Novela da Previdência ganha novo capítulo

12.12.2017

 

Sem outro gatilho para os negócios nesta reta final de ano, os investidores continuam dando o benefício da dúvida de que a reforma da Previdência será votada ainda em 2017. O mercado doméstico não parece disposto em assumir o risco de que a aprovação da matéria no plenário da Câmara dos Deputados pode ficar para 2018, mas o calendário apertado mantém incertas as chances de aprovação antes do início do recesso legislativo.

 

Diante do curto espaço de tempo, os empresários também resolveram entrar em cena para apoiar a aprovação das mudanças na aposentadoria. O presidente Michel Temer recebe hoje (17h30) lideranças empresariais, que pretendem conversar com os deputados para que a proposta seja votada neste ano. Em outra frente, ele pressiona ministros pela liberação de recursos aos parlamentares em uma tentativa para angariar votos.

 

Assim, enquanto os holofotes estão voltados para um único tema, com a reforma da Previdência marcando onipresença no noticiário econômico, outros assuntos não estão sendo observados com a devida atenção. A começar por essas flexibilizações das contas públicas, sob a justificativa de facilitar o apoio à aprovação da medida. Outras temas importantes para viabilizar o cumprimento das metas fiscais no ano que vem, como a privatização da Eletrobrás, também estão em segundo plano.

 

A estratégia do governo para conquistar o apoio da base aliada está traçada, mas a grande questão é se as negociações vão resultar em ao menos 308 votos favoráveis às novas regras para a aposentadoria na semana que vem. No placar da imprensa, fala-se em mais de 200 votos contrários, de um total de 513 parlamentares, o que deixa a sensação de que a matéria pode ser colocada em votação mesmo sem ter o mínimo necessário para aprová-la.

 

Em meio a essa contagem de votos e aos esforços do governo, talvez seja melhor, então, garantir a votação não na próxima segunda ou terça-feira, mas sim em 2018. O problema é que essa sinalização ao mercado financeiro seria negativa, turvando as perspectivas para o Brasil no ano que vem - a começar pelo rumo da taxa básica de juros.

 

Isso porque o Banco Central deixou claro que o encaminhamento das reformas estruturais é fundamental para a continuidade do ciclo de cortes da Selic, rumo a novos mínimas históricas. A autoridade monetária deve reforçar esse recado hoje, na ata da reunião da semana passada, quando levou a taxa básica de juros ao piso recorde de 7%.

 

No documento, que será divulgado às 8h, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve repetir a sinalização, trazida no comunicado, de uma nova redução moderada no ritmo de cortes dos juros na primeira reunião de 2018. Tal indicação deixa em aberto a possibilidade de queda adicional de 0,25 ponto porcentual (pp) na Selic em fevereiro, a 6,75%.

 

Essa extensão do ciclo de cortes para além de 2017 ainda é possível pela combinação de atividade lenta e inflação comportada, sem pressão sobre os preços e com uma recuperação econômica gradual. Mas o Copom ressalvou que tal investida será encarada com cautela e apontou o cenário político como elemento-chave para uma eventual mudança de avaliação – ou sua corroboração.

 

Porém, quem procurar, na ata da última reunião do Copom, por sinais mais claros a respeito da relação entre a reforma da Previdência e o próximo movimento da Selic vai acabar se frustrando. Mais importante, serão os sinais a respeito dos fatores considerados relevantes na determinação do fim do ciclo de afrouxamento monetário.

 

Ainda na agenda doméstica, sai (9h) a estimativa para a safra de grãos em 2018, que não deve ter o mesmo comportamento recorde deste ano. No exterior, o calendário traz números sobre o sentimento econômico (Zew) na Alemanha e na zona do euro, além da inflação ao produtor norte-americano em novembro (11h30). Entre os eventos de relevo, começa hoje a reunião de dois dias do Federal Reserve.

 

Lá fora, os mercados internacionais estão em modo de "esperar para ver", antes do anúncio da decisão do Fed sobre a taxa de juros nos Estados Unidos, amanhã. Mais importante que o esperado aumento de 0,25 ponto, na terceira alta deste ano, é a sinalização do processo de aperto monetário em 2018. Só que a mudança na composição do colegiado tende a esvaziar a relevância da entrevista coletiva da presidente Janet Yellen logo após a reunião.

 

Afinal, o mandato dela se encerra em fevereiro do ano que vem e o ciclo de normalização dos juros norte-americanos será conduzido por seu substituto, Jerome Powell. Além do Banco Central dos EUA, o BC da zona do euro (BCE) também reúne-se nesta semana, o que reduz ainda mais o ímpeto dos negócios no exterior, que já têm sido afetados pelo volume financeiro mais baixo, típico desta época do ano.

 

Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem ligeiros ganhos, tentando embalar a abertura do pregão na Europa, após uma sessão de perdas na Ásia. Nas moedas, o dólar está de lado, medindo forças ante o euro, a libra e o iene, mas perdendo terreno para algumas divisas correlacionadas às commodities, como o dólar australiano. Entre as matérias-primas, o petróleo avança, após o fechamento de um importante oleoduto.    

 

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