Datafolha, deslocando o foco dos negócios para o exterior.

Lá fora, os mercados amanheceram buscando uma recuperação das perdas aceleradas observadas ontem, o que sustenta os índices futuros das bolsas de Nova York no azul. Os investidores digerem o discurso de Trump em sessão conjunta do Congresso, onde ele pediu a união entre democratas e republicanos para aprovar um novo plano de infraestrutura e a reforma imigratória.

De um modo geral, Trump procurou conectar seu primeiro ano de gestão na Casa Branca à prosperidade do país, argumentando que os Estados Unidos chegaram a um "novo momento americano", de riqueza e oportunidade. Em reação ao discurso, o dólar perdeu terreno para as moedas de países desenvolvidos, ao passo que os juros projetados pelos títulos norte-americanos de 10 anos seguiram nos maiores níveis desde abril de 2014.

Como se não bastasse todo esse noticiário vindo ainda do dia anterior, a quarta-feira também promete ser intensa. O grande destaque é a decisão de política monetária do Federal Reserve, que sai apenas às 17h. Não haverá entrevista coletiva de Janet Yellen ao final da reunião, mas o encontro marca a despedida dela à frente do processo de normalização da taxa de juros norte-americana. O mandato de Yellen acaba em fevereiro.

A partir daí, quem assume é um dos atuais diretores do conselho do Fed, Jerome Powell. A ele caberá a ainda mais árdua missão de elevar o custo do empréstimo nos Estados Unidos, em meio ao pacote fiscal do governo Trump, que além de acelerar o ritmo de crescimento econômico do país, também deve resultar em preços mais salgados ao consumidor.

Por isso, a expectativa é grande por pistas sobre qual será a estratégia a ser adotada pelo Fed, sob nova direção. As apostas ainda são de três novas altas nos juros dos EUA ao longo deste ano, para um intervalo entre 2% e 2,25%, sendo que em março já aconteceria o primeiro aumento, sempre a doses de 0,25 ponto percentual (pp), cada.

Antes da decisão do Fed, à tarde, a agenda econômica norte-americana traz uma leva de

indicadores importantes. A começar pelos dados da ADP sobre a criação de emprego no setor privado dos EUA em janeiro (11h15), tidos como uma prévia dos números do relatório oficial sobre o mercado de trabalho (payroll), na sexta-feira.

Merecem atenção também os dados de atividade na indústria e na construção civil, além dos estoques norte-americanos de petróleo bruto e derivados (13h30). Na zona do euro, saem números sobre a inflação ao consumidor e o desemprego, logo cedo. No fim do dia, a China anuncia o desempenho da atividade industrial em janeiro.

No Brasil, o dia começa com o índice de confiança no setor de serviços neste mês (8h) e traz dados do Banco Central sobre as contas públicas ao final de 2017 (10h30) e também sobre a entrada e saída de dólares no país até a semana passada (12h30). O destaque doméstico fica com a taxa de desemprego no país em dezembro (9h), que deve cair abaixo de 12%, em meio às contratações sem carteira assinada.

Falando nisso, o imbróglio em torno da posse de Cristiane Brasil como ministra do Trabalho pode estar perto do fim. Após a mensagem publicada pelo pai dela, o deputado Roberto Jefferson, na esteira de um vídeo da filha, o PTB deve decidir se mantém a indicação da deputada. Seria a saída ideal para o presidente Michel Temer, que precisa dos votos do partido para tentar aprovar a reforma da Previdência.

As negociações em torno da votação das novas regras para a aposentadoria devem ganhar corpo só na semana que vem, quando acaba o recesso legislativo. Sem saber se haverá alívio nas contas públicas por causa do rombo da Previdência, o governo deve anunciar em breve um corte de até R$ 20 bilhões no Orçamento deste ano, de modo a cumprir a regra que limita o aumento dos gastos.

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