Política pauta mercado

28.11.2017

 

A agenda econômica novamente tranquila nesta terça-feira, tanto no Brasil quanto no exterior, mantém o radar dos investidores no noticiário político, em busca de pistas sobre as chances de votação e de aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano. A dúvida sobre se o governo terá os 308 votos necessários para passar a medida na Câmara dos Deputados prossegue e qualquer notícia sobre o assunto tem forças para agitar os negócios.

 

O mercado doméstico ainda não arrisca grandes apostas na corrida contra o tempo do governo para aprovar novas regras para a aposentadoria antes do início do recesso legislativo, em meados de dezembro. Os investidores querem, primeiro, ter maior segurança de que o governo irá vencer o desafio de conquistar votos suficientes da base aliada.

 

Antes, porém, o presidente Michel Temer precisa concluir a reforma ministerial. Após passar o fim de semana internado em São Paulo, ele já retomou para Brasília e deve, agora, intensificar as negociações para conseguir colocar a reforma em pauta no plenário da Câmara já na próxima semana, após fazer novas concessões aos partidos aliados em troca de votos.

 

Para tanto, Temer deve esquecer do PSDB, facilitando o desembarque dos tucanos, e se voltar de vez para o Centrão e o PMDB. Pelo cronograma do governo, a dança das cadeiras na Esplanada deve ser concluída nesta semana, permitindo que a nova versão da reforma da Previdência seja votada na Câmara entre os dias 7 e 15 de dezembro. No Senado, a matéria será a primeira a ser colocada em votação em 2018.

 

Ontem, o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reconheceu que o calendário é apertado e admitiu que a votação pode ficar para 2018. Segundo ele, é difícil concluir as duas votações neste ano, com 308 votos em cada uma, e o ideal seria deixar para fevereiro, "mas tem o carnaval no meio". Já para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o prazo é viável.

 

Mas os desafios do governo não param por aí. Além da reforma da Previdência, outras medidas importantes do ajuste fiscal precisam ser aprovadas no Congresso também até o recesso. As propostas trazem economia e receitas aos cofres públicos para garantir o cumprimento da meta fiscal de 2018, como a medida provisória (MP) que tributa os fundos exclusivos de investimento e o projeto de lei que reonera a folha de pagamento.

 

No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se reúne com líderes republicanos do Senado para decidir a votação da reforma tributária, que pode acontecer ainda nesta semana. Ainda no Senado, o indicado para assumir a presidência do Federal Reserve, Jerome Powell, será sabatinado e pode sinalizar como ele pretende dar continuidade ao ciclo de alta na taxa de juros norte-americana.

 

As incertezas sobre a proposta de corte de impostos deixam o dólar de lado, medindo forças ante os rivais. O comportamento da moeda contribui para o recuo do petróleo e dos metais básicos, que têm queda acelerada. O barril do WTI cai pelo segundo dia, saindo dos maiores níveis em dois anos, ao passo que o cobre o níquel lideram as perdas.  

 

Nas bolsas, a China trouxe preocupação aos negócios, diante de relatos de que Pequim pode limitar o fluxo de recursos entre as praças financeiras de Xangai e Hong Kong, em meio aos sinais de uma bolha no mercado de ações. Ao final da sessão, o índice Hang Seng caiu 0,4% e o Xangai Composto subiu 0,4%. Em Wall Street, os índices futuros das bolsas de Nova York não exibem uma direção única, o que reduz o ímpeto do pregão na Europa.

 

O calendário do dia traz, no Brasil, os índices de confiança do comércio e do consumidor em novembro (ambos às 8h), e da construção civil em outubro (11h). No exterior, também sai o índice de confiança do consumidor norte-americano neste mês (13h). Ainda internamente, são esperados os dados fiscais (10h30), que devem apontar um superávit nas contas do governo no mês passado, sem dificuldades para cumprir a meta deste ano.  

 

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