Ruídos no Planalto

14.12.2017

 

 

A indefinição do governo sobre a votação da reforma da Previdência ainda em 2017 tem cansado o mercado financeiro, mas a aposta é de que o início dos debates hoje na Câmara dos Deputados dê maior clareza do apoio da base aliada para aprovar a matéria neste ano. Com a aprovação ontem do Orçamento da União de 2018, que prevê um déficit fiscal menor e fixa um teto para os gastos públicos, a tendência é de que o Congresso fique esvaziado, deixando a pauta das novas regras da aposentadoria para o ano que vem.

 

Após o líder do governo no Senado, Romero Jucá, anunciar que a votação da reforma da Previdência ficaria para fevereiro, o Palácio do Planalto apressou-se em desmentir a notícia, informando que o presidente Michel Temer ainda definirá a data com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira. Temer, porém, está fora de combate, após passar por uma cirurgia em São Paulo, e depende de alta para discutir a questão em Brasília.   

 

Hoje, o relator da proposta, Arthur Maia, deve ler o parecer sobre as mudanças na aposentadoria no plenário da Câmara e o sentimento dos deputados em torno do tema deve definir se é viável colocar a matéria em votação na semana que vem. O governo ainda não tem a garantia dos 308 votos necessários para passar o texto ao Senado, mas a expectativa é de que o início dos debates possa ampliar o placar favorável, que hoje conta com 244 deputados contrários, nos cálculos da imprensa.

 

Diante da insensatez dos congressistas, que decidiram aprovar um fundo bilionário com dinheiro público para pagar campanha nas eleições, é fácil entender a necessidade dos parlamentares de colocar os interesses eleitorais à frente de medidas ainda mais impopulares. O valor de R$ 1,7 bilhão para o fundo eleitoral está previsto no Orçamento do ano que vem, que agora segue para sanção de Temer. Tradicionalmente, a votação marca o fim do ano legislativo e, com isso, não deve haver quórum no Congresso na semana que vem para votar a nova Previdência, deixando a pauta mesmo para 2018.     

 

Com o radar ainda no front político, os negócios locais também monitoram o cenário externo, onde a China continua a impressionar. Desta vez, a surpresa não veio dos indicadores econômicos - com a indústria crescendo dentro do esperado em novembro (+6,1%) e as vendas no varejo mantendo o ritmo de alta de 10% - e sim do inesperado aumento na taxa de juros de curto prazo.

 

O Banco Central chinês (PBoC) anunciou o aumento em até em cinco pontos porcentuais em algumas taxas de recompra reversa, minutos antes da divulgação dos dados de atividade no país no mês passado. O movimento parece estar relacionado à decisão de ontem do Federal Reserve de elevar a taxa de juros norte-americana pela terceira vez em 2017 e, por isso, teve impacto maior nas bolsas de Xangai e de Hong Kong.

 

Ainda assim, o sinal negativo prevaleceu na sessão asiática, com os investidores digerindo o novo aumento no custo do empréstimo nos Estados Unidos, bem como a perspectiva de mais três novas altas nos juros do país em 2018. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão em alta nesta manhã, ao passo que o dólar e o rendimento dos títulos norte-americanos (Treasuries) estão de lado, em meio aos planos do Fed de manter o ritmo de aperto monetário, apesar da previsão de aceleração no crescimento econômico.

 

Com a decisão do Fed ontem, as atenções se voltam hoje para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). A expectativa é de que as principais taxas de juros na zona do euro sejam mantidas nos atuais níveis, bem como o cronograma do programa de recompra de bônus. Ambas as diretrizes mantêm uma política de estímulos à atividade, visando elevar a inflação rumo à meta.    

 

Esses assuntos devem ser mais bem detalhados na entrevista coletiva do presidente do BCE, Mario Draghi, a partir das 11h30. Antes, às 10h45, sai o anúncio da decisão do BCE. Fora da região da moeda única, o Banco Central da Inglaterra (BoE) também decide sobre a taxa de juros no Reino Unido, às 10h, mas o foco da ilha britânica está mais na saída da União Europeia (UE) – o chamado Brexit. O assunto, aliás, deve estar na pauta de discussão do Conselho Europeu, que se reúne hoje.

 

Nos Estados Unidos, saem dados sobre os pedidos semanais de auxílio-desemprego e sobre as vendas no varejo em novembro, ambos às 11h30, além da leitura preliminar do índice de atividade nos setores indústria e de serviços neste mês (12h45). Por fim, às 13h, é a vez dos estoques das empresas em outubro. Já o calendário econômico doméstico está esvaziado e traz apenas o resultado do primeiro IGP do mês, o IGP-10 (8h).

 

 

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