O tempo é curto

11.12.2017

 

O governo decidiu apressar o debate sobre a reforma da Previdência e a proposta deve começar a ser discutida no plenário da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, antecipando os trabalhos da votação prevista para a segunda-feira da semana que vem. Mas os mercados domésticos sabem das dificuldades em reunir o apoio da base aliada e aprovar a matéria antes do recesso legislativo, o que dá início a uma corrida contra o relógio.   

 

Durante reunião no fim de semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acertou com o presidente Michel Temer que a reforma da Previdência vai começar a ser debatida no plenário da Casa no dia 14. Até lá, governo e aliados devem intensificar as negociações, atendendo a demandas específicas dos aliados e buscando melhorar a relação com os partidos da base, agora que Carlos Marun assumiu a articulação.

 

A grande dúvida ainda é o apoio do PSDB à reforma. Com a eleição de Geral Alckmin como presidente do partido, as atenções dos tucanos se voltam de vez para o pleito de 2018, e a influência do governador de São Paulo sobre a agenda das reformas é uma das apostas do Palácio do Planalto na aprovação das novas regras para a aposentadoria. Ainda assim, Temer se antecipou é não descartou a possibilidade de a reforma não ser votada neste ano.

 

"Se não for neste ano, será no início do ano que vem", disse, durante encontro da OMC, na Argentina. O Congresso entra de férias no dia 22 de dezembro e só retoma os trabalhos em fevereiro, sendo que o carnaval acontece em meados daquele mês. O problema é que governistas avaliam que diminuem bastante as chances de aprovar o texto no Congresso em 2018, por ser ano eleitoral. Por isso, os defensores da proposta correm contra o tempo.

 

Essas "idas e vindas" em torno da Previdência ainda é o que, em grande parte, tem feito preço nos negócios locais nesta reta final de ano e os ativos tendem a continuar oscilando ao sabor do noticiário envolvendo o tema. Mas a proximidade do período de festas já tem diminuído o volume financeiro, com muitos investidores fora das mesas e apenas sustentando suas apostas, mas alterar o fluxo de recursos.

 

Tal postura também é percebida nos mercados internacionais, onde os números sobre o emprego nos Estados Unidos ampliam o otimismo quanto ao crescimento econômico global. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão em alta nesta manhã, o que garantiu uma sessão positiva na Ásia e embala a abertura do pregão na Europa. O dólar devolve terreno em relação às moedas rivais, após ganhar tração com os progressos na agenda do governo Trump, ao passo que o petróleo oscila em baixa.  

 

Na agenda econômica desta semana, os destaques ficam com eventos envolvendo os bancos centrais do Brasil (Copom), dos Estados Unidos (Fed), da Inglaterra (BoE) e da zona do euro (BCE). Amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) publica a ata da última reunião de 2017, que não deve ir muito além da indicação já apontada no comunicado, de que há espaço para ao menos mais um corte na taxa básica de juros logo no início de 2018.

 

Ainda assim, a novidade pode ficar com a avaliação do BC local sobre o que pode impedir uma queda adicional na Selic no ano que vem – notadamente as incertezas em torno da reforma da Previdência. Já o Federal Reserve reúne-se pela última vez neste ano e deve anunciar, na quarta-feira, a terceira elevação na taxa de juros norte-americana em 2017 para o intervalo entre 1,25% e 1,50%.

 

A decisão será seguida de uma entrevista coletiva da presidente do Fed, Janet Yellen, que deve ser conduzida já em tom de despedida, uma vez que o mandato dela se encerra no em fevereiro do ano que vem. Aliás, as mudanças na composição do BC dos EUA, com a dança das cadeiras entre vários diretores, elevam as incertezas sobre a condução do processo de alta dos juros norte-americanos em 2018.

 

Por fim, na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) também anuncia a decisão sobre a taxa de juros na zona do euro. Porém, a situação enfrentada por Mario Draghi é mais complicada, já que a inflação segue sem força, mas há sinais de recuperação da atividade. Fora da região da moeda única, o BC inglês (BoE) também se reúne no mesmo dia, mas deve manter os juros onde estão, após promover a primeira alta em quase 10 anos.

 

Entre os indicadores econômicos, destaque para os dados norte-americanos sobre a inflação ao consumidor (quarta-feira) e a atividade - vendas no varejo (quinta-feira) e produção industrial (sexta-feira). Também são esperados números da indústria na zona do euro (quarta-feira) e do setor de serviços (quinta-feira). Na China, os indicadores de atividade serão conhecidos na quinta-feira.

 

O calendário doméstico também traz dados do comércio varejista (quarta-feira) e do setor de serviços (sexta-feira). Hoje, saem a primeira prévia do IGP-M no mês (8h), a Pesquisa Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h). Ainda sem data definida, são esperados os números sobre a arrecadação federal de impostos em novembro.

 

 

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